Opinião

Quem cuida da doença são os médicos, quem cuida da saúde são os arquitetos

  Garibaldi Rizzo,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

Escutei esta frase, que é o título deste artigo de hoje, durante uma visita realizada ao arquiteto  Leandro Giordano, que é um incansável defensor das pessoas que têm algum tipo de limitação física. O arquiteto brasiliense presta consultoria de acessibilidade e adequação e é responsável por desenvolver um trabalho social com portadores de deficiência, além de auxiliar na promoção de material educativo referente  ao assunto, ele é Membro do Comitê Brasileiro de Acessibilidade na Associação Brasileira De Normas técnicas (ABNT).

Ele afirma que  acessibilidade constitui condição essencial para o pleno exercício dos direitos das pessoas com deficiência e de todas as outras pessoas que experimentam uma situação de limitação funcional ao longo das suas vidas. No momento em que uma pessoa não depende de outra para sua locomoção ela pode agir sem necessitar da disponibilidade de outro. Este fato pode ser observado na necessidade de uma simples ida a consulta de saúde.

A OMS reuniu um grande número de especialistas para desenvolver o programa chamado “Global Burdem of Disease”, que conclui que a contaminação do interior dos edifícios é apenas o quarto fator de risco previsível, atrás da hipertensão arterial, do tabaco e do álcool, enquanto que a contaminação particulada das cidades é o nono, à frente da falta de exercício e do colesterol. Segundo a OMS, mais de sete milhões de pessoas morrem por ano devido à contaminação do ar urbano e do interior dos edifícios.

O ar das cidades deve limpar-se não só para cumprir a legislação, mas também para nos proteger a saúde. A isto dedicaram o seu esforço mais de 220 cidades da Europa, em consonância com uma visão a médio e longo prazo dos seus governos regionais e estatais. Para consegui-lo deve-se buscar uma nova forma de urbanismo e de organização da cidade onde o espaço dedicado à convivência ganhe áreas ao tráfego, com a consequente redução do ruído, da contaminação do ar e o aumento das áreas verdes e do exercício físico. Os arquitetos, urbanistas, engenheiros e ecologistas especialistas em mobilidade e interações sociais são a chave para desenhar cidades que no futuro deverão contar com um ar de muita maior qualidade que o que atualmente respiramos.

Em 1936 publicou-se a primeira edição alemã do livro Arte de Projetar em Arquitectura, de Ernst Neufert, obra em constante revisão e atualização, com várias edições (18ª edição em Portugal) e nela encontramos um capítulo específico com o título “Biologia da Construção”. Nesta obra, Neufert realiza um processo de síntese, abordando de forma concisa e extensamente ilustrada, uma ampla quantidade de informação, abordando as investigações e contribuições da Geobiologia, ciência que estuda a relação entre os seres vivos e o lugar no qual habitam. Estudos demonstram neste livro que doentes mostravam uma clara melhoria ou remissão dos seus sintomas com o simples gesto de mudança de localização da sua cama para uma zona livre de agentes geológicos como correntes de água, fissuras ou gretas do subsolo, as quais atuam como zonas de saída preferencial das radiações terrestres. Hoje em dia, muitos arquitetos licenciam-se sem conhecer aspectos da construção em relação com a Biologia do Habitat e a saúde dos seus moradores, apesar do livro de Neufert ser um dos livros de referência tanto de arquitetos como de engenheiros e incluir há dezenas de anos este tipo de conhecimentos. Muita informação se tem “perdido” ao longo das sucessivas revisões e edições deste livro.

Um projeto geobiológicmente correto serve para analisar/valorar o fator de biohabitabilidade do lugar onde vivemos, tanto em residências e locais de trabalho quanto nas cidades como um todo com o fim de melhorar a nossa qualidade de vida, saúde e bem-estar.

Daí o título deste artigo.

 

(Garibaldi Rizzo, presidente do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas de Goiás)

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