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Governo francês flexibiliza regras de isolamento de autistas durante pandemia do coronavírus

Nesta quinta-feira (2), o presidente da França Emmanuel Macron declarou que os 700.000 autistas do país poderão sair de casa com mais frequência

diario da manha
Presidente da França Emmanuel Macron em visita ao Rouen hospital. Foto: AFP

As regras rígidas de confinamento e distanciamento social adotados pela França para conter o avanço do coronavírus criou uma dificuldade a mais aos pais de crianças autistas. Ficou mais difícil manter a rotina caracterizada por rituais que os autistas precisam para se sentir seguros, evitando frustrações e crises de angústia. Afim de dar um alívio à estas famílias, o presidente Emmanuel Macron anunciou nesta quinta-feira (2) uma flexibilização das medidas de isolamento desse público especial.

Nesta quinta-feira (2), Dia Mundial de Conscientização do Autismo, o chefe de Estado francês declarou que os 700.000 autistas da França poderão sair de casa com mais frequência, “para ir aos locais que representam referências tranquilizadoras” para eles.

“Desde o confinamento que começou em 16 de março, seus hábitos mudaram e você pode estar um pouco perdido”, disse Macron falando diretamente aos autistas. “Você costumava ir trabalhar ou estudar todos os dias em algum lugar, e da noite para o dia não foi mais possível. (…) Eu sei que você só quer uma coisa: recuperar a vida que tinha antes”, acrescentou. “Para alguns de vocês, ficar trancado em casa é uma provação que às vezes provoca uma ansiedade difícil de controlar, tanto para você quanto para suas relações próximas”, disse o presidente.

O governo criou um formulário especial que permitirá aos autistas sair de casa com mais frequência. Contudo, Macron alertou sobre os cuidados que as famílias devem ter, como respeitar o distanciamento de um metro em relação a outras pessoas e a lavar as mãos com frequência, entre outras recomendações sanitárias.

O ator Samuel Le Bihan, presidente-adjunto da associação “Autisme Info Service” e pai de uma menina autista de 8 anos de idade, disse que as famílias têm vivido “situações de grande angústia”. Desde o início do confinamento, a plataforma que ele dirige “tem recebido quatro vezes mais ligações do que no ano todo”. O ator conta que os principais pedidos dos pais de autistas são “poder sair para tomar um pouco de ar fresco e desestressar”.

Centros de atendimento paralisados

Antes da pandemia de coronavírus, crianças e adolescentes autistas, na França, costumavam frequentar unidades do Instituto Médico-Educativo (IME), uma instituição pública que oferece atendimento multidisciplinar durante o dia.

Porém, com a crise sanitária do coronavírus, as atividades foram suspensas. “Tudo o que havia para aliviar as famílias está paralisado”, constata Le Bihan. “Uma criança autista requer muita energia e o fato de não termos mais nenhum descanso torna as coisas muito complicadas”, afirma.

Christine Meignien, presidente da federação “Sesame Autism” disse que a flexibilização anunciada pelo presidente Macron “era aguardada com ansiedade por associações e famílias”.

“Quando você altera os horários de uma pessoa com autismo, gera ansiedade e problemas comportamentais que podem ser extremamente violentos”, explicou Meignien. E completa, “tivemos casos em que equipes de paramédicos tiveram de intervir em crises violentas”.

“Para alguns, o que vai agradá-los é um passeio de carro ou uma caminhada de várias horas a pé. Por isso, dissemos desde o início que precisávamos de permissão para ir a lugares mais distantes do que o quilômetro autorizado perto de casa, para correr ou gritar em uma floresta. Caso contrário, não seria sustentável para as famílias nem para os estabelecimentos”, disse Meignien.

*Com informações da Rádio França Internacional

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