Goiás

"Procedimento padrão": Abordagem policial é diferente para negros e brancos

O jovem, Filipe Ferreira não apresentou resistência no ato da abordagem, e de acordo com os policiais no vídeo, aquele era um procedimento "padrão"

diario da manha
Foto: Reprodução/FIlipe Ferreira

O jovem negro, Filipe Ferreira, foi preso durante abordagem policial enquanto praticava manobras em Cidade Ocidental. Em vídeo publicado nas redes sociais, é possível ver o momento em que uma viatura da Polícia Militar do Estado de Goiás se aproxima do rapaz.

Além disso, na gravação é possível ouvir gritos dos policiais afirmando ser “procedimento padrão”. Deste modo, após questionar o porquê de ser abordado daquela forma. E sem apresentar resistência, o jovem é algemado e preso. No entanto, a abordagem policial difere quando a ocorrência é em baixo de classe média-alta.

Racismo institucional

De acordo publicado pelo Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflitos (GEVAC) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a tava de mortalidade de negros é três vezes maior que a de brancos.

Segundo dados analisados entre 2009 e 2011, das 939 ações policiais, 61% das vítimas de morte por policiais eram negras. E no âmbito infanto-juvenil, a cada três mortes, duas são de pessoas negras.

Além disso, a pesquisadora Jacqueline Sinhoretto afirma que a prática do racismo não envolve diretamente membros da corporação. Contudo, há registros recentes sobre racismo sofrido por policiais civis no Distrito Federal.

Em reportagem publicada pelo CNN Brasil em agosto de 2020, o delegado da PCDF, Ricardo Viana, diz não compreender a origem de tanto ódio. Por meio de relato, ele afirma dirigir no Lago Sul, região nobre de Brasília, quando foi surpreendido com empurrões e ofensas.

“Até o momento não entendi por que tanto ódio em uma só pessoa, o pior é saber que este tem histórico de violência e já praticou fatos semelhantes com outros negros”, disse ao CNN

No entanto, a PCDF informa por meio de nota que o agressor foi indiciado por ameaça, vias de fato, injúria racial e porte de entorpecentes para consumo pessoal.

Ação policial resulta em chacina no Jacarezinho

A comunidade do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro foi alvo de “operação policial” que resultou na morte de 25 pessoas. De acordo com a Anistia Internacional do Brasil, esta é a maior chacina já ocorrida no município do Rio de Janeiro.

Segundo o portal UOL, o massacre envolveu em sua maioria, jovens negros e pobres. No entanto, o delegado Felipe Couri, do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) afirmou não haver suspeitos, e sim criminosos.

“Não tem nenhum suspeito aqui. A gente tem criminoso, homicida e traficante”, disse em coletiva de imprensa no dia 6 de maio deste ano.

Já em texto publicado pelo El País, o Superior Tribunal Federal (STF) recebeu pedido para derrubar o sigilo de cinco anos. A ação foi movida pelo ministro Edson Fachin em contra a Policia Civil fluminense. De acordo com a Procuradoria Geral da União (PGR), as execuções foram arbitrárias. Além disso, as ações policiais deveriam acontecer em “hipóteses absolutamente excepcionais” em decorrência da pandemia.

Nota à imprensa

Por meio de nota, PMGO disse apurar o caso, para que as devidas providências sejam tomadas. Além disso, não comentou mais nada sobre o assunto. Confira:

A Polícia Militar do Estado de Goiás informa que o fato está sendo apurado.

Caso seja comprovado qualquer tipo de excesso, as providências legais serão tomadas.”

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