Eleição no Brasil vira destaque na França após vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 9 de outubro de 2026 às 09:26 | Atualizado há 2 horas
Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno da eleição presidencial brasileira | Foto: Reprodução
A corrida pela Presidência do Brasil entrou no radar da imprensa francesa nesta sexta-feira (9), com destaque para a movimentação política de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. As análises publicadas na França apontam diferentes caminhos para os candidatos ampliarem suas chances de vitória, depois de uma primeira votação marcada pela vantagem numérica de Flávio.
O resultado também chamou a atenção da rádio Europe 1, que definiu a disputa como “histórica”. O candidato do PL recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos deixou os dois concorrentes em uma disputa acirrada pela preferência do eleitorado.
Apoios políticos e redes sociais entram no centro da disputa
A formação de alianças ganhou espaço na cobertura da France 24. O veículo destacou o apoio de figuras que estiveram em lados diferentes da disputa no primeiro turno, entre elas Ronaldo Caiado, governador de Goiás, Romeu Zema, governador de Minas Gerais, e o escritor Augusto Cury, que também concorreu à Presidência.
A aproximação com esses nomes representa uma tentativa de Flávio Bolsonaro de agregar forças políticas à candidatura e ampliar seu alcance para além dos eleitores que já o apoiavam. A entrada de antigos concorrentes na campanha também pode favorecer o diálogo com diferentes grupos partidários e fortalecer sua articulação em diversas regiões brasileiras.
A movimentação ocorre em paralelo a uma estratégia diferente adotada por Lula. Em análises publicadas pelos jornais Le Figaro e Sud Ouest, os candidatos aparecem com prioridades distintas, com Flávio investindo na ampliação de alianças políticas e o presidente intensificando a presença nas redes sociais para alcançar eleitores indecisos.
Para a Europe 1, um dos principais desafios de Lula é entender o que motivou parte do eleitorado a escolher seu adversário na primeira votação. A identificação das preocupações desse público pode ajudar a campanha petista a ajustar o discurso e direcionar as próximas ações.
Além dos eleitores indecisos, os votos que não foram destinados a nenhum dos dois candidatos no primeiro turno também entram no cálculo eleitoral. A tentativa de atrair quem votou em branco ou nulo, assim como quem não compareceu às urnas, pode ter peso no resultado final.
O cenário apontado pelas pesquisas reforça a disputa pela preferência dos brasileiros. Levantamento do Datafolha divulgado na quinta-feira (8) e mencionado pela France 24 registrou 52% das intenções de voto para Flávio Bolsonaro e 48% para Lula. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os números configuram empate técnico.
Com a disputa restrita aos dois candidatos, a campanha entra em uma fase na qual a capacidade de converter apoios em votos e apresentar propostas ao eleitorado ganha ainda mais importância. Flávio tenta aproveitar a adesão de novas lideranças para fortalecer sua candidatura, enquanto Lula procura ampliar o diálogo com diferentes públicos e recuperar apoio.
A atenção dedicada ao pleito por veículos franceses também evidencia a repercussão internacional da eleição brasileira. Até o segundo turno, as campanhas devem intensificar as negociações políticas e a comunicação com os eleitores, em uma disputa na qual a mobilização de diferentes grupos poderá ser determinante.