Opinião

Mágicos sem credibilidade

diario da manha

Os economistas do Banco Central andam parecendo técnicos, virando cuidadosamente botões enquanto ajustam a economia, ou magos, manipulando o público para a suspensão do pessimismo. Na maioria das vezes ele são os maestros da moeda, que empurram a taxa de juros para cima ou para baixo com precisão meticulosa. No entanto, em caso extremos, como quando as economias ficam presas em um baixo crescimento, os economistas devem evocar uma mudança no panorama econômico, nas expectativas do povo. E assim como mágicos inseguros geralmente falham em realizar seus truques, os economistas do banco central estão encontrando seu público em um clima cada vez mais cético, sem acreditar em suas fórmulas mágicas.

Os economistas há muito tempo reconhecem o papel da psicologia de massa nos ciclos econômicos. Em 1936, John Maynard Keynes descreveu os “espíritos animais” que poderiam conduzir oscilações nos gastos ou investimentos. O poder de uma mudança abrupta nas crenças do mercado veio acentuadamente em foco no início dos anos 80, quando muitas economias estavam lutando para reprimir a inflação persistente, como no Brasil. Os economistas da época estavam preocupados que o uso de taxa de juros para conter a inflação seria extremamente caro para o estado. Porque o povo já tinha expectativa para uma inflação elevada, já reconheciam sua existência. Acabar com a taxa de crescimento era necessário para forçar os preços para baixo, criando novas expectativas nos consumidores. Nos Estados Unidos, a expectativa era que, na época, diminuir 1% da inflação com ação do estado teria um dano econômico de quase 10% no PIB do país.

Thomas Sargente, um ganhador do nobel de economia, questionou essa lógica. Em um artigo publicado em 1982, ele apontou que episódios históricos de hiperinflação não terminaram lentamente, enquanto os bancos centrais enfiavam o país em recessão, mas da noite para o dia. Uma “mudança de regime” abrupta, com um autor com credibilidade na política, poderia realinhar as expectativas populares, quase que instantaneamente e mudar o panorama de um país. Se as pessoas acreditassem na promessa do governo para deter a inflação, então, em princípio, o ajuste pode ocorrer rapidamente e funcionar.

E é esse o grande problema que o Brasil enfrenta hoje. Ninguém acredita no governo, no Banco Central ou em qualquer ministro. Qualquer coisa que tentem fazer, será visto com desconfiança. Quando uma economia é fraca como a nossa, uma dose de más notícias fazem as pessoas repensarem suas expectativas em relação a inflação e crescimento, e é exatamente esse pensamento dos consumidores que muda os caminhos que a economia traça.

O estado precisa recuperar sua credibilidade. Mas com aprovação de 9%, isso parece uma missão árdua, e muito, muito, distante.

(Matheus Cruvinel é o Editor de Economia do Diário da Manhã)

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