Como diminuir as limitações e aumentar a inclusão autista?
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Publicado em 30 de junho de 2023 às 20:56 | Atualizado há 3 anos
Enxergar o transtorno como uma condição humana favorece o incentivo à autonomia. Muito se teme sobre a independência de uma pessoa autista, pois muitos veem o transtorno como um sinal de invalidez, acreditando que uma pessoa autista não poderá ser independente. Ainda há falta de conhecimento sobre o assunto, o que gera capacitismo, causando dificuldades diárias para autistas e seus familiares ao lidar com pessoas que demonstram pouco entendimento sobre o transtorno. É preciso entender que todas as pessoas são capazes dentro de suas limitações. A inclusão acontece por meio do conhecimento.
Diminuir o estigma é aumentar a inclusão. Pesquisas científicas comprovam que os níveis de estigma em relação aos autistas diminuem quando as pessoas acumulam mais conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Quanto mais a informação é difundida, os autistas sofrem menos com a exclusão.
É preciso que a sociedade compreenda o que é o transtorno e conviva com os autistas. Comparados à população em geral, aqueles que têm experiência e convívio com autistas adotam atitudes mais favoráveis à inclusão do que aqueles que não convivem com essas pessoas. Uma das formas de aumentar a convivência desde a infância é por meio das escolas. Por isso, é tão importante a inclusão de autistas em escolas regulares. Além de contribuir para o desenvolvimento e tratamento da pessoa com autismo, também promove o envolvimento social de todos os alunos e o convívio com a diversidade, resultando na inclusão social.
Na vida adulta, também é importante ter pessoas com autismo em todos os âmbitos profissionais. Além de contribuir para o convívio e o envolvimento social, isso também aumenta a empregabilidade e permite que a voz da pessoa com autismo seja ouvida nos resultados da empresa.
Agora, como podemos diminuir as limitações? O aumento do diagnóstico e a aplicação de intervenções adequadas contribuem para reduzir as limitações dos autistas. A prevalência do TEA era de 1 em cada 166 pessoas em 2004, passou para 1 em cada 54 em 2020 e, em 2023, o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos) lançou um documento atualizando a prevalência do TEA para 1 em cada 36 pessoas. Isso nos mostra duas possibilidades: ou o número de pessoas com transtorno aumentou, ou o número de diagnósticos aumentou.
A maioria dos pesquisadores acredita na segunda afirmação, ou seja, cada vez mais o acesso ao diagnóstico está se ampliando por meio dos pacientes e a qualidade da informação está aumentando graças aos profissionais da saúde, o que se reflete no número de diagnósticos corretos. Com o aumento dos diagnósticos corretos, também precisamos nos concentrar em intervenções adequadas para diminuir as limitações das pessoas com autismo. Quanto mais cedo forem realizados os estímulos, maiores serão as chances de desenvolvimento dos autistas dentro do espectro.
O tratamento do TEA é realizado por uma equipe multidisciplinar composta por psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, psicomotricistas, psicopedagogos, fonoaudiólogos e médicos. Estimulações mais precoces aumentam a possibilidade de independência da pessoa com autismo no futuro, pois intervenções específicas e precoces podem alterar a evolução natural do transtorno, uma vez que essas habilidades podem ser ensinadas.