Opinião Pública

Ensino médio: a grande omissão dos candidatos

DM Redação

Publicado em 12 de setembro de 2026 às 21:32 | Atualizado há 1 hora

by Moacir de Melo

Sim, sou um produto do ensino médio. Sempre afirmei e comprovo isto. Por isso, há muitos anos sou um crítico voraz do ensino médio brasileiro instituído a partir de 1982. E continuo sem compreender como um problema tão grave consegue atravessar eleições, governos e gerações sem ocupar o centro do debate político. Pois é, estamos novamente diante de candidatos prometendo saúde, segurança, estradas, investimentos, tecnologia, emprego e muito mais, mas quase ninguém responde a uma pergunta fundamental: O que, como governante estadual, pretende fazer para que nossos jovens saiam do ensino médio preparados também para uma profissão?

Sim, o silêncio incomoda. Em 1971, a Lei nº 5.692 estabeleceu a profissionalização no então ensino de segundo grau. O modelo tinha problemas, mas dava oportunidades. Em 1982, porém, a Lei nº 7.044 retirou aquela obrigatoriedade. Em vez de aperfeiçoarmos a educação profissional, permitimos que o ensino médio se distanciasse do mundo do trabalho e gerasse desânimo nos jovens e uma geração de “nem nem”.  E quem paga essa conta? O jovem pobre, claro! O reflexo disto? Mais desigualdade!

Evidente que o filho de uma família de maior renda pode concluir o ensino médio, frequentar cursinho, ingressar numa universidade e esperar alguns anos para entrar no mercado. A maioria dos brasileiros, pobre, não têm esse privilégio. Precisam trabalhar e ajudar suas famílias. E frequentemente terminam a educação básica sem uma profissão e sem saber o que fazer. Por isto, grande parte deles desanimam no meio do caminho.

E enquanto o Brasil ainda profissionaliza uma parcela reduzida de seus estudantes, nos países da OCDE a educação profissional ocupa espaço muito maior no ensino médio. Na Alemanha, o sistema dual aproxima escola e empresa, fazendo da aprendizagem profissional um importante porta de entrada para o mercado de trabalho. E por que continuamos tão distantes dessa realidade? E por que nossos candidatos permanecem mudos neste propósito? A saber!

Sim, os estados são responsáveis na oferta do ensino médio brasileiro. Portanto, não basta prometer emprego e anunciar novas indústrias. Afinal, quem formará técnicos, programadores, eletricistas, mecânicos e profissionais de logística, agroindústria e automação que essas empresas necessitarão? Sim, empresários reclamam da falta de trabalhadores qualificados e jovens não conseguem um bom emprego porque lhes falta qualificação. Entre os dois está o poder público silente. Por isso  e preciso perguntar aos candidatos: Qual é sua proposta para transformar o ensino médio numa ponte entre educação, profissão e emprego?

Chega de dizer simplesmente que educação será prioridade. Essa frase já atravessou eleições demais. Uma sociedade moderna oferece diferentes caminhos e permite que cada jovem escolha o seu ou percorra ambos. Milhões terminam o ensino médio diante de uma pergunta angustiante: Terminei a escola. E agora, fazer o que? Aos candidatos aos governos estaduais, inclusive os goianos, fica, portanto, minha pergunta: Qual de vocês terá coragem de colocar a profissionalização do ensino médio entre as prioridades de seu governo?  Estamos ouvindo. E seria bom que respondessem antes das urnas.

* Moacir de Melo é empresário

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