Opinião

Capital, instrumento valioso da humanidade, ou lastimoso?

Josias Luiz Guimarães ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

O capital, para a maioria, vem a ser a alavanca motora do progresso, bem-estar da sociedade, para a minoria, bicho papão, inimigo cruento dos povos oprimidos. De fato, não sendo ele bem administrado, racionalmente aplicado, muda de casaca, é o que acontece quando seu próprio guardião, governante, nas esferas nacional ou mesmo internacional, caso recente da Fifa, na área Internacional, em nosso caso, campo interno, o surrado Petrolão, ambos, gerenciando, de forma perdulária, verbas oriundas de impostos pagos pelo povo.

Em quase todas as repúblicas de fachadas derrubadas pela primavera árabe, seus dirigentes fantoches manipulavam fortunas maiores do que o PIB de cada país, pois, agregado a eles, havia os apadrinhados, como no nosso império: cortes, familiocrácias, acumulando fortunas à sombra do poder. Daí a máxima de Lord Äcton, Câmara dos Lords, Inglaterra, “O poder corrompe, o poder absoluto, corrompe absolutamente”, por isto, o conhecimento, politização da sociedade, alternância do poder, por meio de eleições livres, voto secreto e consciente, constitui postulado sagrado da democracia.

Pense mais alhures leitor, nos paraísos fiscais, de repente, sobressaltado por imenso relâmpago, como bola de cristal, aquela dos filmes miraculosos, rebento da imaginação cinematográfica, de forma incandescente mostrando, ao mundo, toda fortuna, capital, ali escondido, demais, seus respectivos depositantes? Os grandes bancos, agentes financeiros privados, em ato uníssono, solidariedade universal, quebrando sigilo de todos grandes depositantes, natural, com o consentimento deles, um gesto ímpar para honrar a história? As heranças rentistas, somadas aquelas amarantistas, incontidas, pelo impacto colossal, também aderissem a grande onda alvissareira? De repente, os senhores das guerras, ou seja, os fabricantes de armas, em interação com a intermediação gananciosa responsável pelo seu tráfico, unidos, proclamassem o fim, abandono, tanto da fabricação como de seu comércio infame?

De fomentadores da guerra convertessem, num passe de mágica, a defensores insignes da paz mundial, elegendo as Nações Unidas, depositária de toda lucratividade do negócio mortífero, quase tão lucrativo, quanto o comércio de drogas? Natural que, desmantelada a fabricação de armas o capital continuaria a ser investido, em outras atividades rendosas, como habitações, portos, rodovias ferrovias, oxalá, a do pacífico, florestas, alimentos. Adotassem, além disso, atitude de fazer chorar Anjos e Arcanjos, propugnando-se à missão ultra beneficente de acompanhar, par e passo, a aplicação do bendito fundo, um fundo socioeconômico, associado a convergência de nações e pessoas?

Atente para outra, de tirar o chapéu, corruptos e corruptores espantados, espanto filosófico que aludia Platão, mas, elucidado por Aristóteles, discípulo de Platão: perplexos, pela ignorância momentânea, não sabiam que ela poderia ser dissipada, pelo conhecimento. O espanto deles poderia até, a princípio, confundir-se com o filosófico, mas, na dura realidade, seria, melhor entendido, como colérico-hilariante. Com efeito, ante a impossibilidade de reverter tamanha decisão imaginária, unilateral, dos paraísos fiscais, despejando farofa nos seus ventiladores, lastimosos, porém, impotentes, em continuar amoitando o imenso patrimônio afanado da sociedade contribuinte, por meio de superfaturamento, o caminho, mais condizente, mesmo com azedume mesclado de ira, consolo, encimado pelo desconsolo, era alegar ignorância, e, de forma inusitada, propugnar pela mesma causa dos senhores da guerra, construindo, com adesão de miríades de outros, fundo gigantesco advogado, com o fim de promover a convergência entre nações e pessoas.

