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Satélite espião dos EUA se fragmenta em órbita após quase quatro décadas

Heloysa Camilo - Estágio DM

Publicado em 29 de setembro de 2026 às 09:57 | Atualizado há 49 minutos

Satélite espião dos EUA se fragmenta em órbita | Foto: Nasa
Satélite espião dos EUA se fragmenta em órbita | Foto: Nasa

Um antigo satélite de inteligência dos Estados Unidos se rompeu em órbita e deu origem a novos fragmentos de lixo espacial. O USA 32, que permaneceu no espaço por mais de 38 anos, teve a fragmentação registrada em 13 de setembro, segundo a S4S (Space Forces–Space).

Os destroços identificados passaram a ser acompanhados pelas autoridades americanas, que avaliam possíveis aproximações com outros objetos em órbita. Até o momento, não foram apontadas ameaças imediatas decorrentes do episódio.

O equipamento foi lançado em 5 de setembro de 1988 e era operado pelo Escritório Nacional de Reconhecimento dos EUA (NRO). O satélite integrava uma geração de sistemas de inteligência de sinais desenvolvidos durante a Guerra Fria e também era conhecido pelo nome Farrah III, em uma referência à atriz americana Farrah Fawcett.

Durante sua operação, o USA 32 era utilizado para interceptar transmissões de radar e rádio soviéticas. O sistema também tinha capacidade de localizar emissores específicos e identificar sinais empregados por forças militares. A missão permaneceu em sigilo por décadas e só foi desclassificada no início de 2025.

Embora tivesse uma vida útil estimada em apenas quatro anos, o satélite continuou em órbita mesmo depois do fim de sua missão. O equipamento ficou inativo durante décadas, até a recente fragmentação.

A razão para o rompimento ainda não foi esclarecida. Entre as possibilidades levantadas estão a deterioração natural de componentes após décadas expostos às condições extremas do espaço, uma eventual ruptura de combustível residual armazenado em tanque pressurizado ou de uma bateria antiga.

Também existe a hipótese de uma colisão com um pequeno meteoroide ou outro objeto espacial. Não há, porém, indicação de que a fragmentação tenha sido provocada deliberadamente ou por uma arma antissatélite.

O USA 32 estava a uma altitude estimada entre 773 e 780 quilômetros. Objetos nessa faixa podem permanecer no espaço por décadas antes de retornar à atmosfera, o que aumenta a preocupação com a quantidade crescente de detritos em órbita.

Dados da plataforma Orbital Radar indicavam que mais de 2 mil fragmentos de detritos ou partes de foguetes já eram monitorados em uma faixa de 50 quilômetros acima ou abaixo da altitude média em que o satélite operava.

Nova disputa no espaço

A fragmentação ocorre em um momento de aumento das tensões relacionadas ao uso militar do espaço. Em setembro, o secretário da Força Aérea americana, Troy Meink, confirmou publicamente que os Estados Unidos haviam colocado armas em órbita.

Meink não revelou quais equipamentos foram enviados nem informou quando eles teriam sido posicionados no espaço. O reconhecimento marcou a primeira confirmação pública dessas capacidades pelos EUA.

A Força Espacial americana foi criada em 2019, durante o primeiro governo de Donald Trump, como parte da estrutura da Força Aérea. Desde então, Washington tem destacado a necessidade de ampliar suas capacidades defensivas diante dos avanços espaciais e contraespaciais de Rússia e China.

Em declarações oficiais, a Força Espacial dos EUA afirma que a China desenvolve recursos espaciais e contraespaciais como parte de sua modernização militar. Sobre a Rússia, a instituição afirma que Moscou considera o espaço um possível cenário de guerra e atribui importância estratégica à superioridade nesse domínio.

Autoridades militares americanas também vêm citando atividades de Rússia e China como exemplos do desenvolvimento de capacidades que poderiam ser utilizadas em conflitos futuros. Entre os casos mencionados estão exercícios russos envolvendo satélites e o desenvolvimento chinês de tecnologias de mísseis hipersônicos com capacidade de realizar trajetórias orbitais parciais.

O episódio envolvendo o USA 32, portanto, adiciona mais fragmentos à região orbital em um período de crescente atividade militar e tecnológica no espaço.

Documentos desclassificados dos EUA revelaram projeto do satélite que explodiu 38 anos depois | Foto: National Reconnaissance Office




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