Opinião

O protocolo, as vaias e o conflito

diario da manha

Luiz de Aquino ,Especial para Opinião Pública

Vaias e gritos contra o governador Marconi na recepção a Dilma Rousseff, no Paço Municipal. Certo que aquele evento, na quinta-feira, dia 19, em Goiânia era temerário: a presidente vinha à cidade logo após o domingo de manifestações contrárias em todo o país – e Goiânia participou com uma concentração e passeata de 60 mil pessoas. A recepção nos limites do Paço Municipal possibilitou uma certa confiança na segurança montada, e tal se deu.

Temerária também era a presença do governador Marconi Perillo na recepção – mas ele foi. E foi vaiado, como era de se esperar. As postagens dos radicais nas chamadas redes sociais mostram que os fundamentalistas pró-Dilma são radicais contra Marconi, enquanto os fundamentalistas anti-Dilma não diferem muito dos militares do PT e de seus aliados mais à esquerda – movem-se mais pelo ódio que por ideologia.

Houve as vaias e a reação do governador. Ele justificou com firmeza sua postura, lembrou que jamais exerceu posição agressiva à presidente e que reconhecia a legitimidade de sua eleição. Nas redes, opiniões conflitantes e radicais, de novo. Uns mostrando-se decepcionados com o governador, outros definindo-o como aprendiz de Iris Rezende. E os menos radicais apontando para a conveniência (absorver para si os que apoiavam Dilma e estão, agora, insatisfeitos com ela) e o protocolo (a diplomacia deve ser uma constante nas relações entre os entes governamentais).

Marconi agiu certo, a cordialidade é dever de um governador ante a presidente. E, convenhamos, ela foi, de fato e legitimamente, eleita. Oponho-me a ela, pelo péssimo governo realizado e pelas promessas de campanha que caíram no vazio assim que o TSE assegurou que ela estava reeleita. E acho também que agiu certo o Sr. Cid Gomes, ministro da Educação até a última quarta-feira.

Para uma “pátria educadora”, o corte de sete bilhões na verba da Educação, a bagunça instalada nos computadores que operam o FIES e o esvaziamento (por isso) da autoridade do ministro, o desfecho se justifica. O Parlamento sentiu-se ofendido. Poxa, coitadinhos! Ele falou que 400 ou 300 seriam adeptos do “quanto pior, melhor” e que tal postura acontece para viabilizar a extorsão – ou achaque – ao Executivo, negociando os votos e ações.

Alguém duvida? Ora: naquela manhã, a Folha divulgou uma pesquisa de opinião em que o apoio à presidente Dilma caiu a 13% e apenas 9% dos brasileiros consideraram os parlamentares ótimos e bons. Ou seja: Cid Gomes está certo. E se é para cair, que se caia com dignidade (ainda que com uma boa dose de grosseria).

O fato é que Dilma Roussef, após a eleição, arriscou-se numa empreitada de esvaziamento do PMDB, o principal partido na rede de apoio ao PT, o partido a que está, agora, filiada e que se sente o rei do poleiro. Esqueceu-se, talvez de quantos senadores, deputados federais, governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores tem o antigo “manda-brasa”. Parece-me que o MEC foi sabotado com a redução de verbas e o empastelamento dos programas do FIES na rede de computadores.

Imagino que outros ministros, como Gilberto Kassab, estão com suas barbas de molho (as mulheres… bem, com o advento da depilação, elas não se preocupam com isso. Até porque o feminismo é o partido mais forte na base, ainda que sequer tenha registro no TSE). Isso de desencastelar o PMDB furou, falou, faliu. O governo está se desintegrando. O ministro da Fazenda amarelou quando levou um pito da presidente, mas Cid foi atrevido – chutou o pau da barrada e jogou caca no ventilador.

E por maior que seja o respeito que se deve ter para com a presidente da República, Dilma Rousseff que se cuide melhor – e já se

previne:há de reatar o namoro com o PMDB.

 

(Luiz de Aquino, jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras)

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