Internacional

Papa agradece as orações por sua saúde e fala da solidão dos enfermos

Redação DM

Publicado em 3 de abril de 2023 às 18:21 | Atualizado há 3 anos

O Papa Francisco, hospitalizado semana passada com bronquite, agradeceu aos fiéis pelas orações pela sua saúde depois de presidir a missa de Ramos neste domingo (2) na Praça de São Pedro. “Agradeço a vossa participação e também as vossas orações, que se intensificaram nestes últimos dias. Obrigado, muito obrigado!”, disse à multidão o pontífice argentino de 86 anos, apenas um dia depois de receber alta do hospital romano onde esteve internado por três dias.

A saúde do pontífice latino-americano gerou preocupação em todo o mundo após apresentar dificuldades respiratórias na quarta-feira.

Em sua primeira aparição pública para uma cerimônia oficial, Francisco estava pálido e durante sua homilia sua voz estava um tanto rouca.

O papa entrou na imensa esplanada no papamóvel para a missa que marca o início da Semana Santa e à qual se temia que não pudesse comparecer por motivos de saúde.

Com o semblante sério e vestido com uma batina branca, acenou às 60 mil pessoas, segundo dados oficiais, que assistiram à cerimônia sob um céu azul e ventoso.

“Ainda estou vivo” 

De pé no obelisco central da praça, ele primeiro abençoou milhares de ramos de oliveira e palmeira, um ritual em memória da entrada de Jesus Cristo em Jerusalém.

Durante a homilia, denunciou a solidão dos enfermos, entre os vários temas que abordou ao falar dos abandonados. “Há também muitos cristos abandonados invisíveis, escondidos, que são descartados de forma ‘elegante’: crianças nascituras, idosos deixados sozinhos, doentes não visitados, pessoas portadoras de deficiência ignoradas, jovens que sentem dentro um grande vazio sem que ninguém escute verdadeiramente o seu grito de dor”, enfatizou.

Ao final da cerimônia, Francisco percorreu a praça em seu papamóvel, desta vez sorrindo, para saudar os fiéis.

O papa recebeu alta sábado (1) para poder presidir as cerimônias da semana mais significativa da Igreja Católica, que comemora a morte e ressurreição de Cristo segundo os relatos evangélicos.

As celebrações continuarão até a missa de Páscoa no domingo, 9 de abril. Tal como outras ocasiões e porque utiliza cadeira de rodas devido a dores no joelho, Francisco apenas presidirá às cerimônias.

Francisco está determinado a cumprir sua agenda de trabalho e fez questão de mostrar ao mundo que está recuperado. “Ainda estou vivo”, brincou ele aos fiéis e jornalistas ao deixar o hospital Gemelli, em Roma.

Semana exaustiva 

Um de seus colegas cardeais, Leonardo Sandri, vice-reitor do colégio cardinalício, que está prestes a completar 80 anos, o substituiu para a missa do altar.

A missa deste domingo abre uma exaustiva semana para o idoso pontífice, que inclui a missa “In Coena Domini” na Quinta-feira Santa no centro para menores Casal del Marmo, em Roma.

O porta-voz do papa, Matteo Bruni, anunciou que a missa naquela instituição será celebrada “privativamente”, em horário ainda a ser definido.

Quando era arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio costumava visitar as prisões na Quinta-feira Santa e ali praticar o rito de lavar os pés dos pobres, marginalizados e sem teto.

Para a Via Sacra noturna da Sexta-feira Santa no Coliseu Romano, que costuma ser frequentada por fiéis e turistas de todo o mundo, ainda não se sabe a programação.

A confirmar-se a sua evolução favorável, é provável que no Domingo de Páscoa, por ocasião da bênção “Urbi et Orbi” à cidade e ao mundo, o papa apareça na varanda central da Basílica de São Pedro para ler a tradicional mensagem sobre os problemas do mundo.

Pontífice diz que Lula foi condenado injustamente e elogia Dilma

O Papa Francisco disse, em entrevista à rede argentina C5N, quinta-feira (30), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi condenado injustamente e que a ex-presidente Dilma Rousseff tem “mãos limpas” e é uma “mulher excelente”. As declarações ocorreram após o pontífice ser questionado sobre o termo “lawfare”, que se refere à manipulação de leis para promover uma perseguição política.

“Deve-se impedir que determinada pessoa chegue a um cargo. Então, o pessoal o desqualifica e metem a suspeita de um crime. Faz-se todo um sumário, um sumário enorme. Para condenar, basta o tamanho desse sumário. ‘Onde está o crime aqui?’ Assim condenaram Lula”, afirmou o papa, que recebeu alta sábado (1º), após ficar internado devido a uma bronquite.

“Às vezes, a fumaça do crime te leva ao fogo e outras vezes é uma fumaça que se perde porque não há fundamento”, acrescentou o líder da igreja católica. No ano passado, o Papa Francisco afirmou ao jornal espanhol ABC que o julgamento que levou Lula à prisão começou com fake news. “Um julgamento tem que ser o mais limpo possível, com tribunais que não têm outro interesse senão fazer justiça. Esse caso do Brasil é histórico”, disse à época.

Em abril de 2018, Lula foi preso sob acusação de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP). Em novembro de 2019, após 580 dias detido na sede da Superintendência da Polícia Federal do Paraná, ele foi solto. No ano de 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações do ex-presidente na Lava Jato baseado nos entendimentos do magistrado de que o então juiz Sergio Moro foi parcial no processo e de que os casos tramitaram fora da jurisdição correta. Com isso, o petista se tornou elegível para disputar o pleito de 2022. 

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