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Redação DM
Publicado em 9 de outubro de 2015 às 07:09 | Atualizado há 11 anosRIO, 9 (AG) – A sensação de uma seleção compartimentada, com um meio-campo dividido entre os responsáveis pela destruição e os que cuidam da criação, e que cerca a área adversária com poucos jogadores se reflete nos números. Em especial quando se avalia a participação dos volantes nos gols marcados pelo Brasil na atual passagem do técnico Dunga. Até agora, o time fez 31 gols em 17 jogos. Apenas um deles foi marcado por um volante, assim mesmo em lance de escanteio. E somente outros três surgiram de passes dos homens menos ofensivos do meio.
Luiz Gustavo marcou, de cabeça, um gol contra a França, em março, na vitória brasileira por 3 a 1, em Paris.
A seleção fez outros três gols com participação direta, no ataque, dos protetores da defesa. Primeiro, no amistoso com a Turquia, em novembro passado, Fernandinho fez lançamento para Neymar abrir o placar. Vale destacar, no entanto, que a bola partiu de antes do meio campo.
No mesmo jogo com a França em que Luiz Gustavo fez gol, Elias foi até as proximidades da área iniciando o contra-ataque que acabou no passe de Willian para o gol de Neymar. Elias voltaria a aparecer com destaque no ataque no amistoso contra o México, dias antes da estreia do Brasil na Copa América. Dentro da área rival, deu passe para Diego Tardelli marcar um gol.
Somando o gol de Luiz Gustavo aos passes de volantes, a participação deles no total de gols do Brasil na atual passagem de Dunga é de 13%.
Jogadas de contra-ataque rápido são a arma que mais serviu ao Brasil para construir seus gols. Chamou atenção que na quinta fosse raro ver cinco jogadores próximos à área chilena.
O Chile, por exemplo, ataca constantemente com sete jogadores. Numa comparação entre o desempenho no clube e na seleção, a diferença mais sentida diz respeito justamente a Elias. Em Santiago, na estreia das eliminatórias, raramente passou da intermediária. Poucas vezes se posicionou à frente da linha da bola como opção de passe. Desde que Dunga assumiu, além das duas jogadas de gol em que teve participação direta, foi visto como opção de passe perto da área no primeiro gol de Neymar na goleada sobre o Japão, assim como no amistoso contra os Estados Unidos.
Se a análise for estendida aos laterais, os números são mais animadores. Dos 25 gols da seleção que não se originaram de cobranças de faltas ou pênaltis, oito tiveram participação direta de um lateral, o que equivale a 32%. O mais presente foi Filipe Luís, que deu passe para Firmino marcar em amistoso contra a Áustria, iniciou o lance do gol de Oscar diante da França, deu o passe para Philippe Coutinho marcar contra o México e para o gol de Firmino sobre Honduras. Houve, ainda, dois gols originados em passes de Danilo e outros dois de Daniel Alves. Houve, ainda, dois gols de zagueiros: um de David Luiz e outro de Thiago Silva, em escanteios.
Ter jogadores executando múltiplas funções e ter uma variação na construção das jogadas exige tempo. Neste ponto, um dado joga a favor de Dunga: na reta final dos amistosos antes da Copa América, quando houve razoável repetição de escalações, aconteceu a maior concentração de gols com participação de laterais e volantes.
O Brasil chegou a fazer dez gols seguidos com esses jogadores. Na Copa América, lesões mudaram a lista de convocados. No torneio, houve duas assistências de Daniel Alves. Após a competição, a lista sofreu outras alterações importantes.