Opinião

Cuidado com o colírio

Leopoldo Magacho,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

Pode até parecer inofensivo, um medicamento que muitos procuram para umidificar os olhos, provocar alívio, retirar o ardor e a vermelhidão, sintomas muito comuns nessa época seca do ano. Mas “colírio” nada mais é que a via ocular de apresentação de um medicamento, cada um tem sua composição e, claro, uma finalidade. E são muitas!

Muito cuidado deve ser observado naqueles colírios com corticoides entre os seus princípios ativos, que podem ser usados, por exemplo, desde o acompanhamento pós-operatório ocular até de forma controlada para o tratamento de conjuntivites. O grande problema é que, passado o tempo solicitado de uso, e combatido o mal, muita gente acaba guardando o colírio. E passam a usar sempre quando há qualquer incômodo. É mais uma face do grande mal que é a automedicação.

O uso indiscriminado de corticoides pode levar ao glaucoma e à cegueira. Os índices de glaucoma secundário são maiores com os colírios, mas pode acontecer com qualquer via de administração do medicamento. É a principal causa de glaucoma induzido e responsável por um grande número de baixa visual e cegueira evitáveis. É por isso que a Sociedade Brasileira de Glaucoma defende a venda de corticoides apenas com a retenção das prescrições, de maneira semelhante ao que já é feito com os antibióticos. Sem dúvida não é a resposta para tudo, já que o ideal é a procura por um especialista, sempre que houver um problema. Mas esse ato simples de reter a receita pode evitar um grande número de pacientes cegos por glaucoma.

O glaucoma continua sendo um mal silencioso. Na maioria das vezes não produz sintomas até estágios avançados. É a principal causa de cegueira irreversível, com mais de 10 milhões de pessoas bilateralmente cegas no mundo. Nos Estados Unidos, apesar dos avanços registrados, apenas metade dos pacientes com o glaucoma estão em  tratamento. No Brasil, apesar de não existir dados concretos, acredita-se que o desconhecimento aparentemente é ainda pior.

Essa é uma discussão que deve ser levada à frente pela comunidade médica e pela sociedade. É preciso ampliar a cultura dos bons hábitos, que começam por atitudes preventivas, como a alimentação equilibrada, a prática de exercícios físicos e a visita regular a profissionais que garantam a detecção precoce dos males que estão presentes no dia a dia. Adotando este estilo de vida, estaremos menos sujeitos a surpresas indesejadas.

No caso do glaucoma induzido por corticóides, esse mal pode e deve ser evitado. Em outros tipos de glaucoma, pode-se não evitar seu aparecimento, mas podemos manter a saúde ocular com um diagnóstico e tratamento nas suas fases iniciais. Em todos os casos, o objetivo final é manter a qualidade de vida. E isso começa pelo comprometimento e conscientização de todos nós.

 

(Prof. dr. Leopoldo Magacho – secretário-geral da Sociedade Brasileira de Glaucoma, professor da Faculdade de Medicina e da pós-graduação da UFG e chefe do Setor de Glaucoma do Cerof-UFG)

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