Opinião

Uma análise psicológica do fanatismo religioso

diario da manha

Muitas visões diferenciadas sobre religião vêm repercutindo e dividindo ideias e mais ideais em toda sociedade contemporânea. Em meu último livro: Psicoterapia: O Despertar d’alma dediquei um capítulo sobre o assunto – religião e religiosidade, pois é fato que os psicoterapeutas gastem muito tempo e esforço para libertar as mentes dos pacientes das ideias e conceitos religiosos ultrapassados, que são claramente destrutivos.

Num momento tão importante e de grandes transformações mundiais deparamos com uma cegueira de fé religiosa nos caminhos do fanatismo e de grandes prejuízos para o indivíduo e sociedade como um todo.

Muitos profissionais da saúde que conheço são, sem nenhum critério, taxativos em, dizer que a sua religião é a correta. Uma marca de maturidade em cientistas, no entanto, é sua consciência de que Ciência pode ser tão sujeita ao dogmatismo quanto qualquer outra religião. O problema, então, é os humanos tenderem a acreditar em Deus, ou tendem a ser dogmáticos? É da crença em Deus ou dos dogmas que devemos nos libertar?

O profissional aprisionado a alguma crença religiosa específica, tenderá aprisionar todos os seus pacientes e a confusão pode ser danosa, pois um cego não pode guiar outro cego. Qualquer religião deve ser uma estrada que leva a libertação e não a prisão. Pois a “A melhor religião é aquela que transforma o Homem num Ser melhor” Dalai Lama.

A religião que cada um “pratica” deve ser por escolha e identificação; nunca por imposição e pressão de seus “seguidores” como se vê nitidamente em nossa sociedade comprada pelos milagres insanos prometidos por grupos religiosos.

O fanatismo é uma cegueira da própria identificação como ser individual e possuidor de livre arbítrio ou livre escolha.

Grupos fanáticos da Idade Média e, mesmo nos tempos atuais, têm levado pessoas a cometerem as mais desastrosas escolham e consequências que adoecem o indivíduo psiquicamente – o suicídio das Guianas, suicídios na véspera da virada do século XX, exemplo de fanatismo e suas consequências.

Com essa ideia absurda de que o mundo iria acabar no dia 21/12/12 observamos comportamentos dos mais absurdos de homens vivendo na era tecnológica e possuidor de muitas informações e ainda se comportando como “crianças assustadas”.

A influência da religião em nossas vidas é um fator inquestionável, entretanto, se a pessoa não buscar a uma reflexão consciente e a fé raciocinada a mesma corre o risco de se tornar refém de sua própria crença.

Sigmund Freud – Pai da Psicanálise – afirmou que religião é “uma neurose coletiva”, em suas devidas proporções Freud tem lá as suas razões. A Bíblia, “Livro” Sagrado, que não é um livro; mas a coletânea de vários livros, jamais deve ser interpretada ao pé da letra, como já foi feito na Idade Média e, pelo fanatismo busca-se e pregam-se os dogmas e esses paradigmas devem ser quebrados revistos e reavaliados numa visão racional e voltada para os tempos atuais. Os textos bíblicos devem ser interpretados de acordo com o avanço de todas as Ciências e não através do fundamentalismo conforme nos sugere Leonardo Boff. A Bíblia contém a palavra de Deus; mas não é palavra de Deus, pois são apenas palavras escritas pelo homem e não por Deus. É uma inspiração divina; mas numa linguagem humana.

Se me permitem exemplificar as três religiões predominantes no Brasil assim se resume: O catolicismo esquece as atrocidades e crueldades cometidas no passado – perseguição aos cristãos, inquisição que retardou a evolução da terra por mais de um século – prega ideias incoerentes sobre o “pecado” e mostra a facilidade em ser perdoado por um ser humano tão falho quanto qualquer outro, onde Homens se vestem de deus e diz sem nenhum critério Cristão – “a religião católica é a única religião verdadeira”. Quem não a seguir corre o risco da perdição eterna – critica Leonardo Boff – expulso da igreja católica por suas ideias espiritualista.

Os evangélicos e suas ramificações pregam um “deus surdo” e materialista que proverá todos seus sonhos materiais e, ainda pior, se apoiam em trechos bíblicos para se defender e levar aos menos esclarecidos uma maneira de enriquecimento através da ‘errada’ interpretação dos textos sobre o dízimo voltado para benefícios próprios de seus dirigentes. Utilizam-se, quase sempre, do velho testamento, principalmente, do livro “Deuteronômio” em que Moisés teve que proibir determinados comportamentos que envolviam a espiritualidade, de maneira radical para benefício daqueles que viviam naquela época alguns procedimentos religiosos voltados para o fanatismo. Estamos falando dos exageros e distorções e não da religião ao si.

O Espiritismo Cristão voltado para a comunicação entre os dois mundos e buscando a comprovação dos fatos através da Ciência. Prega a “reencarnação” ao invés da ressureição e a vida após a vida e muitas vezes buscando através da imposição de tais crenças e ignorando o estágio individual de cada ser que habita o orbe Terrestre.

Muitos seguidores desta doutrina tornam-se bibliotecas ambulantes, mas pouca prática se percebe ao longo de sua caminhada.

Muitos deixam seus lares, suas famílias “desamparadas” e se entregam aos trabalhos de sua religião. Acreditar que sua religião é melhor que a do outro e que a do outro está errada, contraria aos ensinamentos de Jesus.

Em toda religião há fanáticos e pessoas partidaristas e hipócritas.

Carl Gustavo Jung, disse que cem por cento de seus pacientes acima dos quarenta tinham algum “transtorno” ligado à religião ou algum conflito religioso.

O ecumenismo talvez seja o caminho mais acertado, quando todas as religiões se respeitarem e compreenderem que Deus é Único e que todos nós somos apenas UM, ou seja, conforme os dizeres de nosso Mestre: “Nenhuma ovelha ficará desgarrada” ou “na casa de Meu Pai há muitas moradas”; ou ainda: “Para ver o reino de Deus é preciso nascer da água e do espírito”.

“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, ninguém vem ao Pai se não por mim” – O AMOR, nosso único caminho para a salvação.

Sabemos que o comportamento desvela ao exterior a realidade íntima do ser humano. Nem sempre, porém, tal manifestação se reveste de autenticidade, pois que muitos fatores contribuem para mascarar-se o que se é numa demonstração apenas do que se aparenta ser.

De acordo com a maturidade ou não do ser psicológico, a comunicação padece dificuldades que somente poderão ser sanadas quando existir um propósito firme para o êxito sem o estorvo do fanatismo sob qualquer pretexto.

Há quase sempre uma tendência natural para o disfarce do ego – camuflado de religião única – quando prevalece um impulso dominante para a convivência, a experiência social, o diálogo. Aquele que discrimina qualquer religião deixa de ser Cristão e se torna um fanático e escravo de seu próprio ego.

A ausência de uma fé raciocinada e da razão – maturidade psicológica – contribui para o desequilíbrio emocional e, por consequência, para os estados psicopatológicos do fanatismo que se multiplicam avassaladores.

A comunicação desempenha, em todas as vidas, um papel relevante, quando visceral, emocional, livres das pressões da desconfiança e da insegurança pessoal.

O partidarismo religioso de nada contribuirá para evolução da humanidade como um todo e, tornar-se-á fatores de grandes contendas entre as pessoas.

Finalmente podemos dizer que Jesus conclamou os Seus seguidores à busca da Verdade que liberta cujo comportamento se funde o ego e o eu, numa formulação de amor sem máscaras e sem conflitos e voltado para “o amor incondicional dentro de um respeito mútuo”. “Amai-vos uns aos outros… como Eu vós amei” (Jesus).

 

(Dr. José Geraldo Rabelo. Psicólogo holístico. Psicoterapeuta espiritualista. Parapsicólogo. Filósofo clínico. Artista Plástico. Prof. Educação Física. Especialista em família, depressão, dependência química e alcoolismo. Escritor e Palestrante. Watsapp – 984719412 – Cons. 30937133, Email[email protected] e/ou [email protected])

 

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