Goiás

Haitiana denuncia injúria racial de vizinhos e golpe 'mata-leão' da PM em Anápolis

Segundo o delegado, a Polícia Civil vai ouvir a Myrlouse e será instaurado um inquérito para apurar o crime de injúria racial

diario da manha

A haitiana Myrlouse Pierre, denunciou ser chamada de “negra imunda” por um vizinho e atingida com um golpe “mata-leão” por um policial militar, depois de uma reclamação de som alto, na última sexta-feira, 9, em Anápolis. Um vídeo de uma câmera de segurança mostra quando o agente chuta o portão da casa dela, a golpeia pelo pescoço e a algema.

“O mesmo policial que me pegou pelo pescoço falou: ‘Não, eu sou seu amigo. Eu não podia te pegar assim, me desculpa’. Eu falei que não tinha desculpa”, disse Myrlouse.

Segundo a vítima, o policial a agrediu depois que ela disse que ia pedir para que um vizinho a acompanhasse, mas foi golpeada e colocada na viatura.

Ela conta que tudo começou após um vizinho chamar a polícia denunciando que ela estava com som alto e cometendo perturbação de sossego.

Segundo ela, quando a PM chegou o denunciante começou a ofendê-la na frente dos policiais, que não fizeram nada.

“Ele disse: ‘Sua negra imunda, o que você está fazendo aqui? Vai para o seu país’. Pensei: Nossa, na frente do PM, está me xingando desse jeito. O PM não fez nada”, relata.

Momento em que  haitiana Merlouse Pierre é golpeada com um mata leão pela PM, em Anápolis — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Merlouse Pierre é golpeada com um mata leão pela PM, em Anápolis
Foto: Reprodução/TV Anhanguera

A mulher, identificada como Jardel Dias, confirmou à TV Anhanguera que queria bater na vizinha, mas nega que foi preconceituosa.

“Confesso, mas não compensa sujar as mãos com uma pessoa dessas. Ela estava bêbada. Eu falei sim que se ela estivesse se sentindo incomodada que voltasse para o país dela. Momento algum eu fui preconceituosa, porque eu me sinto negra”, disse.

Segundo uma moradora que presenciou a abordagem, e preferiu não se identificar, as ofensas aconteceram. “Ele falou assim: ‘Desde quando você trabalha? Você não trabalha não. Você tem que trabalhar no seu país’”.

De acordo com o dono do imóvel em que Merlouse mora, não havia barulho que incomodasse e que se trata de implicância dos vizinhos com ela. “Eles são implicados com ela, que até o cachorro deles é chamado de haitiano”, contou Fernando Pereira.

Myrlouse registrou o caso por meio de um termo de declaração no 4ª Batalhão da Polícia Militar e afirma que vai formalizar uma ocorrência na Polícia Civil contra a ação da PM.

Segundo o delegado Carlos Antônio Silveira, a Polícia Civil vai ouvir a haitiana e será instaurado um inquérito para apurar o crime de injúria racial.

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