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EUA e Rússia retomarão negociações sobre crise na Ucrânia

As autoridades de Kiev têm pedido aos ocidentais que permaneçam firmes e vigilantes nas negociações com Moscou, mas que não espalhem o pânico na população sobre uma possível invasão

diario da manha

Diplomatas russos e americanos devem se reunir nesta semana em um esforço para diminuir a tensão entre Moscou e aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em virtude da crise na Ucrânia. Nas últimas semanas, o Kremlin enviou mais de 100 mil militares para a fronteira entre os dois países para pressionar Kiev a desistir de aderir à Otan.

Em meio à crise, o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski pediu que os russos abandonem a retórica agressiva e negociem uma saída pacífica para o impasse. Já o Reino Unido declarou que nenhuma resposta está descartada caso os russos entrem em território ucraniano, onde, nos últimos anos, têm fomentado grupos separatistas, além de terem anexado a Península da Crimeia em 2014.

“Temos recebido sinais de que os russos estão interessados em conversar”, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland. “O secretário (Antony) Blinken e o chanceler (Sergei) Lavrov provavelmente conversarão nos próximos dias. Queremos resolver isso diplomaticamente, mas, como Putin não descarta uma invasão, temos de estar preparados para isso também “

No começo de janeiro, negociações entre Lavrov e Blinken fracassaram em Genebra. O Kremlin insiste em obter garantias de que a Ucrânia não entrará na Otan, algo que americanos e europeus não estão dispostos a ceder.

O impasse ocorre porque o líder russo, Vladimir Putin, vê na expansão da Otan rumo a leste uma ameaça à segurança da Rússia. Em diversas oportunidades nos últimos 20 anos, o presidente pressionou a aliança atlântica a interromper a expansão. Desde dezembro, no entanto, Putin tem subido o tom, com ameaças militares explícitas contra a ex-república soviética.

Sanções

No Congresso americano, senadores estão otimistas em um acordo entre democratas e republicanos para punir a Rússia com sanções pesadas. O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o democrata Robert Menendez, acredita que sanções ajudarão a defender a Ucrânia e mandar um recado firme a Putin.

Ainda de acordo com o senador, é provável que o Congresso aprove algum tipo de sanção contra os russos antes mesmo de uma possível invasão. O governo ucraniano, por meio de sua embaixadora nos Estados Unidos, Oksana Marlarova, apoia a iniciativa. “A Rússia já nos invadiu para ocupar a Crimeia em 2014 e, oito anos depois, não mudou seu comportamento. Acreditamos que há bases para essas sanções”, disse.

O governo britânico também fala abertamente em sanções contra a Rússia. “Vamos anunciar ao final desta semana uma melhora na legislação de sanções para que possamos atingir um amplo espectro de interesses russos de importância para o Kremlin”, explicou a ministra das Relações Exteriores britânica, Liz Truss, à emissora Sky News.

Entre as sanções mencionadas, o Reino Unido e os Estados Unidos apontam ao gasoduto estratégico Nord Stream 2 entre a Rússia e a Alemanha ou até mesmo o acesso russo a transações em dólares.

Vários países ocidentais anunciaram nos últimos dias o envio de soldados para o leste da Europa, incluindo os Estados Unidos (que colocou 8.500 militares em alerta para reforçar a Otan) e a França, que deseja enviar várias centenas de soldados na Romênia

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, deve propor na próxima semana à Otan o envio de tropas para responder ao aumento da hostilidade russa contra a Ucrânia. O anúncio foi antecipado pelo secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg.

As autoridades de Kiev têm pedido aos ocidentais que permaneçam firmes e vigilantes nas negociações com Moscou, mas que não espalhem o pânico na população sobre uma possível invasão. (Com agências internacionais).

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