Tragédia no Himalaia já afeta mais de 90 mil pessoas e mortes passam de 550
Heloysa Camilo - Estágio DM
Publicado em 28 de agosto de 2026 às 10:13 | Atualizado há 21 minutos
Mais de 90 mil pessoas foram afetadas pelas enchentes e deslizamentos | Foto: PRABIN RANABHAT/AFP
A tragédia provocada por enchentes repentinas e deslizamentos de terra na região do Himalaia já atingiu mais de 90 mil pessoas, segundo um novo boletim divulgado pela Cruz Vermelha nesta sexta-feira (28).
O desastre, que atingiu áreas próximas à fronteira entre Nepal e China no início da semana, deixou um cenário de destruição e mantém as autoridades em uma corrida contra o tempo. Até o momento, mais de 550 mortes foram confirmadas, enquanto o número de vítimas ainda pode aumentar à medida que equipes conseguem alcançar regiões isoladas.
Outro dado que preocupa as autoridades é o número de desaparecidos. Quase 1.500 pessoas continuam sem ser localizadas, e o acesso a algumas comunidades remotas permanece extremamente difícil devido à destruição de estradas e ao risco de novos deslizamentos.
Resgates foram interrompidos por risco de nova enchente
As operações de busca enfrentaram um novo obstáculo entre quinta-feira (27) e sexta-feira (28). O rompimento das margens de um lago provocou o transbordamento da água e obrigou equipes de emergência a interromper temporariamente os trabalhos.
O episódio aumentou o temor de uma nova inundação repentina em áreas que já haviam sido devastadas pelo desastre inicial.
“Estamos, naturalmente, muito preocupados com uma inundação secundária”, afirmou David Fisher, chefe da delegação da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho no Nepal.
Apesar da preocupação, autoridades nepalesas e chinesas informaram posteriormente que o risco imediato começou a diminuir com o escoamento gradual da água. Ainda assim, a situação segue sendo monitorada, especialmente diante da instabilidade do terreno e das condições climáticas na região.
Comunidades isoladas dificultam chegada da ajuda
A destruição causada pelas enchentes bloqueou rotas e deixou diversas localidades sem acesso regular. Equipes trabalham para reabrir estradas e levar alimentos, suprimentos e atendimento às comunidades que ainda não receberam assistência significativa.
Segundo a Cruz Vermelha, a ameaça de novos deslizamentos e inundações torna cada operação ainda mais arriscada.
“Estamos extremamente preocupados com a possibilidade de uma nova inundação, mesmo enquanto as autoridades trabalham intensamente para reabrir estradas bloqueadas e atender comunidades isoladas”, disse Fisher.
O representante da organização também destacou a dimensão da tragédia e afirmou que a demanda por sacos para cadáveres aumentou significativamente nos últimos dias.
Moradores seguem em estado de choque
Dias depois do desastre, muitos sobreviventes ainda tentam compreender a dimensão da destruição. Segundo a Cruz Vermelha, parte da população atingida permanece desorientada após perder familiares, casas e meios de subsistência.
Equipes de emergência e voluntários seguem mobilizados não apenas para procurar desaparecidos, mas também para alertar moradores sobre possíveis novos riscos. A prioridade é retirar pessoas de áreas vulneráveis e ampliar o acesso às regiões que continuam isoladas.
Com centenas de mortes confirmadas e milhares de pessoas ainda desaparecidas, autoridades temem que o balanço da tragédia aumente nos próximos dias, enquanto as buscas continuam em uma das regiões mais difíceis de alcançar do planeta.
