Opinião

O que significa uai? Uai, uai é uai, uai!

diario da manha

João Joaquim Especial para  Opiniãopública

Falando de algumas particularidades do Português, eu sempre tive algumas rusgas em empregar certas palavras no rigor de suas funções de sintaxe, de regência, de significados conotativos e denotativos, etc. O emprego de alguns verbos também sempre me trouxe algumas dificuldades. A tal de transitividade! Tem verbos que nos dão um verdadeiro baile na hora de escrever uma frase, uma ideia. Existe aquele verbo por exemplo que não tem trânsito com ele. Ele se considera intransitivo ou intransigente. Chover por exemplo. Choveu e pronto. Ele não quer saber o que (choveu) e nem para quem. Muito egoísmo. Um outro que já me deu algumas rasteiras é o verbo assistir. Dependendo do contexto, ele é igual a ver. Fulano assistiu (viu) o jogo. Como se trata de um verbo altruísta ele pode também ser igual a socorrer (transitivo indireto). O médico assistiu ao doente. Existem verbos terríveis de feio. Este por exemplo: parte do congresso assaltou os cofres da Petrobras. Assaltar: verbo que expressa uma ação transitiva direta. Se bem que, suas excrescências, vários dos políticos atuais deram uma bitransitividade ao ato de assaltar porque foram ações diretas e indiretas, via doleiros e empresários contratados pelo governo petista. É importante nossos gramáticos ficarem atentos e acrescentar esta noção de assaltar.
Voltando ao incorruptível que é o nosso idioma português, tido como a última flor do Lácio (Olavo Bilac), continuemos então a discorrer sobre algumas de suas particularidades de difícil domínio. Ele mostra também o quanto é vasto, rico de verbetes, mas que oferece muitos recursos para quem o cultua, o admira, o exercita com prazer e encanto. Uma ocorrência que sempre lamentei, foi a extinção do latim como uma língua formal. Que fosse uma língua não oficial é compreensivo, mas não deveria ter saído dos currículos de ensino. A justificativa maior para fazer parte das grades escolares é o fato do latim ser a língua mãe, a origem de vários outros idiomas; o Português, o Francês, o Espanhol por exemplo (idiomas neolatinos).
O latim e o grego constituem os idiomas que mais contribuem na formação etimológica das línguas neolatinas, do nosso Português por exemplo. Na minha concepção, um dos segredos de entender melhor o Português é saber a etimologia de cada palavra. Isto torna a compreensão dos signos e significados mais fácil. Eu sempre tive uma obsessão por saber de onde vem e o que significa cada vocábulo na sua origem. Para quem não tem esta atração basta experimentar para ver o quanto se torna mais clara a compreensão de cada palavra.
Muitos outros idiomas deram origem ao Português. O tupi-guarani, os idiomas africanos, o italiano e até palavras existem com origem duvidosa, inventivas, folclóricas ou gaiatas. Para quem gosta do tema, eu recomendo o livro A Origem Curiosa das Palavras, do jornalista Márcio Bueno.
Para já ir arredondando o tema, eu perpasso sobre a origem da interjeição uai dos mineiros. Primeiro, uma pequena anedota sobre tão popular palavrinha. Um historiador da PUC Goiânia foi a Minas Gerais pesquisar o tema. Assim que ele desembarcou no Aeroporto da Pampulha e viu um mineiro foi logo lhe perguntando: afinal o que significa a palavra uai? O mineiro ficou meio meditabundo, pensou, pensou e lascou esta: uai, uai é uai, uai! Tem coisa que não se define, entende-se!
A verdade real sobre a origem de tão popular interjeição quem me deu foi o mestre e amigo Bariani Ortêncio. Ei-la : os inconfidentes mineiros para driblar a polícia lusitana ( da Coroa Portuguesa) usavam uma espécie de senha em suas tratativas e quando chegavam nas casas uns dos outros tinham uma comunicação previamente combinada. Eram três toques na porta ou a sigla Uai (união, amor independência). Tal origem foi confirmada por pesquisa encomendada por Juscelino Kubitschek nos anais da arquidiocese de Diamantina (terra natal de JK) e arquivos antigos do Estado de MG. O que se tem de certo é que de tão repetida a sigla Uai se tornou a interjeição mais popular dos mineiros e até de brasileiros de outras regiões. É isto aí, uai! Esta explicação foi inclusive noticiada pelo jornal Correio Braziliense, já faz uns bons anos.

(João Joaquim, médico e articulista do DM. E-mail: [email protected] www.jjoaquim.blogspot.com)

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