Opinião

Tiradentes não foi enforcado? Fugiu para Lisboa? Quem morreu no seu lugar?

diario da manha

Henrique Dias Especial para  Opiniãopública

Já que passaram as comemorações acho que posso tocar no assunto sem o risco de ser linchado. O leitor normal está achando que eu exagero? Agora querem palpitar até sobre “como” escrevo. Não admitem que alguns não se importam que eu fique repetindo as minhas teses, opiniões e críticas, sabem que este é o meu estilo, me suportam e alguns, por incrível que possa parecer à estes “desocupados de plantão”, até gostam, principalmente das criticas que faço às biografias pintadas, decoradas, maquiadas, adulteradas, deformadas e muitos e muitos “adas”, enfim, não suporto tais mentiras, além da educação rigorosamente religiosa, quando eu era moleque me apoderei duma coletânea de biografias do papai, Antônio Gonçalves Dias Filho (1933-83) – nome pomposo né? – quatro volumes, “Ensino Renovado de Biografias”, Editora Formar, São Paulo. Que pena, só tenho dois volumes, do “A” ao “C” e do “L” ao “P”. Adolescente comecei a “ver” que a História é mesmo contada pelos poderosos e revisada por intelectuais, pesquisadores, historiadores que, muitas vezes, consomem suas vidas lendo incessantemente, diuturnamente e, muitas vezes, também, deixam o trabalho, de toda uma vida de árduas pesquisas, num “relatório” ou num “livreto” que será lido por poucos. Tudo isto será corrigido agora, com o advento da alta tecnologia. Tudo o que for significativo será tratado condignamente. Vou tentar fazer jus ao título encerrarando este primeiro parágrafo.

Sou “gonçalvino” – “existe nos dicionários” – não há como não sê-lo, entretanto, o fato de Tiradentes não ter morrido enforcado coisíssima nenhuma e, mais, que 14 anos depois teria montado um negócio na cidade do Rio de Janeiro, na Rua Gonçalves Dias, à época Rua dos Latoeiros, está em tudo quanto é canto na tal da Internet, é só comprovar. E por falar em historiadores que revisam, redescobrem, desmistificam a história, o carioca Marcos Correa é um exemplo singular devido às coincidências, que mais parecem milagres, ocorridas em 1969 quando foi pesquisar, em Paris, a vida do “Patriarca da Independência, o paulista, estadista, poeta José Bonifácio de Andrade e Silva (1763-1838) e encontrou, ao lado da sua assinatura, na lista de presença da “Assembleia Nacional” francesa, a assinatura dum tal de Antônio Xavier da Silva. Correa foi funcionário do Banco do Brasil, formado em grafologia e havia estudando durante um longo tempo a assinatura de José Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes. Achou incrível a similaridade, a semelhança daquela assinatura com a de Tiradentes. Aí começou as suas pesquisas que são contestadas, claro, mas a verdade um dia virá à tona. Tiradentes teria fugido, como D. Pedro II faria anos depois, incógnito, com a ajuda dos irmãos maçons, para a Europa.

Em 21 de abril de 1792 Tiradentes teria sido trocado por um ladrão, o carpinteiro Isidro Gouveia que havia sido condenado à morte em 1790. Teria assumido a identidade de Tiradentes com a promessa de uma significativa ajuda financeira à sua família. Muitas testemunhas disseram que o homem sacrificado e esquartejado não aparentava 45 anos e nem estatura similar a de Tiradentes. Seu corpo foi esquartejado e pedaços foram espalhados por Minas Gerais. Sua cabeça desapareceu. Hipólito da Costa em sua obra “Narrativa da Perseguição” documentou tais diferenças físicas. O escritor Martim Francisco Ribeiro de Andrada, no livro “Contribuindo”, de 1921: “Ninguém, por ocasião do suplício, lhe viu o rosto, e até hoje se discute se ele era feio ou bonito”.

Eu prometi e pretendo cumprir. Vou escrever uma série sobre uma das minhas dúvidas mais cruéis: “Che Guevara teria sido assassinado em Cuba, não na Bolívia?”. Por que as suas mãos nunca foram encontradas? Até.

 

(Henrique Dias, jornalista)

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