Opinião

“Acautelai-vos dos falsos profetas”

diario da manha

Emídio Brasileiro Especial para  Opiniãopública

“Acautelai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós com vestes de ovelhas, mas intimamente são lobos vorazes. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, acaso, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?
Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz maus frutos. Uma árvore boa não pode produzir maus frutos, nem uma árvore má produzir bons frutos. Pois cada árvore é conhecida por seu fruto. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.
O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem e o homem mau, do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala daquilo que o coração está cheio.”
(Evangelhos de: Mateus, cap. 7, vv. 15 a 20 – Lucas, cap. 6, vv. 43 a 45).

Nos momentos finais do Sermão da Montanha, Jesus alerta para existência dos falsos profetas, os quais se apresentam como pessoas boas, mas são pessoas ambiciosas que usam da credibilidade dos incautos para atingir os seus fins ilícitos. Jesus recomenda que se observe os “seus frutos”, ou seja, o que eles efetivamente fazem, suas condutas, suas práticas, seus exemplos e não se deixem persuadir com as suas palavras. Nesse ponto, Jesus mede o homem de bem não por seu verbo fácil, mas por seus costumes. Mais adiante, ele explica também a respeito dessa temática, utilizando a parábola dos dois filhos (Mt 21:28-32):
“Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Chegando-se ao primeiro, disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha’. Ele respondeu: ‘Não quero’; mas depois, arrependido, foi.
Dirigindo-se ao segundo, disse o mesmo. Este respondeu: ‘Eu irei, senhor’; mas não foi.
Qual dos dois fez a vontade do pai?”
Responderam-lhe:
“O primeiro”.
Então Jesus lhes disse:
“Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes vos precederão no Reino de Deus. Porque João veio a vós no caminho da justiça e não acreditastes nele, enquanto os publicanos e as meretrizes acreditaram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso não vos arrependestes depois, para acreditar nele”.
Devido à sua autoridade moral e superioridade intelectual, o divino Messias também foi perseguido por muitos religiosos hipócritas da época. Ele combateu as suas práticas porque sabia o quanto de mal eles poderiam fazer. A decepção diante de um religioso é a pior que existe. Isso, porque interfere na formação da fé, na elaboração de uma mentalidade voltada para Deus. Quase sempre, os neófitos da fé associam as suas crenças em Deus com o respeito, com a admiração e com o amor que devotam aos seus instrutores e inspiradores religiosos. A queda moral de um religioso pode afastar muitos dos seus seguidores da senda que leva ao entendimento e ao amor do nosso Pai. Não raro, esses decepcionados se tornam religiosos hipócritas e até mesmo ateus, deixam aflorar as suas más tendências, perdem a crença no bem, na Humanidade e não aceitam novas compreensões até que a Lei Natural os convoque de novo ao cerne da evolução. Devido a isso, fazer depender a crença em Deus das condições afetivas que nos vinculam aos líderes religiosos é andar sobre a areia movediça da total confiança em seres humanos falíveis. Nesse sentido, deve se aplicar as palavras do profeta Jeremias (17:5-8):
“Assim, diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, e faz carne o seu braço e aparta o seu coração do Senhor! Porque será como a tamargueira no deserto, e não verá quando vem o bem; antes morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável. Bendito o homem que confia no Senhor, e cuja confiança é o Senhor. Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua filha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto”.
Também o profeta Jeremias, dentre outros profetas, denunciou os falsos profetas, conforme seguem algumas de suas advertências, conforme consta e destacamos dos textos de Jeremias (14:13-16; 23:13-40):
