Opinião

Nos autem gloriari opportet in cruce domini nostri Jesus Cristi

diario da manha

Nós nos gloriamos da cruz mas onde está o Cristo para o Cristo? A glória da luz é a maior prova que o cristão novo pode experimentar ao se libertar do homem velho; visto pela fé é o homem de encontro à cruz; esbarrar nela é negar a si mesmo, é renunciar ao mundo, é seguir o cordeiro de Deus que foi imolado sob o aguilhão da dor mais pungente que uma criatura pode sentir. O verdadeiro cristão sente nos ombros o peso da cruz de Cristo, caminha combalido com o magnetismo do seu amor, sonda o seu íntimo e sobressalta-se com a doçura de um mel que lhe serve de bússola fiel para seguir os caminhos de uma vida de credibilidade; sua alma regozija agora porque é uma pobre criatura sedenta de uma inabalável fé que o coloca de joelhos submetendo todo o seu corpo, todo o seu espírito e a sua inteligência à prova última que é o reconhecimento do amor. E eis que então se gloria ao se levantar sentindo o peso de uma cruz.

Mas quem é este que poderia realmente suportar a dor de Cristo? Quem poderia resistir à inebriante glória da luz, a avassaladora dor diante da visão do opróbrio, se despojando da sua contabilidade de vitória, farisaico, fundamentado em glórias mundanas? Quem é este ou qual de nós poderia apresentar o seu rosto ensanguentado e cuspido com a Face do rei?

O Apóstolo anuncia as promessas que Cristo cumpriu na cruz como realidades presentes no mundo. Irra! Que beleza! Quando alguém está em Cristo é uma nova criatura, e pode-se dizer: o que era velho desapareceu, vede, tudo é novo! (2 Cor.V,14). A ceia do Senhor representa a anunciada imolação de Cristo. O seu símbolo de sofrimento que se transfigura na cruz de hoje é o quadro mais belo na história do mundo. Cristo quer ardentemente, cristão, que você faça com ele a sua travessia. Pegue, portanto, irmão, a ponta da meada, não se perca no emaranhado de novidades superficiais que o mundo trouxe para encobrir a novidade essencial e única. Isaías profetizou: “Não penseis mais nas coisas velhas, nem cuideis das passadas! Eis que vou realizar algo de novo. Já está brotando: Não o notais? Sim, eu traçarei pelo deserto um caminho através do ermo lançarei o sulco de um rio (XLIII,18). Não é fácil na monotonia deste século de novidades pueris acompanhar a estranha alegria do Apóstolo: “Nos autem gloriari opportet in Gruce Domini nostri Iesus Cristi…” Mas não temos outra sinalização de caminhos fora dessa cruz para nós plantada que nos anuncia que a maior novidade é a novidade de Deus. A novidade que os homens esperam encontrar fora dessa cruz, não a encontrarão. Não, em vão a procurarão. Em vão, em vão procurarão.

 

(Edvaldo Nepomuceno, escritor)

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