Protestos na França deixa um morto e 2.400 pessoas detidas
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 18 de outubro de 2026 às 16:58 | Atualizado há 1 hora
Manifestações na França terminaram em confrontos, saques e ataques a prédios públicos em diversas cidades do país | Foto: Muhammed Said Tako/Anadolu via Getty Images
A França amanheceu sob o impacto de um dos dias de maior violência em anos, após protestos contra a alta dos preços e a deterioração dos serviços públicos deixarem um manifestante morto, centenas de policiais feridos e quase 2.400 pessoas detidas.
Manifestações realizadas em todo o país no sábado (17) evoluíram para confrontos e episódios de vandalismo. Uma prefeitura foi incendiada, lojas foram saqueadas e prédios foram pichados, enquanto grupos violentos entraram em confronto com a polícia em cidades de diferentes regiões.
Um manifestante morreu após sofrer uma parada cardíaca durante os protestos em Paris, onde a polícia realizou um recorde de 855 prisões. Em todo o país, mais de 1.000 agentes ficaram feridos, segundo o ministro do Interior, Laurent Núñez.
Mais de 500 mil pessoas participaram de marchas em dezenas de cidades, em uma mobilização que marcou a convergência de um movimento estudantil iniciado há cerca de um mês com um descontentamento social mais amplo provocado pelo aumento do custo de vida e pela deterioração dos serviços públicos.
O presidente Emmanuel Macron fará um pronunciamento à nação às 20h deste domingo (15h no horário de Brasília), segundo seu gabinete.
Trump atribui violência à imigração

Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu neste domingo (18) à imigração a onda de violência que atingiu a França e defendeu que o país endureça suas regras migratórias.
“A França está em chamas! A imigração de pessoas de um mundo completamente diferente, pessoas com ódio no coração, destruiu aquele país que um dia foi grande”, escreveu Trump em sua rede social, Truth Social. “Fechem suas fronteiras e retomem o controle, antes que seja tarde demais!”
Enquanto centenas de milhares de pessoas protestaram pacificamente, grupos violentos atacaram prédios públicos, saquearam lojas de luxo e supermercados e investiram contra veículos e agentes policiais.
Prédios públicos e lojas são alvo de ataques

Uma grande operação de limpeza começou em cidades de Lille, no norte, a Marselha, no sul, e de Estrasburgo, no leste, a Bordeaux, no sudoeste, onde uma multidão mascarada invadiu a residência do prefeito local.
O ministro do Interior disse que centenas de estabelecimentos comerciais foram danificados no sábado.
Em Limoges, no sudoeste do país, o prefeito Guillaume Guerin condenou o caos depois que a prefeitura, de 143 anos, foi incendiada e parcialmente destruída em um ataque criminoso. “Havia uma intenção clara e premeditada de incendiar a prefeitura, e as pessoas que estavam lá dentro temeram por suas vidas”, disse Guerin à Reuters. Ele ameaçou renunciar caso a cidade não receba o dinheiro necessário para reparar o prédio.
O prefeito de Bordeaux, Thomas Cazenave, disse que cem lojas foram saqueadas na cidade. Em Marselha, o prefeito Benoît Payan anunciou uma ajuda financeira emergencial aos estabelecimentos afetados pela violência.
O presidente-executivo do Carrefour, Alexandre Bompard, afirmou à BFMTV que 50 lojas da rede foram danificadas, 20 delas saqueadas. Segundo ele, os prejuízos provocados pelos ataques chegam a dezenas de milhões de euros.
Violência aumenta pressão sobre Macron

A onda de violência aumentou a pressão sobre Macron e seu governo, meses antes da eleição presidencial prevista para o próximo ano. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu atribuiu os episódios à “extrema esquerda” e a criminosos.
O ministro da Economia, Roland Lescure, prometeu neste domingo apoio aos comerciantes que tiveram prejuízos. “Quem quebra vai pagar, reparar os danos e responder por sua intenção de semear o caos”, afirmou em nota.
Os protestos começaram no mês passado por causa das condições das escolas e da falta de professores em bairros populares, mas se transformaram em um movimento mais amplo contra a desigualdade, os cortes de gastos públicos e o aumento do custo de vida.