diario da manha

A língua portuguesa tem um vocabulário riquíssimo. Quase todos os vocábulos portugueses possuem a imprescindível letra “A”. Basta folhear um dicionário para perceber isso. A princípio, muitos acreditam ser impossível escrever uma frase ou um texto sem empregar a letra “A”. Porém, é possível. Para provar, transcrevemos abaixo dois textos. O primeiro é de autoria do saudoso jornalista goiano Geraldo Valle, sob o título “Sem a Letra A’’,transcrito do jornal da AGI-janeiro-fevereiro/2002, página 4: “Se quisermos, poderemos escrever muito bem, omitindo o emprego de elementos tidos como imprescindíveis. Rico é o português e nos permite um sem número de efeitos e modos diferentes de dizer e escrever com bom gosto, com correto e distinto porte. Mesmo em estilo simples, despretensioso, muito se pode conseguir. Porém, incluindo termos menos comuns, pode-se ter o luxo de desenvolver extensos discursos e escritos diversos sobre muitos motivos e teses diferentes. É possível escrever sem o “O”, sem o “I”, sem o “B”, sem o “R”, sem o “P”, enfim, isso pode ser feito como escolhermos. Por exemplo, sem verbos, sem conjunções, sem pronomes e outros. Depende só do início e de um breve treino. Prosseguindo, pois, vou expondo, neste simples e breve comento o que ficou dito, e provo que é possível, escrevendo estes conceitos sem nenhum emprego do elemento referido no título deste tópico. Todo médio escritor e todos os estudiosos e curiosos podem conseguir o mesmo sem temer o encontro de difíceis trechos. O verbo sublime sempre explode fecundo, se o homem, movido de puro intento, insiste no esforço meritório de produzir o belo e útil. Nobres leitores: deixo-lhes este convite: brindemos sempre o nosso português com o justo conceito que lhe é devido. Devemos reconhecer sem indiscutível mérito. Devemos promover de todos os modos o prestígio que ele deve ter no consenso do mundo. Com nosso perene fervor, honremos o que é nosso!” O segundo texto é de autoria de Magno Alves de Araújo, in:www.palavrasnaweb. blogspot.com.br: “Tudo requer muito equilíbrio psicológico, pois o nosso viver, o nosso mundo,tudo que se move, se bebe, que se come e dorme requer o devido equilíbrio. E equilíbrio é sempre um jeito de ser. Um pensamento moderno deste novo século é o de que preciso ser, eu me pergunto: “Eu sou? Estou? Eu existo? Eu quero? Eu vivo?” Sim! Eu vivo! É só o que sinto. Vivo num mundo sofrido, pobre de espírito, poderoso, sem motivos nem objetivos. Pode ser novo ou velho, rico ou pobre, solteiro ou viúvo, feliz ou triste. Vivemos sós e nenhum de nós persiste muito em viver, em querer, no nosso compromisso um com o outro, no motivo… que motivos temos em nosso mundo com gente morrendo de fome, de sede, com suicídios, enfim, mortes e mortes e mortes.(…)”

Na próxima edição serão publicados textos Sem Verbo.

 

(Tannous Hanna Ajouz foi professor e diretor do Colégio Estadual Vital de Oliveira; professor do Ensino Médio da Escola Paroquial; funcionário da agência local do Banco do Brasil; secretário municipal de Educação e Cultura)

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