EUA preparam novas sanções contra o Irã após Trump prometer “Dia D econômico”
Heloysa Camilo - Estágio DM
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 11:20 | Atualizado há 1 hora
EUA devem anunciar novas sanções contra o Irã | CHARLY TRIBALLEAU / AFP
Os Estados Unidos devem aumentar a pressão econômica sobre o Irã nesta segunda-feira (24). Após o presidente Donald Trump prometer uma ofensiva que classificou como um possível “Dia D econômico”, o governo americano pode anunciar uma nova rodada de sanções contra Teerã.
A expectativa é que o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, apresente os detalhes das medidas em uma coletiva de imprensa prevista para esta segunda. A iniciativa ocorre em meio à escalada do conflito e à ausência de avanços nas tentativas de reduzir as tensões entre os dois países.
Na última semana, Bessent afirmou que Washington pretende impor contra o Irã as sanções mais severas já aplicadas pelos Estados Unidos. Segundo o secretário, o endurecimento econômico poderia reduzir a necessidade de uma nova ofensiva militar de grande escala.
Trump ameaça ampliar guerra econômica
A estratégia de Washington ganhou força depois que Trump falou sobre uma espécie de “guerra econômica” contra o Irã.
O presidente também alertou para possíveis consequências contra outros países que prestarem qualquer tipo de apoio ao governo iraniano, ampliando a pressão diplomática sobre os parceiros comerciais e políticos de Teerã.
A escalada, no entanto, já produz reflexos dentro dos próprios Estados Unidos. Os preços dos combustíveis continuam elevados, enquanto autoridades econômicas demonstram preocupação com os impactos da guerra sobre a inflação americana.
Uma autoridade do Federal Reserve afirmou no domingo (23) que a meta de inflação dos Estados Unidos pode permanecer difícil de ser atingida enquanto o conflito continuar afetando os mercados de energia e o comércio internacional.
Irã ameaça reagir no Estreito de Ormuz
Do lado iraniano, a resposta também tem sido marcada por ameaças e divergências internas.
O chefe de segurança do país afirmou que Teerã pretende “neutralizar a guerra econômica” promovida pelos Estados Unidos. Segundo a mídia estatal iraniana, autoridades também voltaram a ameaçar interromper o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do planeta.
O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, ainda alertou países da região sobre uma possível reação iraniana caso cooperem com os Estados Unidos.
Apesar do discurso mais duro de algumas autoridades, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, indicou no domingo que existem diferentes posições dentro da liderança do país.
Segundo ele, “não é possível continuar em guerra para sempre”, declaração interpretada como um sinal de que parte do governo iraniano busca alternativas para impedir um prolongamento indefinido do conflito.

Tráfego marítimo continua reduzido
A tensão em torno do Estreito de Ormuz continua afetando a circulação de navios comerciais e petroleiros.
O Irã autorizou recentemente a passagem de alguns petroleiros iraquianos, mas o movimento na região permanece abaixo dos níveis habituais. Dados da MarineTraffic indicam que apenas algumas embarcações atravessaram a rota nas últimas 24 horas, incluindo navios-tanque e cargueiros.
Em outra importante passagem marítima da região, o Estreito de Bab-el-Mandeb, o tráfego também segue sendo monitorado diante dos riscos à navegação.
A redução na circulação preocupa os mercados porque essas vias são fundamentais para o transporte internacional de petróleo, gás e mercadorias. Qualquer nova restrição pode aumentar ainda mais a pressão sobre os preços da energia em diferentes partes do mundo.
Paquistão envia chefe do Exército a Teerã
Em meio à escalada, o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, deve chegar a Teerã nesta segunda-feira para reuniões com autoridades iranianas de alto escalão.
A visita ocorre em um momento de intensa movimentação diplomática na região e pode representar mais uma tentativa de diálogo entre governos diretamente afetados pela crise.
Enquanto Washington prepara novas medidas econômicas, Teerã promete reagir e mantém aberta a possibilidade de novas restrições em rotas estratégicas. O anúncio esperado para esta segunda-feira pode, portanto, marcar mais um capítulo na escalada entre Estados Unidos e Irã.