Aumenta em Goiânia o interesse por pets exóticos
Redação DM
Publicado em 27 de outubro de 2022 às 14:58 | Atualizado há 4 anos
Já pensou em adotar animais como sagui, tarântula ou mini porco? Apesar de ainda pouco corriqueiros, os pets exóticos começam a fazer parte da realidade de muitos cuidadores goianienses. Esses bichinhos inusitados, claro, precisam de uma série de cuidados especiais e alguma coragem. (Já pensou em dormir ao lado de uma cobra?).
Segundo a médica veterinária Lorena Alessandra, que atua no Parque Zoológico de Goiânia, tem aumentado o interesse da população na criação de animais exóticos na capital. “O número de atendimentos específicos estão aumentando de forma considerável para este segmento”, explica.
Os animais mais comuns nos atendimentos são aves, a exemplo de calopsitas, cacatuas e a ring neck, uma das queridinhas do momento. Tartarugas, aranhas e jiboias também são populares, conforme a veterinária.
“Há também uma extensa lista de interessados em cobras legalizadas em institutos credenciados. Têm também um grande número de pessoas criando cobras como a corn snake, uma cobra do milho, que não é peçonhenta e é de fácil manipulação. As iguanas e furões também são comuns, mas já tiveram seu momento mais áureo de criação no Brasil”, explica.
Segundo a médica veterinária, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), autoriza a criação de animais exóticos. “No entanto, a pessoa que vai comercializar precisa de credenciamento junto ao Ibama, para fazer essa venda de acordo com a norma exigida”, esclarece.
Lorena Alessandra ressalta ainda que a criação de animais silvestres, pertencentes à fauna (coletivo para a vida animal de uma determinada região ou de um período de tempo), a exemplo de papagaios, alguns periquitos do reino e maritacas, não é autorizada. “Na captura de animais silvestres, é preciso entregá-los ao Cetas, o Centro de Triagem de Animais Silvestres, para dar a destinação correta a estes animais”.
Atendimento de animais exóticos em pets especializados
Um dos desafios que os criadores de pets não convencionais podem ter é o manter uma rotina de cuidados especiais. Pois, de acordo com Lorena Alessandra, como os animais exóticos não fazem parte da fauna, possuem necessidades e características que os diferenciam. “Existem questões de umidade, temperatura, alimentação. É muito importante ter a orientação de alguém qualificado, para que além de qualidade de vida, o animal tenha longevidade”, recomenda.
Segundo o médico veterinário Júlio César Borges, na faculdade, o veterinário possui formação para lidar com todos os animais. Porém, o estudo específico de certas espécies são obrigatórias. Este é o caso de cães, gatos, bovinos, equinos, suínos, aves de produção/poedeira, caprinos, ovinos e peixes. “Então, pode ser que ao levar seu animal exótico ao veterinário, você se depare com um profissional que nunca mexeu com outras espécies, além das que estudou na faculdade”, informa.
Pensando em melhor atender as especificidades do animal exótico durante os atendimentos, Júlio César Borges se especializou em clínica médica e terapêutica de pets não convencionais e enfatiza a necessidade de se procurar um profissional qualificado.
“O réptil, por exemplo, precisa de uma fonte de calor, então deve-se fornecer ao animal uma pedra, mas se a pedra estiver quente pode prejudicar a saúde do animal. Se eu quiser, por exemplo, ter um tigre de água é necessário um local para ele nadar, mas até a maneira dele nadar precisa ser analisada. Então, diversas informações e, até um pouco de fisiologia e anatomia, pode ser passada para os tutores entenderem o que está acontecendo naquele ambiente”, argumenta.
Para avaliar a saúde desse bichinhos, a veterinária Elisangela de Albuquerque, que faz parte da Comissão Assessora de Animais Selvagens e Meio Ambiente do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), ressalta que os tutores precisam encaminhar, a cada seis meses, o pet a um médico veterinário especializado. “São animais mais sensíveis ao barulho, à troca de cuidadores e até mesmo do médico veterinário. Algumas espécies necessitam de fonte vitamina em maior quantidade para uma maior qualidade de vida e pode haver necessidade de enriquecimento ambiental, luz, calor, água, cálcio, dentre outros”, detalha.