Internacional

Sánchez avalia antecipar eleições após derrota no Congresso

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 2 de outubro de 2026 às 14:44 | Atualizado há 46 minutos

Pedro Sánchez avalia antecipar eleições após derrotas de medidas sobre habitação no Congresso | Foto: Reprodução/Redes Sociais
Pedro Sánchez avalia antecipar eleições após derrotas de medidas sobre habitação no Congresso | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha, estuda convocar novas eleições no país após ver dois decretos de seu governo para a área de habitação derrotados no Congresso, nesta sexta-feira (2). Madri, que vive severa crise imobiliária, como diversas outras grandes cidades da Europa, é palco de uma onda de protestos após o despejo de uma octogenária, na semana passada.

Medidas elaboradas pelo governo

As medidas elaboradas por Sánchez incluíam a proibição de despejos de inquilinos vulneráveis até 2030, a prorrogação do congelamento do aluguel por dois anos para contratos já em vigor e regras mais rígidas para locações de curto prazo.

Para a oposição, o pacote não tinha capacidade de resolver o problema e ainda restringiria o mercado imobiliário espanhol. O bloco ganhou a adesão do Junts, partido separatista catalão, um aliado infrequente do gabinete de Sánchez, que trabalha em minoria no Congresso.

O premiê chegou a fazer um apelo de última hora para os congressistas, pedindo que deixassem de lado cálculos políticos. Quem os faz agora é o socialista, a partir do clamor popular nas ruas.

Protestos em Madri

Manifestantes acampam contra a crise de moradia na Praça do Sol, em Madri | Foto: Thomas Coex/AFP

O acampamento na Puerta del Sol, o marco zero de Madri, transformou-se em símbolo do movimento. O protesto, que começou no sábado (26), vem atraindo cada vez mais adeptos. Segundo o Sindicato dos Inquilinos, um dos organizadores, já há mais de 1.200 tendas registradas no local.

Os manifestantes haviam afirmado que não sairiam do local até a aprovação dos “decretos Maricarmen”, assim conhecidos devido a Maricarmen Abascal, 87. Na quarta-feira (23), as cenas da polícia retirando-a de maca do apartamento em que viveu por sete décadas correram o mundo e detonaram o movimento.

Uma multidão do lado de fora acompanhou a votação no Congresso, nesta sexta-feira (2). Protestos devem se espalhar pelo país no fim de semana. “O acampamento vai continuar e seguirá se expandindo para outros bairros. Nosso objetivo é uma greve geral”, afirmou a porta-voz do Sindicato dos Inquilinos, Alicia del Rio.

Governo avalia antecipar eleições

Aliados do governo ouvidos pelo jornal El País afirmam que Sánchez está fazendo consultas a ministros e a integrantes do PSOE, o Partido Socialista, sobre a conveniência de antecipar as eleições, que precisam ocorrer até agosto de 2027. Seu governo está em baixa nas pesquisas após uma série de escândalos e a invasão de Ceuta, exclave espanhol no Marrocos, por 70 mil imigrantes ilegais, em julho.

Ao mesmo tempo, a convocação do pleito neste momento pode render frutos eleitorais diante da insatisfação popular com o Congresso. A coalizão de Sánchez tem 147 dos 350 assentos da Casa e depende de partidos pequenos, como o Junts, para aprovar projetos.

“A moradia não se torna mais acessível por meio de decretos. Ela se torna mais acessível com a construção de mais casas. Não vamos mentir para vocês, não vai ser fácil e não vai acontecer rapidamente”, afirmou Juan Bravo, deputado do conservador Partido Popular.

Nas ruas da capital espanhola, um dos cânticos servia como resposta. “Su negocio, nuestra miseria.” (José Henrique Mariante/FOLHAPRESS)


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