Opinião

VII Encontro dos Porangatuenses Eu sou como a lenda do índio, morro por Angatu

Graça Estrela,Especial para DMRevista

diario da manha

 

Acontece em Goiânia, de 2 em 2 anos, um encontro onde os porangatuenses se reúnem em algum lugar para matar a saudade da terra, rever amigos, fazer homenagens, aplaudir a amizade que existe entre os conterrâneos, enfim para relembrar os tempos vividos na terra de Angatu.

Encontro de amizade, de afeto, de amor pelas suas raízes, terra que deixamos para trás, mas a carregamos no coração aonde quer que estejamos, esse é o motivo pelo qual escrevo sobre o tempo em que vivi em Porangatu: foram 15 anos, me considero meio porangatuense (lembrando que sou de Ipameri-Goiás).

Como vocês, eu escrevi parte de minha história em Porangatu, uma história de amor, lá tive as minhas filhas e era muito feliz.

A nossa história está escrita como a dos grandes desbravadores, chegamos quase juntos com os índios em 1965, o Velho Descoberto ainda contava a lenda do índio que morria de amor por uma índia chamada Angatu e a lenda da Fonte do Milagre corria solta.

Naquele tempo éramos jovens com o coração cheio de amor e de esperança, plantávamos sem condições, fazia sol ou chuva, jogávamos a semente e esperávamos a colheita. Os frutos vieram de uma luta pela terra, que queria ver crescer e desenvolver, porque ali quem chegava apaixonava.

Foram muitos anos de crença e ilusão. O progresso era uma questão de tempo. O tempo passou criamos raízes, laços, éramos uma só família. Vimos nossos filhos nascer e crescer.

“Penso que cumprir a vida seja simplesmente compreender a marcha e ir tocando em frente”…

Sem energia, as caminhadas noturnas pela Av. Federal era o programa diário. Sem internet, sem TV, com ferro de brasa, banheiro de balde, lampião á gás para ricos e lamparinas e candeias de azeite para os pobres… A gente ia tocando a vida!

A vida pacata nos fazia acreditar que éramos felizes. Sem problemas a felicidade morava ali. O importante era o amor, os laços criados, a amizade, o carinho do povo.

A água de cisterna não era tratada, mas não fazia mal!

A mulher guerreira deu seu nome a pequena cidade e com ela surgiram os primeiros sinais de desenvolvimento:

A Casa Camapum, o Hospital do Dr. Trajano, o da Dra. Dorila, a Farmácia do Tomezinho, a Fármacia do Seu Joãozinho, a do Zé Borba, a primeira farmácia da Dona Orfilena, a pensão da dona Mercedes, a das duas irmãs a Mãe Chica, o Posto do Herculano, o Mercadinho do Galdino, onde comprávamos na caderneta,o restaurante da Irá, o Hotel do Seu Terencio, o escritório de contabilidade do Senhor Valdemar Amaral, a casa de tecidos do Seu Joanito Cavalcante, o correio a Dona Hilda, da Edmar, o telegráfo que foi enviado pelo então Presidente da República Costa e Silva a pedido do bancário do Banco do Brasil, Genésio David Amaral,e muitas outras entre elas a casa bancária Banco do Brasil e com ele chegamos nós.

O Cine Teatro Araguatins do Pinheirão, iniciava o filme, de repente faltava a energia, ele ia para a frente do palco e contava o resto do filme para os frequentadores, isso era peculiar dele.

A Belém-Brasília chegou bem depois, estava em construção. O asfalto era o sonho de todos os moradores.

Era preciso poesia para iluminar e o Gilson Cavalcante surgia com seus poemas.

E agora nossos filhos já caminhavam, precisavam de escola!

Mas tinha a professora Osvaldina, o grupo escolar da professora Marli Dourado, o colégio das irmãs, o reforço da Marilene, o professor Fidelis, a grande dama do ensino tinha a Dona Messias, aulas noturnas, autodidata, além de seu tempo.

A Clenita na Educação Fisica, a Ana Braga no Ginásio.

Na saúde tínhamos a Dona Sabina, parteira de mão cheia, a Izabel da Malária, a Dona Emilia, a Tereza Américo, professora exemplar, grandes sábias, a Isoldina.

Eu mantive uma escolinha de Jardim de Infância e Alfabetização por 15 anos na Rua 14, grandes cidadãos porangatuenses foram meus alunos. Ah! que saudades!

Era muito raro chegar um jornal, mas ouvíamos no rádio as notícias e a política era colocada em dia com os grandes políticos da época: João Gonçalves dos Reis, Seu Gotti, Seu Moacir Freitas, Angelo Rosa, Eusebio Martins, Domingos Veloso, Manoel Rodrigues do INSS, Jovino Rodrigues, Chico Borges, Adelino Americo, Joanito Cavalcante, Valdemar Amaral, Pedro Cunha e outros. O Cinco de Março chegava atrasado.

O Basteão era o ecologista da época, protegia os animais.

O prefeito na época era Pedro Teixeira, meu inimigo político, dizia que eu era subversiva, me perseguia politicamente, o pior é que éramos vizinhos de porta e minha filha não saía da casa dele.

Em 1970 ouvimos a Copa do Mundo pelo rádio.

Todo mundo ama um dia e um dia a gente vai embora. Já estava chegando a hora da partida. E agora? Cada um compõe a sua história, a gente chega de mansinho e de mansinho a gente bate asas e voa, num voo colorido desaparece.

Mais de 3 décadas se passaram e os filhos de Porangatu ficaram na terra, ajudando-a a crescer, jogando as sementes. Acreditaram na sua força, na força que teria um dia. Hoje Porangatu brilha no cenário nacional e seus filhos colhem o que plantaram naquelas glebas da esperança.

Eu sou como a lenda do índio: morro por Angatu!

 

(Graça  Estrela, artista plástica)

 

VII  Encontro  Porangatuense na Chácara Aldeia das Flores

Quando: Hoje, 9h

Onde: Saída  para Inhumas Rod. 070 Km 06

Valor: R$60,00 o ingresso

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