Batista parte com suas flores e “caminhando e cantando”
Redação DM
Publicado em 27 de novembro de 2023 às 14:21 | Atualizado há 3 anosDurante a despedida do corpo do editorialista Batista Custódio [9-4-1935 / 24-11-2023], no cemitério Santana, no setor dos Funcionários, em Goiânia, na manhã de sábado, 25, o jornalista e empreendedor foi lembrado pelas suas principais características: defesa da liberdade, indignação com a injustiça e honra inabalável.
O sepultamento teve início às 10h, após uma missa marcar a passagem espiritual do jornalista. Antes, dezenas de lideranças políticas, gestores públicos e amigos realizaram cerimônia em que as palavras de conforto fizeram referência ao fato do corpo de Batista estar cansado, mas seu espírito pronto para as jornadas eternas. A imprensa realizou a cobertura e enfocou o legado do criador do “Cinco de Março” e Diário da Manhã.
Durante o sepultamento, estavam mais próximos da família ( irmãos, netos, a incansável esposa Marly Almeida e filhos) e do caixão, amigos desde sempre do jornalista, como Valterli Guedes, presidente da Associação Goiana de Imprensa (AGI); ex-deputado federal Tarzan de Castro, Humberto Silva (fotógrafo), PX Silveira (produtor cultural).
Valterli usava uma camisa com imagem de Batista e uma frase em caixa alta: “Liberdade!”. Ao falar do amigo, o presidente da AGI recordou: Batista lutava contra injustiças a todo momento. Era sempre um indignado com a supressão de direitos daqueles que sequer os pleiteavam.
João do Sonho, advogado e filho de Batista, sublinhou o legado do pai: “princípios”. Ao se despedir, reiterou que muitas reflexões de Batista serão “entendidas no futuro”. Sonho disse que precisamos “reciclar” os ensinamentos do fundador do DM e avançar para o futuro.
Bastante emocionado, Júlio Nasser, presidente do DM, reafirmou a convicção de que o Diário da Manhã sempre teve e terá os valores jornalísticos de Batista, que é dar “voz para a sociedade”, abrir o máximo de espaço para todos se expressarem, que é o que Batista “sempre fez” desde a primeira edição, ainda nos anos 1980.
Coragem
Dentre os presentes no sepultamento, o senador Wilder Morais enalteceu a coragem e esforços de Batista em ser o mais democrático possível para o exercício da liberdade de imprensa, quando todas forças centrípetas o obrigavam a censurar ou impedir a “circulação de ideias e ideais”.
Também abalado com a passagem, o jornalista e editor Ulisses Aesse, presidente do Clube de Repórteres Políticos (CRPGO) e um dos profissionais que mais tempo esteve com Batista dentro de uma redação, reiterou a crença de que a “obra maior fica” – os valores éticos e sua “envergadura moral inabalável”.
Jornalistas da nova geração, como Marcus Beck e Heitor Vilela, também empreendedor de espaços de resistência cultural, celebraram Batista como “homem da cultura” que se posicionava e tinha um gosto fora do mainstream.
Apesar da dor e lamento, muitos vertidos em lágrimas, o consenso era de que Batista “combateu o bom combate”, terminou a carreira e guardou a fé (2 Timóteo 4: 7-8).
Padre Rafael Magul, da Igreja Católica Ortodoxa, que realizou as celebrações, reiterou a fase de passagem do corpo e a importância do legado “histórico”. Ecumênico, Batista foi lembrado pela amizade com o ícone do espiritismo Chico Xavier e de sua defesa da liberdade religiosa – pastores e igrejas enviaram faixas e mensagens de agradecimento ao jornalista que defendeu como ninguém sua constelação de crenças e sua visão numinosa, mas jamais impediu que os outros a professassem em suas páginas.
Durante a despedida, cujo contraponto era discurso e canto, todos entoaram Geraldo Vandré: “Vem, vamos embora, que esperar não é saber/ Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
Era Batista, de fato, o corpo, indo embora para virar pó como poeira estelar. A música tinha tudo a ver com ele: que, ambientalista, sempre acreditou e realmente conhecia as flores e desprezava os canhões.
Dias antes, com voz rouca e debilitada, ele disse para este editor que ficasse tranquilo: “Welliton, escreve aí: não vou morrer! Eu não desisto! NÃO DESISTO!”. Mas sempre nos preparou: “a morte física não é nada. Importa é sua história”.
De fato, como maior jornalista da história de Goiás, cuja morte civil foi tentada várias vezes por poderosas elites taradas por dinheiro público, ele vira capítulo da nossa história – telúrico, verdadeiro e conjunto probatório evidente de nosso tempo. Salve, Batista!