Torcidas organizadas: a proibição que pune o futebol
Redação DM
Publicado em 25 de abril de 2015 às 03:02 | Atualizado há 11 anos
Há cerca de dois anos, o promotor Goiamilton Antônio Machado, da 70ª Promotoria de Justiça de Goiânia, proibiu a entrada das três maiores torcidas organizadas dos estádios de futebol do Estado de Goiás. Com isso, Força Jovem do Goiás, Dragões Atleticanos e Esquadrão Vilanovense foram impedidas de participarem das praças esportivas goianas. Excluindo a entrada de bandeiras, camisas, instrumentos, ou qualquer outro tipo de utensílio que mencionasse as organizadas.
A medida foi reafirmada em 2015. O juiz Eduardo Tavares dos Reis, da 14ª Vara Cível de Goiânia, manteve a liminar. Acrescentando a torcida Sangue Colorado ao montante. Organizadas de outros Estados também estão excluídas dos estádios goianos. Apesar da tentativa, e mais ainda, da reafirmação do impedimento, o que se vê na prática é uma medida arbitrária e antiquada.
Longe de serem anjos, porém, a proibição dos torcedores uniformizados nos estádios goianos conseguiu retirar, talvez, o principal (e único) ponto positivo das mesmas: a festa dos estádios. Quem acompanha o futebol se acostumou a ouvir o ritmo da bateria, a agitação de bandeiras e os cantos ritmados vindos das arquibancadas. O Serra Dourada é um estádio frio, sem emoção, diversos fatores levaram a isso. Incontestavelmente, esse é um deles.
A culpa é do futebol?
Os principais problemas, envolvendo violência, são fora dos estádios. A partir daí, qual é culpa do futebol nisso? Que tipo de perigo um instrumento de bateria poderia ter ao torcedor que leva seu filho no Serra Dourada? A desmedida decisão já se mostrou falida em outras experiências. Não só em Goiás.
Ampliando a visão, nos anos 90, após inúmeras mortes supostamente ligadas ao futebol e as torcidas organizadas. As maiores agremiações do Estado de São Paulo foram proibidas. O que se viu, na prática, foi o aumento da violência.
Não é preciso ser nenhum especialista, muito menos fazer uma pesquisa longa e avançada sobre o tema. A violência entre as organizadas goianas não provém apenas do ódio pelo clube rival. Vai muito mais além. Ou o que explica membros da Esquadrão Vilanovense e Sangue Colorado, ambas ligadas ao Vila Nova, entrarem em confronto cotidianamente dentro e fora dos estádios.
Entender a estrutura de funcionamento de uma torcida organizada seria o primeiro passo para diminuir a violência no futebol goiano. Em 2014, o Goiás foi a equipe mais penalizada por problemas de violência em jogos. O Vila Nova também teve transtornos parecidos.
Solucionar a violência, não só no esporte, mas em todos os âmbitos, é dever do poder público. Restringir e acabar com os festejos do futebol é um desrespeito ao torcedor. Não sou advogado de nenhuma agremiação organizada. Posso parecer um saudosista, e realmente sou. A saudade de rever o Serra Dourada lotado e vibrante permanece. No ritmo da percussão, defendo o retorno da festa do futebol aos estádios. Nisso, as torcidas organizadas podem ajudar, e muito.