Opinião

O Tambor um romance de sucesso

diario da manha

A recente morte do agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura de 1999 – o polonês Günter Grass – despertou meu interesse em conhecer a obra que o tornou mundialmente reconhecido como grande escritor. Trata-se de O Tambor.

O Tambor é um romance extenso (700 páginas) e já completou seu cinquentenário. Os escritos têm como tema central a vida de um menino que se recusa a crescer no momento que o pai lhe revela que, quando adulto, terá de tomar conta da loja da família. O menino em questão é Oskar.

Filho de Alfred Matzerath, mas sem nunca ter a certeza de que esse é seu pai, visto que sua mãe tinha um caso amoroso com Jan Bronski. Oskar ganhou um tambor de presente e deste não se separa mais na sua vida.

O personagem central do romance consegue partir vidros com um grito terrível. Por essa razão, tornou-se chefe de uma gangue que assaltava joalherias. O grito de Oskar quebrava tudo, só não os vitrais da igreja. Seria uma crítica à força que tinha essa instituição em seu país natal – a Polônia?

O romance se desenvolve, em grande parte, nos anos da Segunda Guerra Mundial indo especificamente um pouco além desses, precisamente até 1954. Sem nunca crescer, Oskar acompanha um grupo de anões encarregado de divertir os soldados no front de guerra. Nos anos pós-guerra, Oskar vai tocar seu tambor num grupo de jazz.

Vivencia o personagem uma sexualidade imaginária (creio eu) com Maria, que se casa com seu pai após a morte de sua mãe. Ela acaba tendo um filho – Kurt – que Oskar, na sua imaginação, sempre pensou ser dele. O personagem central de O Tambor acaba internado num sanatório acusado de um crime que não cometeu. Vive nesse sanatório de lembranças  sob os cuidados do enfermeiro Bruno.

O Tambor consagrou Günter Grass como escritor de primeira linha pela grande metáfora que ele conseguiu construir com essa história, ao tocar numa das feridas que poucos ousariam falar, quanto menos escrever naqueles sofridos anos após a Segunda Guerra Mundial. Trata-se de uma dura crítica à Alemanha de Hitler.

Pontos altos, como a invasão da Polônia pelos russos e personagens defensores do nazismo (Alfred Matzerat) e do judaísmo (Jan Bronski), dão universalidade à obra do imortal e merecido Prêmio Nobel Günter Grass que, infelizmente, já não está mais entre nós para tornar o mundo melhor com a sagacidade de sua crítica.

 

(Salatiel Soares Correia, engenheiro, bacharel em Administração de Empresas, mestre em Planejamento, autor, entre outras obras, do livro Cheiro de Biblioteca. Obras e personalidades que fazem nossa época)

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