Internacional

Guerra no Oriente Médio tem impasse diplomático, ameaças e pressão sobre o petróleo

Aline Drumond - Estágio DM

Publicado em 24 de março de 2026 às 16:43 | Atualizado há 3 meses

Donald Trump sinaliza acordo e anuncia pausa em ataques no conflito | Foto: Getty Images
Donald Trump sinaliza acordo e anuncia pausa em ataques no conflito | Foto: Getty Images

Às vésperas de completar um mês, o conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel segue marcado por versões divergentes sobre possíveis negociações e pela escalada de ameaças militares. Enquanto o ex-presidente Donald Trump tenta sinalizar abertura diplomática, o governo iraniano adota tom mais duro e nega qualquer avanço nas tratativas.

Na última segunda-feira (23), Trump anunciou uma trégua temporária de cinco dias, que incluiria a suspensão de ataques contra infraestruturas energéticas iranianas. O republicano também afirmou que Washington mantém diálogo com uma autoridade relevante do regime de Teerã, sem envolver diretamente o líder supremo, identificado por ele como Mojtaba Khamenei.

Segundo Trump, há interesse mútuo em um acordo. “Eles querem muito um acordo. Nós também gostaríamos de um”, declarou. Ainda assim, as falas são contestadas pelo Irã, que acusa os Estados Unidos de adotarem uma estratégia para ganhar tempo e influenciar o mercado global de energia.

Discursos opostos ampliam incerteza

Apesar das declarações de caráter conciliador por parte de Washington, Teerã rejeita publicamente a existência de negociações em curso. Autoridades iranianas interpretam a pausa nas ofensivas como resultado de pressões econômicas e também como reflexo das próprias ameaças militares feitas pelo país.

O impasse mantém a região em estado de alerta, com a continuidade de confrontos indiretos e sem perspectiva concreta de cessar-fogo. Ao mesmo tempo, ao menos 22 países já se manifestaram em conjunto pedindo garantias para a segurança da navegação no Golfo Pérsico, evidenciando a preocupação internacional com a escalada.

Estreito estratégico vira ponto central da crise

O Estreito de Ormuz voltou ao centro da disputa geopolítica. Considerado uma das rotas mais estratégicas do mundo, o local é responsável pelo escoamento de cerca de 20% do petróleo global.

Trump afirmou que, em caso de acordo, a passagem poderia ser reaberta imediatamente sob um modelo de controle conjunto. Em contrapartida, o governo iraniano advertiu que poderá fechar completamente o estreito caso haja novos ataques norte-americanos a instalações energéticas.

A ameaça foi reforçada pelo comando militar iraniano, que condiciona a reabertura da rota à reconstrução de estruturas atingidas. Porta-vozes das Forças Armadas também alertaram para possíveis retaliações diretas a interesses dos Estados Unidos na região.

Conflito entra em nova fase de escalada

A atual crise se intensificou após ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel, no fim de fevereiro, que resultou na morte do então líder supremo iraniano, Ali Khamenei. Desde então, o cenário tem sido marcado por uma sequência de ameaças, movimentações militares e aumento da tensão diplomática.

Nos últimos dias, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, indicou que novas operações devem ser ampliadas, com foco em alvos estratégicos iranianos. Do lado iraniano, o tom também subiu. O oficial da Guarda Revolucionária Mohsen Rezaee afirmou que qualquer ataque será respondido de forma ampliada.

“Não será mais olho por olho”, declarou, ao sugerir uma reação mais dura caso os Estados Unidos avancem sobre instalações do país.

Pressão sobre energia afeta economia global

Enquanto o impasse diplomático persiste, os reflexos econômicos já são sentidos em escala global. As ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz têm pressionado o mercado internacional de petróleo, elevando preços e aumentando a volatilidade.

A região é responsável por uma parcela significativa do fornecimento mundial de energia, incluindo cerca de 25% do gás natural exportado. Países como China, Índia, Japão e Coreia do Sul estão entre os principais dependentes da rota.

Com a continuidade das tensões, cresce o risco de agravamento da crise energética, impactando diretamente o custo dos combustíveis e ampliando os efeitos sobre a economia internacional.


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia