Goiânia do amanha

86 anos: Uma viagem pelo cenário político goianiense

Para imaginar a Goiânia do amanhã é preciso olhar para o passado e enxergá-lo de uma maneira diferente

diario da manha
Foto: Reprodução

Imagine que você está em um trem, viajando pela Europa. É um grande tour onde você passará por vários países que são localizados um ao lado do outro. Pronto? Agora vamos mudar o contexto. Você continua em uma viagem de trem, porém passeando pela história de Goiânia. Cada país por onde você passaria é na verdade, uma fase que a capital goiana passou até chegar aos dias de hoje.

Para entender sobre o cenário político de Goiânia, precisamos voltar algumas décadas no passado e estudar minuciosamente o contexto político do país como um todo. Nossa primeira parada é em 1889.

Mesmo com a proclamação da República em 15 de novembro de 1889, os problemas socioeconômicos enfrentados pela população goiana, não mudaram, especialmente em razão do isolamento proveniente da carência dos meios de comunicação, com a ausência de centros urbanos e de um mercado interno e com uma economia de subsistência. As mudanças foram apenas administrativas e políticas.

Da primeira fase do país como República, até 1930, havia a disputa oligárquica goiana pelo poder político entre as famílias Fleury, Bulhões e os Jardim Caiado. Até 1912, os Bulhões permaneceram na elite, liderada por José Leopoldo de Bulhões e a partir desta data até 1930, os Jardim Caiado, liderado por Antônio Ramos Caiado.

Agora nosso trem, viaja pela história do país e chega a estação “Ano de 1930”, onde uma grande figura política que desempenha papel fundamental no cenário político, surge.

O país passou por uma revolução em 1930, quando Getúlio Vargas assumiu a presidência do Brasil e finalmente houve mudanças no cenário político. Com os governantes destituídos, Vargas colocou em cada estado um governo provisório, formado por três membros. Em Goiás, um deles foi o Dr. Pedro Ludovico Teixeira, que dias depois, foi nomeado interventor.

No dia 24 de outubro de 1933 foi lançada a pedra fundamental e em 7 de novembro de 1935 foi iniciada a mudança provisória da capital do estado, da Cidade de Goiás para Goiânia. Mas só em 23 de março de 1937, Goiânia foi definida e instituída como capital do estado de Goiás.

E finalmente chegamos a estação “Prefeitos”, onde conheceremos todos os personagens da história política da capital.

Em 1935, o primeiro prefeito da capital foi nomeado através do interventor, Pedro Ludovico Teixera. Jornalista, escritor e árbitro de futebol, Venerando de Freitas Borges iniciou seu mandato em 20 de novembro de 1935 e ocupou o cargo por uma década. Seu mandato se encerrou em 5 de novembro de 1945.

Quatro dias depois, Ismerino Soares de Carvalho assumiu a prefeitura por meio da nomeação vinda de Eládio de Amorim. Ismerino atuou apenas durante três meses e em 17 de fevereiro de 1946 deixou o cargo.

Orivaldo Borges Leão do Partido Social Progressita (PSP), assumiu no dia 18 de fevereiro e trabalhou como prefeito da capital até 25 de março de 1947. Na época, Filipe Antônio Xavier de Barros era o interventor do estado de Goiás.

Em 26 de março de 1947, Ismerino Soares de Carvalho foi renomeado prefeito de Goiânia por Jerônimo Coimbra Bueno mas, seu mandato não durou muito. Em 6 de novembro do mesmo ano, se retirou do cargo e deu lugar a Eurico Viana, que assumiu o cargo no mesmo dia.

6 de novembro de 1947, o primeiro prefeito eleito diretamente pelo povo, tomou posse da prefeitura da cidade. Viana atuou no cargo até 1951, onde um antigo personagem deu as caras novamente.

Venerando de Freitas Borges, o primeiro prefeito de Goiânia, volta em janeiro de 1951, agora eleito por voto popular e trabalha exatos quatro anos no poder municipal.

Messias de Souza Costa, assumiu a prefeitura interinamente de 2 de fevereiro de 1955 até 5 de março de 1955, para então João de Paula Teixeira Filho do Partido Trabalhista  Brasileiro (PTB) ser eleito diretamente.

Em 31 de janeiro de 1959, Jaime Câmara foi eleito a prefeito de Goiânia e cumpriu o mandato até 31 de janeiro de 1961. Logo após, Hélio Seixo de Brito assumiu o cargo e ficou cinco anos ocupando-o.

Em 31 de janeiro de 1966, Íris Rezende foi eleito ao seu primeiro mandato como prefeito de Goiânia. Este que já tinha sido vereador em 1958 e deputado estadual em 1962, teve seu mandado cassado pelo regime militar em 1969.

Nossa viagem chega a estação “Ditadura Militar”

Nosso trem chega então à estação “Ditadura militar”, onde volta ser vigorado o sistema de nomeação, só que dessa vez o próprio governador do estado agia como interventor e escolhia o prefeito das cidades. Segue a lista de nomeações:

Foto: Arnaldo Pacheco

E assim, concluímos mais uma etapa de nossa viagem e nos dirigimos à próxima estação. Com o golpe de 1964, as eleições diretas foram restituídas e Daniel Antônio de Oliveira foi o primeiro prefeito eleito após a ditadura.

Porém em março de 1987, Joaquim Roriz foi nomeado prefeito, por Henrique Santillo, governador da época, para só então, em 19 de outubro de 1988, Daniel Antônio de Oliveira voltar ao poder. Depois, vieram:

  • Nion Albernaz (1º de janeiro de 1989 – 31 de dezembro de 1992)
  • Darci Accorsi (1º de janeiro de 1993 – 31 de dezembro de 1996)
  • Nion Albernaz (1º de janeiro de 1997 – 21 de dezembro de 2000)
  • Pedro Wilson Guimarães (1º de janeiro de 2001 – 31 de dezembro de 2004)
  • Íris Rezende (1º de janeiro de 2005 – 31 de dezembro de 2008)
  • Íris Rezende (1º de janeiro de 2009 –  1º de abril de 2010)
  • Paulo Garcia (1º de abril de 2010 – 31 de dezembro de 2012)
  • Paulo Garcia (1º de janeiro de 2013 – 31 de dezembro de 2016)

Até desembarcamos na nossa última estação “Dias atuais”, onde temos novamente Íris Rezende no cargo. Tomou posse no primeiro dia do ano de 2017 e está em exercício de sua função até hoje.

O que aguardar da Goiânia do amanhã?

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