Opinião

A baixaria da Câmara alta da república

diario da manha

Irani Inácio de Lima ,Especial para Opinião Pública

A consciência desperta na memória lúcida exige prudência e muita cautela na hora de reflexionar ou de emitir seguro juízo de valor sobre a conduta de outrem ou sobre qualquer assunto de domínio público.  A crítica ácida, contundente e impiedosa que se estriba apenas na maledicência e no desaire é verbo desagregador lançando a chama devoradora da intriga e da discórdia na mente e no coração que geram os nobres sentimentos.

A reflexão que ouso aqui trazer a lume através deste despretensioso artigo de nossa humilde lavra não tem o sórdido objetivo de criticar injustamente ou de maldizer a conduta de ninguém. Daí a aceitar como absolutamente natural o envolvimento de grande parte dos políticos e representantes do povo em uma organização criminosa que continua dilapidando o patrimônio público do País seria assentir impatrioticamente à prática de um crime moral de lesa pátria e lesa humanidade. Danosa esta ação se nos apresenta como fruto da invigilância parlamentar e da presença da ausência de Deus no coração do homem.

Vacilante e mergulhada em um lamaçal de dúvidas e incertezas sem precedentes na história do país, a classe política brasileira perdeu completamente sua credibilidade. Retomá-la em sua plenitude neste grave momento da vida nacional exige dos agentes públicos coragem cívica e grandeza moral. O dela seria o dever impostergável de renunciar o orgulho, o egoísmo de a vaidade que a infelicita e o ingente trabalho de saber cultivar a paciência, a tolerância e a resignação.

O escopo aqui perseguido com respeito, tenacidade e serena coragem, sem denegrir a imagem das autoridades constituídas, visa estabelecer um cenário de paz e harmonia no inconsciente coletivo daqueles que ainda acreditam no Brasil do futuro.  A exemplar punição dos eventuais culpados fortalece o poder e dignifica a nação lavando a alma do povo nas águas cristalinas da doce fonte da democracia.  A generosa bênção da adversidade induz-nos a reagir com humildade, sabedoria e serena coragem cultivando o perdão como simples dever. A nação anela por ser límpida e claramente esclarecida. Urge a busca da verdade que liberta o pensamento para asserenar a mente e pacificar o coração dulcificando a alma do povo.

A investigação séria e responsável tem o dever de encontrar e escançará à verdade cristalina que liberta.  Ninguém tem o direito de deitar graciosa e produtiva falação ou de fazer críticas acerbas e inconsequentes aos ilustres parlamentares e governantes envolvidos neste lamentável episódio. Não deve sair impune quem ao arrepio da ética, da razão e da lei deixou se envolver gravemente nesta famigerada organização criminosa que envergonhou a nação.

Escancarada nos principais órgãos de divulgação do país a desairosa e nefanda notícia criminem, já dilapidou impiedosamente o patrimônio político de todos os investigados. Antes mesmo de se apurar o grau de envolvimento, a culpabilidade e autoria da modalidade criminosa a divulgação do fato já deixou marcas indeléveis na trajetória política dos investigados e no já desacreditado e combalido cenário político nacional.  Genuflexa e estarrecida, a nação brasileira envergonhada se curva diante deste noticiário nefasto e revelador de fatos que quando não criminosos tangenciam a lei, ferindo de morte a ética e a moral.

O processo investigativo que visa apurar a participação dos nobres parlamentares, governantes, empresários e outros envolvidos, no recebimento de propinas traz-nos à memória a lembrança de um acontecimento danoso, lastimável, nefando e vil que macula o cenário político brasileiro e envergonha a nação deixando um péssimo exemplo às futuras gerações.  Atribuídos aos ilustres representantes do povo que deveriam se enxergar e se comportar como verdadeiros missionários da vida, o episódio delituoso marcando indelevelmente a história da nação deixa as marcas inapagáveis da vergonha e da dor moral.

