Opinião

Sonho possível: ver o Goiás campeão brasileiro de futebol

José Carlos Vieira ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

Confesso que não torço por nenhum time desde que Túlio Maravilha encerrou sua brilhante carreira de atleta do esporte bretão. Mas revelo que torço pelo time do Goiás ser campeão brasileiro este ano ou nos próximos. E não é uma tarefa impossível se considerando a realidade de nosso futebol tão nivelado por baixo. O time da Serrinha ao longo de sua história já enfiou goleadas humilhantes em grandes clubes do futebol brasileiro, é só checar as estatísticas. O esmeraldino de tradições e mil glórias é uma referência de estrutura, e até me lembro de um jogador que estava com 4 meses de salários atrasados no Palmeiras e pediu para jogar no Goiás. É a força do periquito no cenário nacional, formando grandes elencos e revelando atletas para o mundo inteiro. Houve uma época em que até parecia que o time do Hailé Pinheiro era uma espécie de filial do Botafogo do Rio de Janeiro, pela imensa presença de jogadores do esmeraldino como Túlio Maravilha, Carlos Magno, Ildemar, Túlio, Carlos Alberto Santos e outros notáveis da Serrinha.

Em tese, sou um jornalista que não me identifico com nenhum time brasileiro, embora torça para Goiás, Vila Nova, Atlético Goianiense e qualquer clube goiano conseguir  façanhas no futebol praticado neste País continental. O time da Serrinha precisa e merece um título nacional, imitando Bahia, Coritiba, Atlético Paranaense, que já foram campeões brasileiros sem ter a história dos times de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Buscando uma argumentação mais forte, lembro que o Túlio Maravilha foi três vezes artilheiro do Campeonato Brasileiro, sendo uma vez pelo Goiás e duas pelo Botafogo. O Goiás tem tradição, estrutura, respeito e comando para levantar um troféu e Goiânia é uma cidade maravilhosa para se viver, embora tenha os mesmos dilemas das metrópoles brasileiras. O futebol atual não vive sem patrocínios e este é o diferencial das grandes conquistas, seja pelo Brasileirão, Copa do Brasil e até Libertadores. Para refrescar a memória recente do torcedor recordo que o Goiás foi vice-campeão da Copa Sul-Americana, perdendo apenas nas penalidades. E também já foi vice-campeão da Copa do Brasil, perdendo a final para o Flamengo, empatando no Serra Dourada depois de ter perdido de um a zero no Maracanã, um elenco que tinha Niltinho, Túlio e Luvanor. Com uma sólida estrutura e rica biografia em competições, já está passando da hora do esmeraldino sonhar alto e ter um título nacional, valorizando ainda mais a sua trajetória gloriosa. Não é vergonha dizer isso, mesmo porque cada Imprensa torce pelo clube de seu Estado. Chega de ser apenas coadjuvante, ou seja, não sendo rebaixado, mas também não beijando o troféu de campeão, justamente num futebol que para cada Neymar tem 10 jogadores comuns correndo atrás da bola nos estádios.

Depois do humilhante 7 a 1 para a Alemanha o futebol brasileiro mergulhou em uma nova realidade, buscando formas de valorização da base, visto que muitos jogadores saem das categorias de base e já vão para a Europa ganhar em dólares por seus talentos. O elenco atual do Goiás pode ser campeão brasileiro, pois o que vale é o conjunto, o entrosamento que se consegue com o decorrer das partidas. Não é só de Erik que vive o clube goiano, buscando outras formas de jogar, e olha que sou de um tempo que o futebol tinha ponta direita, ponta esquerda e centroavante, em outras palavras, Niltinho, Dimba, Linconl, Túlio, Dil, Raimundinho, Cacau, deixando seus nomes consagrados na história da bola.

A paixão nacional passa pelo Centro-Oeste e o time da Serrinha vai coroar sua trajetória com um título, pois o Periquito pode bicar grandes times e mostrar sua cara, sua realidade, já que o futebol vive de conjunto e patrocínios. O olhar bairrista evidencia uma certeza: o nivelado futebol brasileiro sai do eixo Rio-São Paulo e vai para o cerrado transformador. Os inquilinos notáveis do Serra Dourada merecem gritar “é campeão”. Viva o time do Goiás, relíquia das mais belas e caras disputas de nosso futebol, desde aquele heroico 4 a 4 contra o Santos na Vila Belmiro, com o rei Pelé e companhia. Não por coincidência o jogador que também chegou ao milésimo gol é goiano. Respeito é bom, e Goiás deve ser bem olhado no futebol, sobretudo com um título nacional, para enriquecer a estante da Serrinha e a autoestima dos goianos.

 

(José Carlos Vieira, escritor, jornalista do Jornal Folha da Cidade, Rio Verde, E-mail [email protected])

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