Opinião

Extraordinário

diario da manha

Há filmes cuja intenção é nos fazer rir (comédia). Já outros buscam nos empolgar através de explosões e correria (ação). E há aqueles que são idealizados e constru­ídos, segundo após segundos, para nos fazer chorar. O drama, em sua essência, traz uma ideia subentendida de algo triste e emocionante. Mas em meio aos dramas, existem certos tipos de filmes que não fazem questão de esconder sua intenção reso­luta de levar o público às lágri­mas. Não vejo problema nisso. Alguns críticos usam esta ca­racterística para falar mal do projeto – como, por exemplo, aconteceu com Cavalo de Guer­ra, de Steven Spielberg, mas que considero maravilhoso. Quan­do bem feito, e com o uso cor­reto do melodrama, o resulta­do são obras singelas e tocantes como este Extraordinário, que encontra na simplicidade de sua história momentos podero­sos que conquistam em absolu­to o público.

Extraordinário possui um pouco de muitos elementos dos intitulados “filmes de chorar”. A trama central é a história de um menino com deformidade que precisa ir para a escola e enfren­tar o bullying. Mas também tem o momento triste com o cachor­ro, ou a irmã mais velha relega­da ao escanteio por causa da de­formidade do irmão – e que suga toda a atenção dos pais –, a ami­ga da família que se afasta por problemas de autoestima e ou­tros núcleos narrativos que com­põem o roteiro de Steve Conrad, Jack Thorne e do próprio diretor, Stephen Chbosky – que adapta o livro homônimo escrito pela nor­te-americana R. J Palacio –, cujas obras sempre envolvem temas sobre família e problemas da in­fância ou adolescência.

A direção de Chbosky – do ex­celente As Vantagens de Ser In­visível – faz o essencial em favor da narrativa para conseguir ob­ter as lágrimas almejadas do pú­blico. É delicada, sutil e o rotei­ro é tão suave na concepção dos conflitos, que se não é imprevi­sível, consegue ser eficiente ao tornar os personagens interes­santes. Méritos também aos atores. Jacob Tremblay – magis­tral no ótimo O Quarto de Jack – é um gigante em cena. Se não escolher caminhos errados, tem tudo para ser um dos grandes nomes de Hollywood. Talento e carisma tem em abundância. O mesmo para os veteranos Julia Roberts (a mãe) e Owen Wilson (o pai) – um deleite juntos.

Extraordinário é o básico feito com aptidão e coração. Não é um filme para mudar paradigmas ou concorrer ao Oscar do ano. Mas é uma obra nitidamente realizada com carinho, amor e sinceridade. É o tipo de filme que precisamos de vez em quando. Necessário para nos lembrar da importân­cia de valorizar quem amamos e mantê-los perto. O extraordinário aqui é o simples fato de existir e ter a oportunidade de amar. De estar junto e passar pelas dificuldades com quem nos valoriza e não nos julga pela aparência. Infelizmente, o mundo tem perdido este extra­ordinário. E por causa disso, Extra­ordinário é extraordinariamente essencial para todos aqueles que se dizem seres humanos.

(Matthew Vilela, jornalis­ta, comentarista de cinema do Diário da Manhã e do blog “Blog do Matthew”)

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