“Então, disse eu: Ah! Senhor Deus, eis que os profetas lhes dizem: Não vereis espada, e não tereis fome; antes vos darei paz verdadeira neste lugar. E disse-me o Senhor: Os profetas profetizam mentiras em meu nome; não os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei. Visão falsa, adivinhação, vaidade e o engano do seu coração é o que eles vos profetizam. Portanto, assim diz o Senhor acerca dos profetas que profetizam em meu nome, sem que eu os tenha mandado, e que dizem: Nem espada, nem fome haverá nesta terra: A espada e a fome serão consumidos esses profetas. E o povo a quem eles profetizam será lançado nas ruas de Jerusalém, por causa da fome e da espada; e não haverá quem os sepulte a eles, a suas mulheres, a seus filhos e a suas filhas; porque derramarei sobre eles a sua maldade.”
“Nos profetas de Samaria bem vi eu insensatez; profetizavam da parte de Baal, e faziam errar o meu povo Israel. Mas nos profetas de Jerusalém vejo uma coisa horrenda: cometem adultérios, e andam com falsidade, e fortalecem as mãos dos malfeitores, de sorte que não se convertam da sua maldade; eles têm-se tornado para mim como Sodoma, e os moradores dela como Gomorra. Portanto assim diz o Senhor dos exércitos acerca dos profetas: Eis que lhes darei a comer losna, e lhes farei beber águas de fel; porque dos profetas de Jerusalém saiu a contaminação sobre toda a terra. Assim diz o Senhor dos exércitos: Não deis ouvidos as palavras dos profetas, que vos profetizam a vós, ensinando-vos vaidades; falam da visão do seu coração, não da boca do Senhor.”
Também há falsos profetas em diversos setores da vida, não apenas no ambiente religioso. São sempre indivíduos com características de liderança que usam da ignorância, da boa-fé e da acomodação de indivíduos iludidos, ociosos e recalcitrantes para executar seus projetos de poder, de fama e de riquezas materiais, sempre por meio de ações ilícitas que desestruturam a ordem e o bem-estar da sociedade.
Os falsos profetas existem nos dois planos da vida. Há inúmeros espíritos obsessores desencarnados e encarnados que insuflam pensamentos e sentimentos que desestruturam o equilíbrio psicomoral tanto de suas vítimas.
Também o falso profeta é o indivíduo que usa de suas faculdades mediúnicas, intelectuais e psicofísicas para manipular, perseguir e tirar proveito ilícito diante das circunstâncias que lhe são favoráveis.
Também Jesus esclarece que o antípoda do homem bom, que do “bom tesouro do seu coração tira o bem”, é o homem mau, “que do mau tesouro tira o mal”, isto é, o falso profeta.
O Mestre ainda recomenda a identificação dos profetas, ou seja, dos indivíduos virtuosos e iníquos, por meio de suas linguagens. Os espíritos bons têm sempre uma linguagem digna e elevada enquanto os espíritos maus, que usam de linguagem fugaz e traiçoeira, não conseguem sustentar por muito tempo uma linguagem nobre porquanto “a boca fala daquilo que o coração está cheio”.
Se Jesus recomenda cuidado diante dos falsos profetas, dos seus falsos pensamentos e sentimentos e de suas ilusões degradantes é porque sabe das consequências nefastas de suas manipulações. Além disso, o Mestre sabe reconhecer a torpeza do coração humano quando quer fustigar e impedir a marcha da evolução. Em todos os tempos, sempre existiram os manipuladores da boa-fé dos ingênuos e dos ignorantes. É provável que por muito tempo ainda os falsos líderes e religiosos tenham domínio sobre as sociedades e instituições, mas é inevitável o progresso no Bem. É imprescindível que todos evoluam, inclusive os falsos profetas. Nesse sentido, Jesus, o mais sublime dos profetas, fez a mais bela das revelações advinda da Lei Moral do Progresso (Mt. 18:14): “Não é da vontade de vosso Pai que está nos Céus, que se perca nem um destes pequeninos. Porque o Filho do Homem veio salvar o que estava perdido”.

(Emídio Silva Falcão Brasileiro, escritor, advogado, professor universitário, orador, conferencista brasileiro, membro da Academia Goianiense de Letras, Academia Aparecidense de Letras e Academia Espírita de Letras do Estado de Goiás. E-mail: [email protected])

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