Opinião

Julgamento é agora

diario da manha

An­tes da ho­ra não é ho­ra. De­pois da ho­ra, já não é ho­ra. A ho­ra é na ho­ra. E, por mais que pro­tes­tem, é mes­mo ho­ra de jul­gar a to­dos, e não ape­nas a pou­cos, os que pre­ten­dem dis­pu­tar as elei­ções do ano que vem. Na­da jus­ti­fi­ca dei­xar jul­ga­men­tos de quem plei­teia car­go pú­bli­co pa­ra os mo­men­tos fi­nais da dis­pu­ta. As­sim co­mo na­da jus­ti­fi­ca  de­mo­rar no jul­ga­men­to dos que, por qual­quer for­ma de frau­de ou abu­so, tor­na­ram ile­gí­ti­mos os man­da­tos que con­quis­ta­ram. É ab­so­lu­ta­men­te po­lí­ti­cos per­de­rem seus man­da­tos já ao tér­mi­no de­les o que sig­ni­fi­ca que exer­ce­ram ile­gi­ti­ma­men­te o car­go do qual fo­ram de­fe­nes­tra­dos por de­ci­são ju­di­cial. De­ci­são que de­ve­ria ter vin­do com mais ra­pi­dez,  pois Jus­ti­ça que tar­da não é jus­ti­ça. O pa­ís não po­de en­trar num pro­ces­so elei­to­ral  com tan­tos can­di­da­tos com pen­dên­cias. Já se fa­la até em can­di­da­to re­gis­tra­do atra­vés de li­mi­na­res. E se um can­di­da­to nes­tas con­di­ções ven­ce a dis­pu­ta e de­pois é con­de­na­do? É pre­ci­so pa­rar de brin­car com coi­sas sé­rias. E, in­fe­liz­men­te, o que mais se tem fei­to pe­las de­fe­sas de en­vol­vi­dos na La­va Ja­to é brin­car com coi­sas mais do que sé­rias. É brin­car com as ins­ti­tu­i­ções, com a de­mo­cra­cia. Usam de ar­ti­fí­ci­os, éti­cos ou não, pa­ra pro­te­lar os jul­ga­men­tos e de­pois sa­em acu­san­do pes­so­as e ins­ti­tu­i­ções de per­se­gui­ção, de ten­ta­rem im­pe­dir can­di­da­tu­ras. Sem ar­gu­men­tos que sus­ten­tem su­as de­fe­sas, aca­bam par­tin­do pa­ra o ata­que, ten­tan­do des­qua­li­fi­car acu­sa­do­res e pro­vas e o pi­or, às ve­zes com apoio de par­ce­la da im­pren­sa que bus­ca a po­lê­mi­ca co­mo ins­tru­men­to vi­si­bi­li­da­de. Não é uma dis­cus­são pa­ra ago­ra, pois te­mas po­lê­mi­cos não fal­tam, mas vai che­gar a ho­ra em que a so­ci­e­da­de, e em es­pe­ci­al as en­ti­da­des de clas­se, te­rão que abrir a dis­cus­são dos li­mi­tes das ações ju­rí­di­cas. O que é e qual é seu li­mi­te, a am­pla de­fe­sa. Es­te di­rei­to não po­de con­ti­nu­ar in­clu­in­do ar­ti­ma­nhas pa­ra pro­te­lar jul­ga­men­tos. Não po­de in­clu­ir o di­rei­to de se des­qua­li­fi­car pes­so­as. De apre­sen­tar fal­sas pro­vas e tes­te­mu­nhas que na­da acres­cen­tam. Agir as­sim, é dar à acu­sa­ção  mes­mo di­rei­to. E is­to se­rá pés­si­mo pa­ra a de­mo­cra­cia. O me­lhor mes­mo é que a Jus­ti­ça age com a pres­te­za e a res­pon­sa­bi­li­da­de que de­la se exi­ge. Que se­ja du­ra, mas isen­ta.

 

(Pau­lo Ce­sar de Oli­vei­ra, jor­na­lis­ta e di­re­tor-ge­ral da re­vis­ta Vi­ver Bra­sil e jor­nal Tu­do BH)

 

Comentários

Mais de Opinião

27 de outubro de 2018 as 22:23

Brasília – Prazo de validade vencido

27 de outubro de 2018 as 21:44

A estratégia de Pedro

27 de outubro de 2018 as 21:18

Bom dia, Brasil

26 de outubro de 2018 as 21:35

As propostas de Bolsonaro

26 de outubro de 2018 as 21:34

Ensaio sobre a criação do espaço

26 de outubro de 2018 as 21:33

Um amor de Goiânia

26 de outubro de 2018 as 21:32

Brasil e totalitarismo

26 de outubro de 2018 as 21:07

Esses corregedores do CNJ são uma piada

26 de outubro de 2018 as 21:00

O voo do DM

26 de outubro de 2018 as 20:57

Casos de câncer de mama sobem no País

26 de outubro de 2018 as 20:53

O Brasil pede socorro à CNBB!

26 de outubro de 2018 as 20:49

O direito de sonhar