Alardeia ele, em pesquisas gravadas na sua grande obra, que, ao longo de séculos e mais séculos, a renda das fortunas, capital, vem aumentando mais, bem mais, do que o crescimento econômico. Enquanto este cresceu, ao longo de séculos, em média, 1,5 a 2,5%, ao ano, o outro, capital das fortunas, cresceu, em média, 3,5 a 5%, ao ano. Por conseguinte, essa diferença em beneficio do capital, ao longo do tempo, vem passando a perna, como os corruptos ao superfaturar o erário público, na sociedade mais pobre, ao não permitir melhor distribuição de renda, no mundo.

De sorte que, em vez de promover a tão almejada convergência, entre nações e pessoas, o que vem acontecendo, é a divergência, concentração da riqueza, nas mãos da minoria abastada. Entretanto, admite, neste cenário, certos períodos, como o compreendido pela primeira e segunda guerra mundial, onde a convergência ganhou mais terreno, atribuindo como causa mor, atuação dos líderes da época, confisco de fortunas, pela própria guerra, principalmente, o estado social caminhando a frente do patrimonial, destacando-se, na Europa e Japão, o Plano Marshall, de reconstrução e melhoria do padrão de vida da  população arruinada pela segunda guerra mundial, patrocinado, pelos Estados Unidos da América do Norte.

Fundado neste descompasso, maior crescimento do capital, do que o crescimento econômico, iluminando, mais ainda, essa discrepância, cita a média mundial do PIB, de 1700 a 2012, baseado, nas melhores estimativas, segundo ele, de 1,6%, nos três séculos. Para corrigir tamanha divergência, ele sugere a instituição de fundo mundial destinado a diminuir essa defasagem crescente, como dito, convergência perdendo de forma continua, fôlego, para a divergência. O percentual, para tamanho fundo, variaria de 0,1 a 2%, consoante o tamanho do bem, fortuna, capital. Entrementes, fundos, ele mesmo admite, já existem muitos, nestes muitos, aqueles alimentados pela renda do petróleo, no mundo árabe, Noruega, outros tantos vinculados a fundações, universidades americanas. São, na realidade, centenas de fundos, no entanto, o pensamento de Pikety, salvo juízo mais acurado, está consubstanciado a um fundo Universal, portanto, acessível e aceitável por cada um e válido para todos, todos patrícios marginalizados da sorte.

Penso eu, fundo dessa natureza, jamais poderia ser paternalista, portanto, teria que estar associado ao princípio filosófico, qual seja, o de ajudar a sociedade, pessoa a beira da penúria, a ajudar a si mesma, por meio de outro princípio, agora técnico, ou seja, o fazer fazendo, ele e sua família, assistido, bem instruído, pelo tal fundo, participando, com o trabalho, trabalho como um eleito de Deus, portanto, honesto, da construção de sua própria emancipação socioeconômica. A instituição, deste fundo, em percentuais amenos, como descreve, carece de muita disposição, participação da sociedade, suas entidades representativas, imprensa sua maior aliada. O desafio maior é a transparência, eficácia na aplicação dos recursos, mesmo, com as Nações Unidas gerenciando o que viria ser o maior de todos fundos, constituído, por pequeno percentual do capital mundial. A ciência, técnicas, tecnologias, com o perpassar do tempo, era da transitoriedade: as coisas acontecem num piscar de olhos, facilitará, em muito, a sua implantação.

Contudo, há que se pensar, no outro lado da moeda, ocupados pelos inimigos do trabalho honrado, honesto, os corruptos e corruptores. A convergência, em certos períodos áureos, permitiu como admite Piketty, o surgimento de uma classe média patrimonial substancial, pois, abarca, atualmente, cerca de um terço da população mundial. Sem sombra de dúvida, o conhecimento, associado à tecnologia, muito contribuiu para sua formação, como classe independente, tanto pelo patrimônio, como pela cultura, fundada no saber, lume seguro de equilíbrio, sustentação, equilíbrio do planeta, entre direita e esquerda, enquanto os meios constituídos pela classe média vem sendo a causa benfazeja, redentora da humanidade, os extremos: direita e esquerda, tem sido, a causa de sua dilaceração. Mãos a obra leitor, faça corrente, forme opinião.

 

(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em filosofia política, pela PUC-GO, produtor rural)

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