Incêndio em boate na Tailândia deixa 30 mortos
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 14 de julho de 2026 às 10:19 | Atualizado há 15 minutos
Peritos investigam o bar atingido pelo incêndio em Bancoc enquanto familiares aguardam a identificação das vítimas | Foto: AthitPerawongmetha/Reuters
O número de mortos devido a um incêndio que atingiu um bar de Bancoc, capital da Tailândia, subiu para 30, informaram as autoridades nesta terça-feira (14), enquanto familiares das vítimas ainda aguardam a identificação de alguns dos corpos.
A polícia investiga possíveis negligências e falhas no cumprimento das normas de segurança que levaram à tragédia, e o governador de Bancoc, Chadchart Sittipunt, prometeu reforçar a fiscalização de estabelecimentos noturnos.
O episódio ocorreu na madrugada de segunda-feira (13) no horário local, e 27 pessoas foram declaradas mortas ainda no mesmo dia. Três pessoas que estavam hospitalizadas morreram posteriormente. Ao todo, 75 pessoas ficaram feridas, sendo que 24 permanecem em estado crítico.
Bar havia passado por inspeção

O bar Rong Beer Na Lat Phrao, localizado em um cruzamento movimentado próximo a estações de trem e a dois shopping centers, faz parte de um conjunto de bares que costumam ficar lotados nas noites de fim de semana, com música ao vivo e transmissões de partidas de futebol.
As autoridades afirmam que um curto-circuito em um aparelho de ar-condicionado instalado no teto pode ter provocado o incêndio. O estabelecimento havia passado por uma inspeção de segurança em abril.
A polícia investiga se as saídas de emergência estavam obstruídas e se materiais inflamáveis foram utilizados na decoração do palco e no isolamento acústico. Segundo o chefe da Polícia Nacional, Kittiratt Phanphet, a negligência é a principal linha de investigação.
“Montamos um comitê para investigar o que realmente aconteceu, identificar o que precisa ser melhorado e quais regras devem ser alteradas”, disse o governador de Bancoc, Chadchart Sittipunt, a jornalistas nesta terça-feira. “Faremos mais inspeções aleatórias.”
A polícia informou que 34 pessoas já foram ouvidas e que possíveis acusações serão analisadas após a conclusão da coleta de fatos e provas. O proprietário do pub está entre os internados em uma unidade de terapia intensiva (UTI).
Familiares aguardam identificação das vítimas
No necrotério do Hospital Geral da Polícia, familiares e amigos chegavam para reconhecer e retirar os corpos de seus entes. Booyaporn Sermsiri, 51, estava no local à procura de sua filha de 25 anos, Jawaee Sermsiri, que continua desaparecida.
“Como ainda não a encontramos, só nos resta esperar. Nos agarramos à esperança”, disse.
Sermsiri disse que forneceu uma amostra de DNA e aguarda os resultados dos exames. Três vítimas ainda não foram identificadas, segundo as autoridades.
Em frente ao Rong Beer Na Lat Phrao, familiares lamentavam a morte de seus entes enquanto peritos recolhiam evidências no local. Em sua página nas redes sociais, o bar publicou um pedido de desculpas pelo incêndio e afirmou estar colaborando plenamente com as investigações.

Investigação apura falhas nas saídas de emergência
Com base nos relatos de sobreviventes, as autoridades acreditam que o incêndio começou na área do palco e se espalhou de forma rápida, levando muitas pessoas a fugir para o fundo, em direção aos banheiros. Segundo a polícia, a maioria dos corpos foi encontrada nessa área.
A situação lembra o que ocorreu no incêndio da Boate Kiss. Para se proteger da fumaça ou achar a saída, muitos jovens acabaram encurralados nos banheiros, único local onde uma luz de emergência permaneceu acesa.
A polícia da Tailândia investiga se as saídas de emergência eram acessíveis. Segundo uma autoridade, uma delas estava bloqueada por uma estante, permitindo a passagem de apenas uma pessoa por vez. Os investigadores também analisam a instalação elétrica do prédio, que tem cerca de 50 anos.
Durante uma inspeção no bar, um funcionário informou que uma porta que antes servia como saída de emergência havia sido trancada com ferrolho porque o proprietário temia que clientes deixassem o local sem pagar.
A porta podia ser aberta para o lado de fora, mas estava identificada como “somente funcionários”, o que, segundo autoridades, provavelmente impediu que fosse usada durante a fuga.