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OPINIÃO

Até quando o Brasil assistirá passivo a consolidação de uma ditadura

Tristes, pasmos e incrédulos, vimos o encerrar do dia dezessete de dezembro de 2015, como um triste marco na história do Brasil, quando um Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte judiciária do país, inacreditavelmente, se opôs a noventa e tres por cento da população brasileira que pede a saída da presidente Dilma, como uma única saída para tira-la da crise, da inflação ascendente, do desemprego e, sobretudo, da desenfreada corrupção que se instalou nos mais diversos órgãos do governo federal nos últimos treze(olha esse triste número aí) anos, e vai se espraiando, contaminando em efeito dominó pelos outros demais poderes da federação, com escândalos e desfalques de todas as ordens e naturezas..

Embora não estivesse diretamente em julgamento  o que ardentemente anseia  a quase totalidade dos brasileiros, foi uma verdadeira pá de cal, uma ducha de água gelada recaiu sobre a esperança dos brasileiros, quando um Supremo, hoje composto pela sua maioria indicada  nos três últimos governos, numa verdadeira judicialização da prática politica no Congresso, opinou e, por consequência, determinou que ali é para se funcionar nos moldes que, coincidência das coincidências, atende aos gostos dos atuais ocupantes do palácio do planalto os mesmos que, reitere-se, são os responsáveis para que quase todos os doutos, competentes e sábios membros da Alta Corte, nela estejam.  .

Essa trista decisão,portanto, torna quase que impossível o impeachment chegar a algum  lugar que não seja o seu arquivamento, e aí, tome mais sacrifícios povo brasileiro, mais lava-jatos, mais mensalões, mais postals, mais BNDEs com sua caixa preta, etc, enfim, a tudo possibilitando para que à exemplo de algumas outras republiquetas da América do Sul, também nós nos vejamos sob a continuação do jugo de tantas bandalheiras, tantos desvios de dinheiro público, tanta corrupção e total desgoverno.

Lá bem distante quando ainda nos primórdios desse partido que hoje comanda o governo federal, todos os seus militantes e simpatizantes diziam com grande orgulho que nenhum dos seus membros aparecia em qualquer ato de corrupção, sendo que hoje impossível é que haja uma corrupção sem que a grande maioria dos seus autores(quase sempre todos ou a eles ligados) que não seja dos seus quadros.

Triste realidade para um bando de dissimulados que se travestiam de campeões da justiça, da moralidade, da ética, quando na verdade o que quase todos queriam era se ajeitar na vida(basta se ver o número de petistas já presos e os que estão em vias de, muito breve também receber "hospedagem" em algum presidio).. Inclusive a economia pode até se aquecer via construção civil, se se houver vontade da justiça e interesse em punir tantos ladrões, pois a construção dos presídios necessários e suficientes para acomodar tantos ratos que se acomodaram e se refastelam em cargos públicos, essa medida poderá gerar milhares de empregos, pois terão que ser muitos mesmo, quiçá centenas deles.

Infelizmente essa decisão do Supremo Tribunal Federal vai nos levando para um caminho cada vez mais restritivo e num processo bastante perigoso para até então vigente democracia brasileira, pois ao mesmo tempo há o fortalecimento de um governo que sempre teve pendores para a censura da imprensa, para limitação de direito diversos, etc) e mesmo que enfraquecido, debilitado ao extremo na opinião popular, ainda busca se encorpar através de mecanismos que graças ao enorme cipoal de normas legais brasileiras, permite( na interpretação que cada ministro faz do dispositivo analisado) que, mais uma vez, seja a grandíssima maioria da população a verdadeira prejudicada, em prol de interesses que nada tem de público, de coletivo, mas com o exclusivo fito de proteger, de resguardar àquilo com que anseiam os governantes, no presente caso, a ocupante do palácio do planalto que mesmo contra vontade da quase totalidade do povo brasileiro, teima em ali permanecer.

Tivemos nas eleições passadas a grande oportunidade de escorraçar, de mandar embora quem assim estivesse limpo para tanto, e que para a cadeia fossem todos os que a merecem mas, infelizmente, uma pequena parcela da população brasileira, por interesses sabe se lá quais, superaram a então quase metade dos eleitores e, então tudo permaneceu como já vinha: mensalão, lava-jato, Postals, senadores sendo presos enfim, a continuidade do que se instalou nos últimos treze anos. Corrupção, corrupção e corrupção pelos mais diversos setores do governo federal. Ante tal estado de coisas, tristemente só nos resta torcer para que isso logo chegue ao fim, pois até quando o Brasil assistira passivo à consolidação de uma ditadura cuja bússola é a corrupção?

(José Domingos, jornalista, auditor fiscal, professor universitário, escritor e poeta)

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