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PSDB definha em razão das derrotas de 2018, 2020 e 2022

Partido, dirigido pelo ex-governador Marconi Perillo, que manteve a hegemonia política no Estado por cerca de 20 anos

Mesmo para quem vive diariamente a política goiana, é difícil entender como o PSDB, um partido que manteve a hegemonia no Estado por décadas, e que elegeu 75 prefeitos municipais nas eleições de 2016, chega a 2023 praticamente inexistente no tabuleiro político goiano.

Presidido por Marconi Perillo, quatro vezes governador, o tucanato goiano é hoje um partido nanico, que se colocou na atual situação depois de inúmeros revés nas urnas, fatos que tiveram como consequência o completo esvaziamento da sigla no Estado, sobretudo porque não houve, por parte de seus dirigentes, nenhuma proposta de renovação para a legenda.

Presidente do PSDB em Goiás desde setembro de 2021, o próprio Marconi Perillo teria cogitado deixar o partido e buscar novas siglas que possam garantir a ele condições de disputar o governo de Goiás em 2026. Marconi estaria descrente e ressentido com a postura da legenda nas eleições do ano passado, quando foi mais uma vez derrotado para o Senado. Segundo ele, o PSDB nacional não o teria dado respaldo para fechar aliança com o PT do candidato Lula.

A descrença de Perillo é traduzida na prática pela realidade que o PSDB vive nos municípios goianos. Segundo notícias divulgadas na imprensa, 154 comissões provisórias e diretórios do partido teriam expirado no final de março próximo passado, e não teriam sido renovados. Hoje, o PSDB está reduzido a quatro diretórios municipais: Goiânia, Aparecida do Rio Doce, São João D’Aliança e São Luís de Montes Belos.

Esvaziamento

O partido de Marconi Perillo vem sofrendo um processo de esvaziamento ao longo dos anos, e, sem ações de renovação, esse processo se agravou ainda mais no ano passado. Com a segunda derrota consecutiva de Perillo para o Senado, o PSDB desceu definitivamente ao fundo do poço.

De uma bancada de sete deputados estaduais e cinco federais em 2014, a legenda chega a 2023 com apenas dois representantes na Assembleia Legislativa de Goiás e uma deputada na Câmara Federal. De 75 prefeitos eleitos em 2016, o PSDB goiano conseguiu eleger apenas 20 filiados em 2020, e de lá pra cá tem perdido nomes considerados históricos, como Naiçotan Leite, de Iporá, Valmir Pedro, de Uruaçu, e Vando Vitor, de Palmeiras de Goiás, que deixaram a legenda recentemente.

Diego Sorgatto, Tião Caroço, Francisco de Oliveira, Talles Barreto e Célio Silveira são alguns parlamentares que abandonaram o ninho tucano nos últimos anos, migrando para a base aliada.

Escândalos

Noutro ponto, a série de escândalos de corrupção que envolveu proeminentes figuras do partido em Goiás, como a prisão de dois ex-presidentes da sigla, em 2016 – Afrêni Gonçalves e José Taveira, que morreu no ano passado, foram presos no curso da Operação Decantação, que investigou desvios na Saneago -, e também a própria prisão do ex-governador Marconi Perillo em 2018, durante a Operação Cash Delivery, investigação que já havia levado à cadeia o homem forte do governo tucano da época, Jaime Rincón, então presidente da antiga Agetop, foram acontecimentos que acabaram contribuindo para que o PSDB fosse caindo em credibilidade junto ao eleitorado goiano, avaliam os especialistas.

Os analistas entendem, também, que o enfraquecimento político do ex-governador Marconi Perillo diante da Executiva nacional do PSDB, fato que ficou evidente nas declarações do presidente Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, durante passagem por Goiânia no fim do mês de janeiro próximo passado, é visto como mais um problema para a reconstrução do partido em Goiás.

Filiados da legenda avaliam que é iminente o risco do partido desaparecer de vez no Estado, uma vez que é visível o crescimento de outras legendas, como o União Brasil, partido do governador Ronaldo Caiado, e o MDB, comandado em Goiás pelo vice-governador Daniel Vilela. O fortalecimento desses e outros partidos vai, naturalmente, cooptando os últimos remanescentes do tucanato goiano.

Sem aglutinação

Em privado, tucanos criticam a postura do ex-governador e presidente da sigla, o qual, dizem, não tem atuado para construir uma agenda efetivamente partidária, preferindo agir mais para tentar salvar a sua própria imagem. A falta de agendas no interior, a desarticulação dos diretórios e comissões provisórias nos municípios e a ausência de interlocução com o diretório nacional são apontados como entraves para a salvação do partido em Goiás.

Com as eleições municipais de 2024 no horizonte, a preocupação aumenta, já que os filiados nos municípios do interior não têm a certeza de que reunirão condições políticas legais para disputar o pleito, ou se terão alguma repercussão política que os permita integrar uma coligação capaz de sustentar suas pretensões nessas localidades.

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