Singapura cria pagamento em dinheiro para quem largar o celular e ler 15 minutos por dia
Redação Online
Publicado em 17 de setembro de 2026 às 23:49 | Atualizado há 55 minutos
Singapura cria pagamento em dinheiro para quem largar o celular e ler 15 minutos por dia | Foto: Reprodução
Quem largar o celular por 15 minutos para se dedicar à leitura passa a ter direito a uma recompensa em dinheiro em Singapura. A regra vale desde este mês, saiu do Conselho da Biblioteca Nacional e integra um programa de cinco anos desenhado para recuperar a atenção de uma população hiperconectada, hoje disputada por algoritmos de vídeo curto e rolagem infinita. O mecanismo é digital e depende de autodeclaração. Cada participante informa no portal da campanha quanto tempo passou diante de um livro, recebe moedas virtuais e troca o saldo por um valor simbólico.
Nada disso exige aplicativo próprio ou leitor específico. Livro de papel, e-book ou empréstimo de biblioteca valem igual, desde que o tempo seja lançado no site oficial, que tem trava para impedir acúmulo artificial de pontos. A regra do jogo é esta: o tempo mínimo é de 15 minutos em uma única sessão; o registro é de um lançamento por dia no site do governo; o ganho por sessão é de 20 moedas virtuais; a meta de resgate é de 1.000 moedas virtuais; o tempo até o saque é de 50 dias de sessões válidas; e o valor recebido é de 1 dólar de Singapura, ou US$ 0,80, cerca de R$ 4.
A disputa que o programa tenta arbitrar é por atenção. Redes velozes, notificações constantes e um catálogo infinito de vídeos curtos transformaram o smartphone no principal ocupante das brechas ociosas do dia, as mesmas que antes cabiam a um livro. Para a chefe da biblioteca nacional, Melissa Tam, o problema não é o conteúdo rápido, mas o que ele substitui. “A leitura de textos longos fortalece a atenção, o pensamento crítico e a imaginação”, resumiu Tam em comunicado.
A meta diária de 15 minutos foi calibrada para caber em espaços que já existem na rotina, como o trajeto de ônibus ou os minutos antes de dormir, sem exigir reorganização de agenda. Singapura, no entanto, não tem problema de desempenho escolar. No PISA mais recente, o país liderou o ranking mundial de leitura com 535 pontos. O temor local é que o gosto pela leitura suma quando as provas ganham peso e o livro vira apenas ferramenta de aprovação até o fim do ensino médio.
Dentro da cidade-estado, a proposta rendeu discussão imediata. Os argumentos se dividem entre quem enxerga oportunismo na recompensa e quem considera qualquer estímulo melhor do que nada diante da concorrência dos algoritmos. “Prefiro ver as pessoas lendo e perdendo a parada do trem ou do ônibus a ouvir o som constante do TikTok”, resumiu à CNN Charmaine Lim, criadora de conteúdo sobre livros. Já a psicóloga clínica Charissa Ng pondera que o incentivo em dinheiro funciona melhor com quem já gosta de ler do que com quem nunca chegou a criar o hábito.