Opinião

A injustiça com quem veio para servir

diario da manha

Antônio Almeida ,Especial para Opinião Pública

Inspirado na bondade e na intensa dedicação à caridade pastoral de São Francisco de Sales, bispo de Genebra no século XVII, o italiano Dom Bosco legou à humanidade uma história sacerdotal inteiramente voltada à educação da juventude, ao resgate e à promoção humana dos mais necessitados.

Num período em que a Europa, pós-Napoleão, vivia uma grave crise social – primeira metade do século XIX –, ele optou por dedicar a sua vida aos jovens pobres e abandonados. Diante da triste realidade vivida por milhares de jovens em seu tempo, marginalizados, entregues ao vício, à criminalidade e sem nenhuma perspectiva, ele assumiu a missão de formá-los como cidadãos de caráter e qualificá-los para o estudo e o trabalho, por meio dos bons ensinamentos, da promoção humana e da educação para a fé.

Precursor da profissionalização dos jovens, ele criou escolas, fundou a sociedade de mútuo auxílio e implantou casas de acolhimento para jovens trabalhadores, estudantes e desempregados. Despertava nos jovens a paixão pelo trabalho, por ele considerado a grande salvaguarda da moralidade. Em 18 de dezembro de 1859, deixou plantada a semente, com a fundação da Congregação Salesiana, que se transformou numa árvore frondosa.

Mais de um século e meio depois, essa planta continua dando bons frutos com obras sociais, centros universitários, casas de formação e escolas, espalhadas em mais de 130 países. Um desses frutos generosos, inclusive, é o tradicional Colégio Ateneu Dom Bosco, fundado em janeiro de 1941, na capital goiana.

O precioso legado de João Melchior Bosco, criador do sistema preventivo em educação, canonizado em 1934 pelo Papa Pio XI, inspirou muitos missionários pelo mundo, que hoje se dedicam integralmente, não apenas à boa formação das crianças e dos jovens, mas a uma transformação profunda na existência de milhares de pessoas carentes, famintas, marginalizadas e também aquelas dominadas pela escravidão da violência e das drogas.

A vida sacerdotal do vigário padre Luiz Augusto, da Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus, em Aparecida de Goiânia segue os passos do “Pai e Mestre da Juventude”, Dom Bosco e também do fundador da Ordem dos Frades Menores e da Ordem Terceira, São Francisco de Assis.

Com esse mesmo espírito de humildade, fraternidade e amor incondicional ao próximo, ele passa o dia todo celebrando, visitando orfanatos, hospitais, presídios e acolhendo, dependentes químicos, mulheres vítimas de violência doméstica, menores abandonados, desempregados, pessoas e família em estado de miséria.

Natural de Rio Verde, ele formou-se em Letras e Direito, com especialização em Teoria Geral do Direito e Teologia. Após cursar dois anos de Medicina Veterinária na UFG, começou a participar de um grupo, quando descobriu a sua vocação ao sacerdócio. Entrou para o Seminário Agostiniano, conheceu a Comunidade Canção Nova, cursou Teologia em Taubaté (SP) e em 1995 foi ordenado sacerdote.

Durante mais de 15 anos, ele esteve à frente da Paróquia Sagrada Família, na Vila Canaã. Ao lado da Comunidade Católica de Evangelização Luz da Vida, sustentado pela oração e vivendo a experiência dolorosa da renúncia aos bens materiais, fundou diversas obras sociais, resgatando dezenas de milhares de pessoas de Goiás e outros estados, como: Projeto Luz que Liberta, Abrigo Menino Jesus, Casa de Missão, Casa Pobre de Deus e Centro de Recuperação Luz que Liberta – uma Chácara de recuperação para dependentes químicos.

O padre Luiz Augusto liderou campanhas pela vida, contra fome e a pobreza, propiciou a milhares de pessoas carentes o acesso a cursos profissionalizantes, consultas médicas e odontológicas, cirurgias, aquisição de aparelhos e próteses para enfermos, sopão para pedintes e moradores de rua. Ele mantém a sua vida franciscana e todas essas obras sociais na Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, em Aparecida de Goiânia, onde assumiu como vigário em fevereiro de 2012.

Aqueles que tentam destruir a imagem desse sacerdote da plenitude do evangelho, fechando os seus olhos para as obras que ele realiza em prol dos mais pobres, deveriam se envergonhar pela própria submissão ao preconceito e à mediocridade. Ao condenarem sumariamente esse homem, ignorando todo o bem por ele praticado à sociedade, assemelham-se ao ódio do Imperador que ordenou, por meio de flechas e depois mandou espancar até a morte, outro que, como o Padre Luiz Augusto também veio para servir: São Sebastião.

 

(Antônio Almeida, vice-presidente da Fieg, presidente do Conselho de Responsabilidade Social da Fieg, do Sigego/Abigraf, da Editora Kelps e presidente de honra da Abraxp)

Comentários

Mais de Opinião

27 de outubro de 2018 as 21:44

A estratégia de Pedro

27 de outubro de 2018 as 21:18

Bom dia, Brasil

26 de outubro de 2018 as 21:35

As propostas de Bolsonaro

26 de outubro de 2018 as 21:34

Ensaio sobre a criação do espaço

26 de outubro de 2018 as 21:33

Um amor de Goiânia

26 de outubro de 2018 as 21:32

Brasil e totalitarismo

26 de outubro de 2018 as 21:07

Esses corregedores do CNJ são uma piada

26 de outubro de 2018 as 21:00

O voo do DM

26 de outubro de 2018 as 20:57

Casos de câncer de mama sobem no País

26 de outubro de 2018 as 20:53

O Brasil pede socorro à CNBB!

26 de outubro de 2018 as 20:49

O direito de sonhar

26 de outubro de 2018 as 20:47

O STF legisla demais