Presidente do México aponta tentativa de interferência estrangeira nas eleições brasileiras
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 7 de outubro de 2026 às 11:56 | Atualizado há 1 hora
Claudia Sheinbaum comentou as denúncias de possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras | Foto: REUTERS/Henry Romero
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou na última segunda-feira (5) que a direita internacional tenta interferir nas eleições brasileiras. A declaração ocorreu durante a entrevista coletiva matinal do governo mexicano, um dia após o primeiro turno da disputa presidencial no Brasil.
Sheinbaum foi questionada sobre as denúncias de uma possível interferência dos Estados Unidos em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ao responder, afirmou que existe uma tentativa de atuação externa e disse que esse tipo de interferência já vem sendo denunciado.
A presidente mexicana, entretanto, evitou avaliar diretamente o resultado da votação brasileira. Ela defendeu que é necessário esperar o segundo turno antes de analisar o desfecho da disputa.
O primeiro turno terminou com Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), levando os dois candidatos para a segunda etapa da eleição.
A declaração de Sheinbaum ocorre enquanto autoridades brasileiras apuram uma possível interferência estrangeira no processo eleitoral. No último domingo (4), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou que a corporação abriu uma investigação para verificar a suspeita de atuação dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.
A apuração começou após uma representação encaminhada pela Advocacia-Geral da União (AGU). Segundo Rodrigues, o caso ainda precisa ser analisado para verificar a existência de elementos que sustentem a suspeita.
TSE diz não ter identificado interferência estrangeira
A investigação da Polícia Federal não significa que uma interferência internacional tenha sido comprovada. Também no domingo, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, afirmou que não havia nenhum indicativo concreto de atuação estrangeira capaz de ameaçar o pleito.
De acordo com o ministro, os relatórios produzidos pelo TSE, pela Polícia Federal e pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não apontavam ameaças relacionadas à segurança das eleições.
O assunto ganhou força depois que Estados Unidos e Austrália suspenderam serviços consulares no Brasil por questões de segurança. A medida ocorreu no mesmo dia do primeiro turno.
Nunes Marques afirmou que suspensões desse tipo já ocorreram em outros países durante períodos eleitorais considerados polarizados e ressaltou que, até aquele momento, não havia elementos que indicassem uma ameaça estrangeira ao processo eleitoral brasileiro.
Durante a coletiva, Sheinbaum também foi questionada sobre o avanço da direita na América Latina após o primeiro turno brasileiro e sobre uma possível mudança do eleitorado da região em direção a candidatos conservadores.
Ela preferiu não fazer uma avaliação sobre o cenário político de outros países. A presidente mexicana afirmou que não poderia opinar sobre as eleições do Brasil, da Bolívia ou da Argentina e que sua análise estaria restrita ao México.
Na sequência, Sheinbaum apresentou sua visão sobre a direita. Para ela, esse campo político não representa os interesses da população e está associado à defesa de interesses econômicos, além de questões como racismo e desigualdade.
A presidente mexicana também relacionou setores conservadores ao autoritarismo e à violência. Ao falar sobre o próprio país, comparou grupos da direita mexicana ao porfiriato, período histórico marcado pelo longo governo de Porfirio Díaz.