Opinião

Querem fazer da presidente uma “cabra expiatória”?

diario da manha

Henrique Dias Especial para  Opiniãopública

Eu não consigo compreender como eu pude acreditar, e eu quase morri por isso, que a tal da democracia, numa república federativa presidencialista, o caso do Brasil, possa funcionar com direitos iguais para todos nós, os “cidadãos brasileiros”, sem nenhuma prerrogativa, distinção, sem a desgraça do vagabundo presunçoso com a indefectível frase: “Você sabe com quem está falando?”. Eu vou explicar a razão d’eu achar um absurdo, tolice, completa perda de tempo e dinheiro, todos esses movimentos com o propósito de impedi-la de prosseguir governando. Novamente, certamente dirão, depois de lerem estas linhas, que eu “fico em cima do muro”, ou, talvez digam: “mete o pau no governo e depois puxa o saco”, mas, o misericordioso leitor, aquele que acompanha os meus rabiscos sabe muito bem, espero, vivo para isto, que eu detesto a mentira e, mais, já disse inúmeras vezes e, aqui, umas duas ou três vezes, que julgarem-me como tendo sido um péssimo pai, filho, irmão, amigo, amante, empregado, patrão, companheiro de pesca, de copo, de bilhar, eu até suporto, posso nem falar nada, podem ficar a vontade, mas, pelo amor de Deus, não me chamem de mentiroso. Já disse que eu não minto nem pra ganhar dinheiro. Muitas vezes passo como inocente, maluco, perfeccionista, “minucioso demais” quando, resolvendo um assunto ou “fechando” um negócio, com um amigo, um cliente ou mesmo uma pessoa da família, passo a questionar, pontificar porque gosto de “tudo bem explicadinho”, bem discutido, exatamente para não haver “discussões” posteriores, “Ah, mas você não me falou isto ou aquilo”, ou: “Ah, eu não me lembro de ter falado isto”. Eu avençava nos, e nas caras de peroba, quando era bobo, menino novo, hoje, graças a Deus, por saber por experiência que isto não leva o outro ao arrependimento, nem parar de mentir, consigo controlar a vontade de meter um tabefe bem na fuça dos que vêm com a velha conversa de “não me lembro” e, por “falar” em lembrar, lembrei-me do: “Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão…”, refrão da música “Se gritar pega ladrão” do maestro dos morros cariocas, o pernambucano Bezerra da Silva (1927-2005). Alguns desses, que me criticaram, choram no meu ombro reclamando que perderam a amizade com o patrão, irmão, professor e até pai e mãe, eu hein!… Vou continuar desse jeito mesmo, querendo deixar tudo bem esclarecido, “nos seus mínimos detalhes”, afinal, como já confessei aqui, neste matutino vanguardista, foi conversando que consegui sobreviver às pontas de canos de armas “enfiadas” na minha testa, ouvido, nuca, várias vezes e em várias ocasiões, cruz credo, Deus me livre e guarde, vou mudar até de parágrafo.
A Dilma Rousseff foi a primeira mulher a presidir o Brasil. Agora, este ano, reempossada para um segundo mandato, chamou a atenção do mundo, dos crocodilos estadunidenses aos pandas chineses, afinal, somos a oitava economia do mundo e, não foi a toa também, que ela, ou seus assessores, escolheram o “Dia da Mulher” para o seu pronunciamento. Este assunto não foi nem explorado pela imprensa, então, e enfim, porque este artigo está ficando extenso demais para o meu e o gosto de muitos, será que as pessoas que participaram desse fiasco, dessa manifestação, com o intuito de pedirem o impedimento da presidenta, não sabem o quanto isto é péssimo para a nossa imagem, a nossa economia, para o “Real” e, pior, para o nosso progresso? A mulher, a mineira que foi hóspede da “Torre das Donzelas” é “Chefe de Estado”, “Chefe de Governo”, e “Comandante em Chefe das Forças Armadas”, tendo enfrentado, inclusive, o pragmático general Enzo Peri…, bem, deixa esse assunto para um próximo artigo, se Deus quiser.
Voltando e finalizando. Não temos – e ainda bem que não temos, porquanto nossa “Constituição” é sólida, – meios legais para destituí-la dos cargos e atribuições conquistadas através do voto legal e “democrático”, agora, parabéns àqueles que se manifestaram pelo endurecimento e cumprimento das leis, do aprofundamento das investigações, enfim, o desaparecimento de todo este pesadelo institucional que suportamos diuturnamente. Só que, convenhamos, menos. Querer fazer da digníssima do Brasil uma “cabra expiatória”..
Ah! Ia me esquecendo. Eu falei fiasco porque não conseguiram mobilizar o que pretendiam. Exemplifiquei, para os meus amigos amantes do esporte. Eu falei pra eles que junto 500.000 pessoas, portanto, meio milhão de pessoas em São Paulo, Capital, organizando jogos de times famosos, ou seleções brasileiras de várias modalidades, nos estádios e ginásios espalhados na megalópole, num domingo. Certo que isto requereria uma logística quase insuportável para o efetivo policial, entretanto, não é difícil imaginar Sampa recebendo 500.000 pessoas num dia, somente para ver suas modalidades esportivas, seus ídolos, seus times, enfim, foi um fiasco para os idiotas que esperavam verem os alicerces da lógica e democracia serem abalados e, tanto o Congresso como o Senado, feitos de idiotas… Que a presidenta tenha a oportunidade de se defender e possamos progredir em paz. Até.

(Henrinque Dias, jornalista)

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