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"Acorde - História Para Despertar", TJGO cria projeto para contar histórias de mulheres inspiradoras

Ao longo deste mês, o objetivo é mostrar histórias de mulheres do estado de Goiás que, além de superarem todas as dificuldades sendo elas de qualquer indivíduo, deram a volta por cima e tornaram o mundo um lugar mais digno

diario da manha

O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) iniciou neste mês de março a campanha ” Acorde – Histórias Para Despertar”. O projeto conta a história de dez mulheres e faz uma nova abordagem no combate a violência doméstica contra a mulher, onde a aposta principal é a paz.

Ao longo deste mês, o objetivo é mostrar histórias de mulheres do estado de Goiás que, além de superarem todas as dificuldades sendo elas de qualquer indivíduo, deram a volta por cima e tornaram o mundo um lugar mais digno e inspirador para todas as mulheres.

O projeto tem uma grande relevância para a sociedade. Ele foi desenvolvido e planejado pela coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, coordenada pela a desembargadora Sandra Regina Teodoro Reis, e pelo Centro de Comunicação Social do TJGO, que tem o diretor Luciano Augusto Souza Andrade à frente da campanha.

Diferente de todos os anos em que o TJGO demonstram com dados e números o aumento da violência contra a mulher, desta vez, o intuito foi promover a justiça por meio do diálogo e não da violência. Mesmo com todas as adversidades, mulheres ultrapassam barreiras, rompem preconceitos e inovam nas mais diversas áreas do conhecimento.

A promotora de justiça aposentada Maris Amado Teixeira, 49 anos, vê a mobilização do Poder Judiciário Goiano atuando pró ativamente com a “Semana da Justiça pela Paz em Casa”, de uma forma excelente, mostrando que não está anestesiado com a violência que todos sabemos que ainda existe com força dentro de tantas casas.

“É uma boa ação para não permitir que isso se torne assunto corriqueiro, como se o resto da sociedade não tivesse como fazer coisas para mudar essa realidade”, declara Maris.

O Projeto Despertar, neste ano veio com uma inovação dentro da Semana pela Paz em Casa, uma iniciativa do TJGO que além de apoiar mulheres em estado de vulnerabilidade, mostra histórias de várias mulheres que não esperam por ninguém e que “botaram a mão na massa” para tornar o mundo um lugar melhor para todos e todas.

A promotora Maris junto com sua irmã Mitzi, além de ambas participarem desta campanha, elas também são fundadoras da ONG Terra Livre, uma organização privada sem fins lucrativos, onde o foco é a defesa dos direitos das crianças e adolescentes, e estende em geral para as famílias que estejam precisando deste tipo de suporte principalmente em tempos de pandemia onde várias famílias necessitam de cestas básica, atendimento psicológico etc.

Atualmente a ONG Terra Livre está situada em Aparecida de Goiânia e atende em torno de 60 famílias.

A promotora Maris e sua irmã Mitzi Amado Teixeira de Moura, 43, costumam dizer que a ONG Terra Livre nasceu de um sentimento incomum: o incômodo. Para Mitzi, os reflexos culturais e estruturais são fortes em uma sociedade que não é igual.

Mitzi, de acordo com relato de sua irmã Maris, foi a primeira a sentir esse sentimento de incômodo, essa vontade de que o “outro também estivesse feliz”.

Idealizadora do Projeto “Acorde – Historias Para Despertar”, a juíza doutora Sirlei Martins da Costa, relata que a ideia e proposta do Tribunal de Justiça ao lançar está esta campanha, foi de investir na cultura de paz durante o período em que programavam as ações comemorativas do dia 8 de março, dia Internacional da mulher.

“Embora nós não tenhamos estatísticas apontando em quais lugares houve aumento de violência doméstica, o fato é que os números revelam que desde o início da pandemia os casos aumentaram bastante, provavelmente pelo o fato das pessoas estarem confinadas nos lares, onde normalmente ocorre o maior número de Violência”, ressalta Sirlei.

Durante os primeiros meses de pandemia da Covid- 19 no Brasil, o número de queixas aumentou à medida que o surto de Covid-19 crescia, e mais mulheres saíram de casa para fazer denúncias à polícia.

A magistrada Sirlei ressalta que desde o início, o TJGO pensou em uma campanha positiva que mostrasse mulheres que ainda que exista dificuldades e vivenciam algum tipo de violência doméstica, elas não deixaram de enfrentar estas dificuldades.

“São histórias de pessoas incríveis, que batalharam muito e estão envolvidas com alguma causa social. São histórias que nos inspiram e que seguramente despertam em muitas pessoas uma nova perspectiva, um novo olhar, uma postura mais positiva no momento em que tantos números negativos estão aí estampados”, disse a juíza.

Mulheres inspiradoras

Desde o início da campanha, o intuito foi de contar histórias de superação e que inspiram outras mulheres que passam por qualquer tipo de violência. Durante todo o mês de março, o TJGO publica histórias de grandes mulheres que nunca desistiram apesar dos obstáculos.

Maria Euzebia de Lima ( Bia de Lima) – Presidenta do Sintego e especialista em educação brasileira pela a Universidade Federal de Goiás (UFG). Na década de 1980 foi militante do Movimento Reviravolta e presidenta do Centro Acadêmico Paulo Freire. É a segunda mulher a presidir a CUT em Goiás

Delaide Alves Miranda Arantes ( ministra do TST) – Natural de Pontalina, Goiás. Ela trabalhou nas pequenas lavouras do pai, foi empregada doméstica na adolescência e se tornou advogada aos 27 anos. No TST desde 2011, ela tem nas mãos 12 mil processos e já declarou o desejo dr ajudar pessoas com uma biografia semelhante a sua.

Dona Procópia – Parteira, rezadeira, ensina dança sussa aos jovens da comunidade por meio da tradição oral. Foi indicada ao prêmio Nobel da Paz, em 2005 pela a luta em prol dos territórios e dos direitos dos kalungas .

Laurita Vaz (ministra do STJ) – Nasceu no município de Anicuns, formou em Direito em 1976 pela a Universidade Católica de Goiás (PUCGO). Em 2001 foi nomeada ministra do Superior Tribunal de Justiça pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.

Geovana Rodrigues – Atleta paraolímpico brasileiro. Dentre suas conquistas, é campeã parapan – americana e recordista no lançamento de dardos. Em fevereiro de 2020 recebeu, pelo segundo ano consecutivo, o prêmio melhores atletas

Luciana Caetano – Primeira bailarina negra de Goiânia, coreógrafa, professora de dança, membro do Colegiado Nacional de Dança.
Maria Luiza Moura Oliveira – Mestra em psicologia pela a PUC- GO. Membro representante titular do Brasil no Comitê Latinoamericano e caribenho sobre Trata e Tráfico de Personas.

Laureane Marília de Lima Costa – Professora, 26 anos, nascida em Rio Verde, Goiás. Apesar das limitações físicas, a pedagoga continua exercendo a profissão, conta com a ajuda dos alunos – crianças entre 6 e 14 anos, para lecionar em um colégio de Rio Verde, região sudoeste de Goiás.

Promotora Maris Amado Teixeira e a irmã Mitzi Amado Teixeira de Moura – Fundadoras da ONG Terra Livre. Instituição privada sem fins lucrativos que trabalham em defesa dos direitos da criança e do adolescente.

Ekaterina Akimovna Botovchenco Rivera – médica veterinária. Primeira mulher a receber o título de pesquisadora emérita do CNPQ. Primeira mulher na história da UFG a conquistar o título de Notório Saber.

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