Internacional

Greve geral paralisa Argentina em meio a protestos contra reforma trabalhista

Aline Drumond - Estágio DM

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 16:04 | Atualizado há 5 meses

Manifestantes ocupam as ruas durante greve geral contra a reforma trabalhista na Argentina | Foto: Luis ROBAYO/AFP
Manifestantes ocupam as ruas durante greve geral contra a reforma trabalhista na Argentina | Foto: Luis ROBAYO/AFP

A Argentina viveu um dia de forte paralisação nacional em meio à greve convocada contra a reforma trabalhista defendida pelo presidente Javier Milei. O movimento, articulado pela Confederación General del Trabajo (CGT), reuniu cerca de 13 sindicatos e afetou setores estratégicos da economia, ampliando o clima de tensão política no país.

O impacto mais imediato foi sentido no sistema de transportes. De acordo com o jornal Clarín, desde a meia-noite não houve circulação de trens, metrôs ou voos comerciais em território argentino. Apenas parte das linhas de ônibus manteve operação reduzida. A paralisação também teve reflexos internacionais, com cancelamentos e atrasos em rotas aéreas entre Argentina e Brasil.

O estopim do movimento é o projeto de reforma trabalhista apresentado pelo governo Milei. Entre as mudanças previstas está a ampliação da jornada diária para até 12 horas. A proposta já passou pelo Senado e está prevista para discussão na Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (19), a partir das 14h. A tramitação ocorre sob forte resistência de centrais sindicais e de partidos de oposição.

Além da interrupção de serviços, sindicatos ligados à esquerda e setores kirchneristas organizaram manifestações nas ruas de Buenos Aires e de outras cidades. Os protestos reúnem trabalhadores, estudantes e movimentos sociais contrários à agenda econômica do governo, que inclui cortes de gastos públicos e flexibilizações nas relações de trabalho.

Outro fator que intensificou a mobilização foi o anúncio do encerramento das atividades da fábrica da Fate, considerada a maior fabricante de pneus do país. A empresa informou que cerca de 900 funcionários serão demitidos e atribuiu a decisão ao aumento das importações no mercado argentino. Durante os atos, cartazes e faixas faziam referência à situação dos trabalhadores desligados e ao impacto social do fechamento da unidade.

A combinação entre a reforma trabalhista e a crise no setor industrial ampliou o alcance da greve e evidenciou o embate entre o governo Milei e as centrais sindicais. Enquanto o Executivo sustenta que as mudanças são necessárias para reequilibrar a economia e atrair investimentos, sindicatos afirmam que as medidas representam perda de direitos e precarização das condições de trabalho.


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