Rei Charles III pode retirar títulos de príncipe e duque do seu irmão
Gabriel Maia - Estágio DM
Publicado em 31 de outubro de 2025 às 10:46 | Atualizado há 9 meses
O rei também notificou Andrew com um pedido para que deixe a residência Royal Lodge | Foto: Toby Melville/Reuters
Nesta última quinta-feira, 30, o rei Charles III deu início ao processo oficial para retirar o título de Duque de Iorque do próprio irmão, o príncipe Andrew. Segundo o Palácio de Buckingham, o rei também notificou Andrew com um pedido para que deixe a residência Royal Lodge, mansão onde vive desde 2003, e busque uma moradia privada.
As medidas foram adotadas após os escândalos sexuais envolvendo o príncipe e sua ligação com o empresário e criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, que morreu em 2019 na prisão Metropolitan Correctional Center (MCC), em Manhattan, por suicídio.
No dia 17, o Palácio informou que Andrew havia concordado em renunciar a alguns de seus títulos reais, incluindo o de duque, embora ainda não estivesse claro se ele abriria mão também do título de príncipe.
Veja na íntegra o comunicado:
Sua Majestade iniciou hoje um processo formal para a revogação do Estilo, Títulos e Honrarias do Príncipe Andrew.
Seu contrato de arrendamento da Royal Lodge, até o momento, lhe conferiu proteção legal para continuar residindo no local. A notificação formal para a rescisão do contrato foi agora entregue, e ele se mudará para uma residência particular alternativa. Essas medidas são consideradas necessárias, apesar de ele continuar negando as acusações contra ele.
Suas Majestades desejam deixar claro que seus pensamentos e mais profundas condolências estiveram, e continuarão, com as vítimas e sobreviventes de todas as formas de abuso.
Escândalos
Andrew foi acusado por Virginia Giuffre de estupro. Ela foi uma das principais figuras nos casos ligados a Epstein e à sua ex-parceira Ghislaine Maxwell. Virginia morreu em abril deste ano em sua casa na cidade de Neergabby, na Austrália Ocidental. Ela e o ex-príncipe se conheceram por meio de Epstein e chegaram a ser fotografados juntos quando ela tinha apenas 17 anos.
Em dezembro do ano passado, o nome do príncipe voltou a ser citado em um novo escândalo, desta vez envolvendo um suposto espião chinês. O empresário identificado como Yang Tengbo, também conhecido como Chris Yang, teria desenvolvido uma relação de confiança com o Duque.

Yang, foi acusado de ter ligações com o Partido Comunista Chinês e de participar de uma operação conhecida como captura de elites, usada para aproximar autoridades e empresários ocidentais de interesses políticos chineses.
Em 2023, o tribunal determinou a proibição de sua entrada no Reino Unido, decisão que ele ainda tenta reverter. O empresário negou qualquer envolvimento com espionagem e afirmou ser vítima de perseguição política. Segundo ele, seu trabalho sempre foi voltado ao fortalecimento das relações comerciais entre o Reino Unido e a China, tendo colaborado para investimentos bilionários.
Yang teria comparecido ao aniversário do príncipe Andrew em 2020 e recebido autorização para tratar de temas relacionados a investimentos em nome do príncipe. Durante as investigações, foi encontrada uma carta em que um assessor de Andrew mencionava formas de facilitar o acesso de convidados à residência real em Windsor sem chamar atenção.
Após as acusações, o Palácio de Buckingham informou que o Duque rompeu completamente o contato com o empresário assim que as suspeitas vieram à tona. Andrew declarou que todos os encontros sempre ocorreram de forma oficial.
O episódio provocou preocupação entre autoridades britânicas, que alertaram para o risco de infiltrações e influência estrangeira em figuras públicas do país.