Internacional

Chefe da Otan busca reduzir atritos com Trump antes de cúpula decisiva

Heloysa Camilo - Estágio DM

Publicado em 24 de junho de 2026 às 10:09 | Atualizado há 1 hora

Mark Rutte tenta alinhar posições com Donald Trump antes do encontro de líderes da Otan em julho | Foto: Reprodução/Instagram
Mark Rutte tenta alinhar posições com Donald Trump antes do encontro de líderes da Otan em julho | Foto: Reprodução/Instagram

A poucas semanas da próxima cúpula da Otan, o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, desembarca em Washington para uma reunião considerada estratégica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro ocorre nesta quarta-feira (24) e tem como pano de fundo uma série de divergências recentes entre os americanos e seus aliados europeus.

Entre os principais temas da conversa estão a guerra envolvendo o Irã, a participação da Otan em operações de segurança internacional e a revisão da presença militar dos Estados Unidos no continente europeu.

Nos últimos meses, Trump voltou a elevar o tom contra a organização. O presidente demonstrou insatisfação com a falta de apoio de alguns membros da aliança às ações americanas no Oriente Médio e também criticou o que considera uma dependência excessiva da Europa em relação à proteção militar oferecida por Washington.

A tensão aumentou após o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciar uma análise sobre o posicionamento das tropas americanas na Europa. O estudo poderá resultar na redução do contingente militar norte-americano destacado para a região.

Além disso, os Estados Unidos já diminuíram parte dos recursos militares disponibilizados à Otan em cenários de crise, aumentando a pressão para que os países europeus ampliem suas próprias capacidades de defesa.

Possível redução das tropas americanas na Europa amplia preocupações dentro da aliança militar | Foto: REUTERS


Desde que Trump retornou ao centro do cenário político americano, uma das principais missões de Rutte tem sido preservar a estabilidade da aliança e evitar que desentendimentos se transformem em crises diplomáticas mais profundas.

Especialistas avaliam que a reunião desta semana também servirá como preparação para a cúpula da Otan marcada para os dias 7 e 8 de julho, em Ancara, na Turquia. O encontro reunirá líderes dos países-membros para discutir investimentos militares, produção de equipamentos de defesa e apoio contínuo à Ucrânia.

Recentemente, Trump voltou a questionar publicamente o compromisso dos Estados Unidos com a aliança, reacendendo preocupações sobre uma eventual diminuição do envolvimento americano na segurança europeia.

Em entrevistas recentes, Rutte buscou minimizar os atritos e destacou que diversos países da Otan têm colaborado com operações lideradas pelos EUA, além de ampliar os investimentos em defesa nos últimos anos.

Na última cúpula da organização, os membros concordaram em elevar gradualmente os gastos militares, com a meta de destinar até 5% do Produto Interno Bruto para defesa e áreas relacionadas ao setor ao longo da próxima década.

Apesar dos avanços registrados por alguns governos, ainda existem diferenças significativas entre os países quanto ao ritmo de cumprimento dessas metas, tema que deve voltar ao centro dos debates nas próximas semanas.


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