Jornadeando na mesma nave evolutiva que demanda ao país da luz em busca de sua  auto iluminação as almas que estagiam temporariamente neste orbe são todas iguais aos olhos do Criador. Se ninguém aqui é melhor do que ninguém, o “que fazer grande Deus nas trevas desta luta, onde a luz se nos nega e ninguém nos escuta?”  A tradição espiritual intuitivamente “revelou-nos que o Pai de infinita Bondade e extrema Misericórdia ao depois de pensar por muito tempo respondeu comovido. Aceito filho meu quanto me falas. Entendo-te o pedido: “Vigia e ora sem cessar”. É seu dever impostergável ajudar seus irmãos criminosos temporariamente enclausurados nas entranhas do poder temporal, a quem você deve oferecer pelo menos o socorro das suas preces.”

Ninguém tem o direito de endereçar à classe política, dardos mentais de densas e deletérias energias, vibrações negativas, críticas contundentes e improdutivas ou sobre ela fazer precipitado juízo de valor. É bíblico ensinamento de que a verdadeira autoridade vem de Deus. O nosso é compromisso de respeitar as autoridades legalmente constituídas sem perder o direito de indignar e protestar livre, ordeira e democraticamente. Quando possível ofereçamos o contributo de nossa indispensável participação para ajudar o país a afugentar a crise moral que descontrolada se esparze como erva daninha sobre todo o planeta.

Quem ocupa poder de mando em um país democrático, livre e soberano não o faz por força exclusiva ou ao sabor do acaso que não existe.  Sua investidura no exercício desta sublime missão de bem conduzir o povo na senda da trajetória do progresso material e da prosperidade moral obedece ao seguro comando da espiritualidade superior e é urdido sob o pálio generoso da Divina Providência.  Ao ser eleitos e empossados os nobres parlamentares, representantes do povo brasileiro, que em abrilhantando ornamentam a colenda e veneranda Câmara Alta de República, assumem ao mesmo tempo o múnus público de missionários da vida, da paz e de Deus.  E na leira deste raciocínio cumpre ao Poder Legislativo Federal, obedecidas às formalidades legais, o dever urdir o ordenamento jurídico do país que rege e normatiza a vida das instituições e a conduta da nação.

Enquanto mensageiros do Céu às criaturas os parlamentares assumem na urdidura de seus projetos rencarnatórios, plasmados além-fronteiras do nosso orbe, o sagrado e venerando compromisso de orientar e bem conduzir com acendrado amor e desvelado carinho a imensa mole humana que fez deles seus legítimos representantes. Ao assumir o poder temporal, sobretudo na “terra de Cabral que está cansada de ultrajes suportar,” os líderes que se encantam com suas benesses acabam por virar as costas para seus projetos, entram na contra mão da história e deixam de lado a via única da amorosidade que haverá de conduzir a humanidade ao país da luz.

E o que fazer para ajudar estes nossos irmãos em humanidade temporariamente delinquentes da alma a não reeditarem uma nova versão da Baixaria da Câmara Alta de República? Exigir que sejam eles exemplarmente punidos pela lei dos homens visto que a misericordiosa Justiça Divina chegará ao romper da aurora. Lembre-se que devemos a eles pelo menos o socorro emergencial das nossas preces. É a partir das boas vibrações do pensamento que as densas e deletérias energias que aturdem e enlouquecem a humanidade serão dissipadas permitindo a criação de uma cultura de paz no coração da humanidade.

 

(Irani Inácio de Lima, advogado e espírita. [email protected])

Comentários

Mais de Opinião

27 de outubro de 2018 as 21:44

A estratégia de Pedro

27 de outubro de 2018 as 21:18

Bom dia, Brasil

26 de outubro de 2018 as 21:35

As propostas de Bolsonaro

26 de outubro de 2018 as 21:34

Ensaio sobre a criação do espaço

26 de outubro de 2018 as 21:33

Um amor de Goiânia

26 de outubro de 2018 as 21:32

Brasil e totalitarismo

26 de outubro de 2018 as 21:07

Esses corregedores do CNJ são uma piada

26 de outubro de 2018 as 21:00

O voo do DM

26 de outubro de 2018 as 20:57

Casos de câncer de mama sobem no País

26 de outubro de 2018 as 20:53

O Brasil pede socorro à CNBB!

26 de outubro de 2018 as 20:49

O direito de sonhar

26 de outubro de 2018 as 20:47

O STF legisla demais