Conflito esvazia Estreito de Ormuz e paralisa tráfego de petroleiros
Heloysa Camilo - Estágio DM
Publicado em 20 de abril de 2026 às 11:59 | Atualizado há 2 meses
A via marítima, essencial para o transporte global de energia, enfrenta incertezas em meio ao aumento das tensões militares | Foto: Reprodução
O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás, segue com movimentação extremamente reduzida pelo terceiro dia seguido, refletindo o aumento das tensões entre Irã e Estados Unidos.
A situação se agravou após a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã anunciar, no sábado (18), novas restrições à passagem de embarcações. Na ocasião, ao menos 13 navios recuaram e desistiram da travessia, segundo dados da empresa de inteligência marítima Windward. Também houve relatos de ataques: um porta-contêineres foi atingido por disparos e outras duas embarcações informaram terem sido alvo.
Como consequência, nenhum petroleiro foi registrado cruzando o estreito no domingo (19), ainda que especialistas alertem que nem todas as embarcações divulgam sua localização em tempo real.
Nesta segunda-feira (20), a consultoria marítima Ambrey recomendou que navios abortem qualquer tentativa de passagem assim que receberem orientações via rádio, retornando ao ponto de origem. Diversas embarcações comerciais afirmaram ter sido instruídas pela marinha iraniana a não prosseguir.
Apesar do cenário, alguns poucos navios ainda se movimentam na região. Dados do MarineTraffic indicam que três embarcações entraram no estreito nas últimas horas, incluindo dois petroleiros sem carga. Um terceiro navio, o Nova Crest, operado por uma empresa turca e já sancionado por transportar petróleo russo, deixou a área nesta manhã após ter carregado anteriormente em um porto do Iraque.

O impasse tem origem no conflito mais amplo envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Desde o início das hostilidades, em 28 de fevereiro, Teerã passou a restringir o tráfego marítimo, afirmando que a navegação só ocorreria sob supervisão iraniana e mediante pagamento de taxas.
Após tentativas frustradas de negociação, o presidente Donald Trump anunciou medidas para garantir a circulação de navios, incluindo ações envolvendo o Estreito de Ormuz. Em resposta, o Irã ameaçou atacar embarcações militares que cruzassem a região e retaliar contra portos de países vizinhos.
Embora tenha sinalizado uma reabertura após um cessar-fogo relacionado a Israel e Líbano, Teerã voltou atrás dias depois, acusando os Estados Unidos de violarem os termos do acordo, o que contribuiu para a retomada das restrições e o atual cenário de incerteza na região.