Opinião

Mãe de excepcional é mulher especial

diario da manha

Jávier Godinho, Especial para Diário da Manhã

Quem não perdia oportunidade de enaltecer a evolução espiritual da mãe de um excepcional era Francisco Cândido Xavier.  Ele ensinava que muitas delas sequer tiveram relacionamento anterior com o filho de hoje e aceitaram reencarnar para pacientemente cuidar dele e aliviá-lo de dívidas morais contraídas no passado.

São, portanto, mulheres especiais.

No livro Chico de Francisco, de Adelino da Silveira, Editora CEU, Jabaquara, São Paulo, encontramos entrevista de 1985 do médium no programa Hebe Camargo – Especial de Natal com Chico Xavier, TV Bandeirantes. A entrevistadora lhe pergunta se a criança retardada percebe o que de bom ou de mau o pai ou a mãe está dizendo e ele responde:

— Ouve e sente, registra e sabe de que modo está sendo tratada. É profundamente lúcida na intimidade do próprio ser. É por  isso que  a criança vai somente com aqueles que demonstram amá-la e querer  ajudá-la a ultrapassar seu transe temporário. Este é de 13, 20 ou 30 anos, uma vez que geralmente os excepcionais desencarnam muito cedo.

O livro Lições de Sabedoria – Chico Xavier nos 22 anos da Folha Espírita, organizado por Marlene Nobre, em 1996, nos traz valiosas considerações sobre esses seres humanos em árduo processo de libertação e, até hoje, tão pouco compreendidos.

Quase sempre, os excepcionais são reencarnação de suicidas. As formas como se mataram tem muito a ver com as deficiências atuais. Francisco Cândido Xavier cita exemplos do que acontece a infelizes criaturas no esforço doloroso para se levantar após a queda. Assim, se o projétil, no caso de morte por arma de fogo, alojou-se no centro da fala, a criança renasce muda. Se atingiu os centros da visão, será cega e assim por diante. No caso de morte por enforcamento, aparecem as hemiplegias e, por afogamento, os enfisemas. Há tragédias dos que se suicidam e retornam acometidos de esquizofrenia.

 

Chico teve experiência própria

A infinita bondade divina, contudo, nunca se ausenta nos caminhos do homem. O espírito do excepcional registra na intimidade do ser todas as nuanças afetivas do ambiente que o cerca. Se a mulher naturalmente se eleva na maternidade, a mãe da criança excepcional é alguém extraordinário, rico de amor para repartir, pois pediu ao Criador uma tarefa duplamente sacrifical:  se sacrifica no sacrifício redentor do filho, porque este, cumprida a prova, pago o seu débito, será feliz.

Francisco Cândido Xavier teve experiência própria com excepcional que, na sua visão, o ajudou muito. Veja o gentil leitor quantas lições nestas suas palavras textuais:

— Das pessoas de minha estima que se foram para a outra vida, de nenhuma sinto tanta saudade quanto de Emmanuel Luís, meu sobrinho. Ele era completamente excepcional. Eu tinha que cuidar de tudo, dar-lhe banho, comida na boca. Lia contos infantis para ele. Eu psicografava numa mesa, ao lado do seu berço. Ele me prendia, porque eu não podia ir a lugar algum e, assim, me protegia de muitos perigos. Enfim, me ajudou a  compreender mais a vida.

O excepcional é um espírito prisioneiro no corpo deficiente que justamente o libertará, a máquina física estragada que lhe restabelecerá o equilíbrio quebrado no passado, quando se autoeliminou.

 

Alma exatamente como a nossa

O Livro dos Espíritos responde muitas indagações sobre o assunto. Nele se aprende não ter cabimento a crença segundo a qual a alma dos deficientes mentais é de natureza inferior. Os deficientes possuem alma humana exatamente como a nossa, não raras vezes mais inteligentes do que imaginamos, mas sofrem a insuficiência de meios para se comunicar, do mesmo modo que o mudo não poder falar.

Os órgãos do corpo físico exercem influência muito grande sobre a manifestação das faculdades da alma. Um bom músico com um mau instrumento não produzirá boa música, mas nem por isso deixará de ser um bom músico.

“A superioridade moral não está nem sempre em razão da superioridade intelectual e os maiores gênios podem ter muito a expiar. Daí frequentemente resulta para eles uma nova existência inferior e uma causa de sofrimentos. Os entraves que o espírito experimenta em suas manifestações lhe são como as correntes que impedem os movimentos de um homem vigoroso. Pode-se dizer que os cretinos e os idiotas são estropiados pelo cérebro, como o é o coxo pelas pernas, o cego pelos olhos” – está escrito em O Livro dos Espíritos, que acrescenta este esclarecimento:

“Muito frequentemente, o próprio espírito compreende que as correntes que entravam seu voo são uma prova e uma expiação”.

 

Jávier Godinho,  articulista do DM

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