Opinião

Crianção Índigo: a lição do jardim

Emílio Vieira ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

Assim como desde cedo começou a desenhar flores, Maria Eduarda sempre teve íntima relação com o jardim. Ofertar flores era uma maneira de expressar sua afetividade. Um só jardim seria pouco para atender à sua demanda de pétalas coloridas e perfumadas.

Assim como conversava com entidades invisíveis, sempre revisitava espiritualmente Mãezinha representada num retrato exposto na sala de visita, em tamanho natural, e com ela se comunicava oferecendo-lhe flores. Ao seu vovô querido não faltavam braçadas de flores acompanhadas dos galhos verdes com botões ainda se entreabrindo, o que dava a impressão de uma depredação do jardim.

Um dia procurei lhe esclarecer que as flores ficariam mais bonitas se deixadas expostas no jardim, como Deus as fez. E que não deveríamos quebrar os galhos das roseiras com as flores novas ou ainda por nascer. Que poderíamos ir juntos escolher as flores que nos esperavam cada manhã.

No dia seguinte recebi novas braçadas de rosas e outros tantos botões entreabertos, colhidos da mesma forma, sempre ao frescor do seu impacto a cada reencontro com o jardim.

Perguntei-lhe, sem recriminar, por que continuava a arrancar as florezinhas dos seus talos no lugar onde eles brotariam toda manhã? Ao que ela respondeu, perguntando: as flores não murcham? De que servem as flores murchas, vovô? Caí o queixo.

Beijei-a, coloquei uma das flores escolhidas por ela no seu cabelo e depositei as demais num recipiente de cristal, pensando em nunca mais retirá-las dali. Até hoje sinto o perfume dessas rosas colhidas do éden de meu anjo visitador.

Foi com minha neta que aprendi que as flores são efêmeras e servem para enfeitar as manifestações da alma e que, se reprimidas, murcham como as flores. Como diria Oscho, a criança tem um rosto parecido com o rosto de Deus, mas Deus é menos parecido com a flor do que com a sua fragrância.

 

(Emílio Vieira, professor universitário, advogado e escritor, membro da Academia Goiana de Letras, da União Brasileira de Escritores de Goiás e da Associação Goiana de Imprensa)

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